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16 de outubro de 2011

Hérnias discais

A coluna dos animais é formada por vértebras que se unem entre si através de discos flexíveis cartilagíneos. Estes discos intervertebrais fornecem a flexibilidade indispensável à coluna vertebral dos animais. Acima destes discos situa-se a medula, constituída por fibras nervosas que transportam informação do cérebro ao resto do corpo e vice-versa. 

À medida que o animal envelhece, os discos intervertebrais vão ficando, progressivamente, mais fracos, podendo mesmo roturar ou herniar, fazendo pressão a nível do canal medular, impedindo a normal transmissão nervosa ao longa da medula.  Este tipo de hérnias crónicas ocorrem progressivamente e estão associadas ao factor envelhecimento. Existem também raças mais predispostas a terem este tipo de problemas - teckel, basset hound, caniche, beagle, cocker spaniel, pequinês, entre outras. No entanto, podemos também ter processos de herniação aguda. São exemplo disso os traumas medulares aquando de traumatismos graves (quedas, atropelamentos, etc). 


Em qualquer um dos casos, agudo ou crónico, os sintomas podem ser diversos:

  • dor intensa;
  • fraqueza muscular;
  • perda de sensibilidade nos membros;
  • incapacidade para urinar e/ou defecar;
  • paralisia parcial ou total.
A gravidade de todos estes sintomas está também relacionada com a localização da lesão. 

Para diagnosticar este tipo de lesões recorremos ao exame neurológico do nosso paciente, bem como a meios complementares de diagnóstico. Existem lesões que facilmente se vêem numa radiografia simples. Outras, contudo, só são possíveis de diagnosticar com recurso a mielografia (radiografia com contraste), TAC (tomografia) ou RM (ressonância magnética).

Sejam lesões mais ou menos graves, a rapidez no diagnóstico e tratamento é fundamental para uma melhor recuperação do paciente. Nos casos menos graves, o tratamento consiste na administração de analgésicos e anti-inflamatórios mais ou menos potentes, dependendo da gravidade dos sintomas. O repouso absoluto é fundamental na sua recuperação - não devemos deixar o animal pular, correr ou fazer movimentos mais bruscos durante um período mais ou menos longo a estipular pelo seu médico veterinário. Muitas vezes temos que os confinar a um espaço muito mais reduzido da casa para que esse repouso seja possível. Nos casos mais graves, a cirurgia é uma das opções. Mais uma vez, quanto mais rápida for efectuada melhor o prognóstico do animal. Também nestes casos o repouso pós-operatório durante largas semanas ou mesmo meses é fundamental. A todos estes tratamentos, podemos também adicionar sessões de fisioterapia e/ou acupuntura. 

O prognóstico das hérnias discais é tanto melhor quanto maior a sensibilidade do animal. Nos casos em que o animal está paralisado e não consegue sentir dor profunda, o prognóstico é bem mais reservado.
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21 de fevereiro de 2009

Epilepsia

A epilepsia é uma condição, que se traduz, por convulsões repetidas, devido a uma actividade anormal no cérebro.



Actividade cerebral anormal

Uma única crise convulsiva, não significa que o animal tenha epilepsia.

Pode existir tantos em cães, como em gatos, contudo, a incidência na população canina é, significativamente, maior.

A epilepsia dita "verdadeira" ou idiopática, ocorre, normalmente, entre os 6 meses e os 5 anos de idade do animal. Algumas raças caninas estão mais predispostas, como por exemplo Labrador Retriever, Golden Retriever e Pastor Alemão. No entanto, qualquer raça pode apresentar epilepsia, independentemente de ser macho ou fêmea.

Para se diagnosticar epilepsia idiopática, é necessário descartar outras anomalias que possam conduzir a crises convulsivas. Intoxicações, doenças metabólicas, tumores cerebrais, traumatismos cranianos, são tudo afecções que também podem originar crises convulsivas, mas que não representam epilepsia "verdadeira".  É importante o veterinário ter um historial clínico o mais detalhado possível, fornecido pelo dono, bem como, efectuar exames complementares de diagnóstico para concluir que o animal tem mesmo epilepsia.

Nos animais epilépticos, o intervalo e a intensidade das crises é muito variável. A maior parte dos cães tem convulsões generalizadas por todo o corpo, enquanto que os gatos têm convulsões focalizadas numa determinada área do corpo.

Os sinais clínicos que caracterizam a epilepsia são:

  • perda de consciência;
  • rigidez muscular;
  • hipersalivação;
  • micção e/ou defecação;
  • vocalização.

A crise epileptiforme divide-se em três fases:

  • pré-ictal: antes da crise; o animal pode parecer um pouco "distante"; raramente é perceptível por parte do dono;
  • ictus: a crise propriamente dita; pode durar de segundos a alguns minutos;
  • pós-ictal: após a crise; pode durar de alguns minutos até várias horas; o animal exibe um comportamento alterado, tipicamente cansado e desorientado, mas pode apresentar sequelas mais graves, dependendo da intensidade da crise.

É essencial que o animal saia rapidamente da crise epileptiforme. Quanto mais rápido a crise terminar, menor a probabilidade de restarem sequelas do ataque. Para isso, é importante o dono ter sempre medicação de SOS consigo, que é administrada via rectal. Nunca coloque as mãos dentro da boca do seu animal durante um ataque.

Crises esporádicas podem não justificar o uso de medicação constante. É frequente que, no início, o animal tenha mais ataques até se conseguir encontrar a dose mínima eficaz dos fármacos que previnem as convulsões. O mais comum é o fenobarbital. Devido à toxicidade hepática deste fármaco, é importante controlar regularmente os parâmetros hepáticos do seu animal. Há animais que podem não responder ao fenobarbital, ou podem fazer lesão hepática grave quando as doses são mais elevadas. Nesses casos, é de ponderar o uso de outro fármaco, chamado brometo de potássio. Aconselhe-se com o seu veterinários sobre a melhor medicação para o seu animal.
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