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16 de maio de 2009

Intoxicação por chocolate em cães

Para a maior parte de nós, o chocolate é um verdadeiro pecado que proporciona as delícias de todos e cujo único defeito é poder colocar uns quilitos a mais na nossa balança. Para os cães, o chocolate é igualmente delicioso mas potencialmente letal. O cacau, principal matéria-prima do chocolate, contém um estimulante natural denominado teobromina. Nos cães, a teobromina é especialmente tóxica afectando o sistema nervoso central (SNC), o aparelho gastro-intestinal e o sistema cardiovascular.



Nunca dê chocolate ao seu cão

Durante as épocas festivas temos frequentemente chocolate em casa, daí a intoxicação nos cães ser mais frequente nestas alturas do ano. Se o cão consumir teobromina em quantidade significativa, poderá começar a exibir os sinais de intoxicação. A dose tóxica de teobromina para os cães e cerca de 100-200 mg/kg. Se pensarmos que uma tablete de chocolate de meio-amargo com cerca de 200g contém cerca de 1000mg de teobromina, podemos dizer que, num cão com cerca de 10 kg, ingerir uma tablete inteira é potencialmente letal. Abaixo estão indicadas as concentrações de teobromina para os diferentes tipos de chocolate:

  • chocolate de leite: 154 mg teobromina/100g
  • chocolate meio-amargo: 528 mg teobromina/100g
  • chocolate amargo: 1365 mg teobromina/100g

Assim sendo, quanto maior o teor de cacau do chocolate, maior a sua toxicidade para o cão. Os cães de raças pequenas bem como os cachorros, correm maior risco de desenvolverem toxicidade devido ao seu baixo peso corporal.

Após a ingestão, o cão poderá exibir os seguintes sintomas:

  • excitação;
  • irritabilidade;
  • taquicárdia (aumento do ritmo cardíaco);
  • poliúria (aumento da micção);
  • tremores musculares;
  • vómitos;
  • diarreia;
  • crises convulsivas.

Todos estes sintomas podem progredir para insuficiência cardíaca, coma e mesmo morte, 12 a 36 horas após a ingestão do tóxico.

Se suspeita que o seu cão ingeriu chocolate, leve-o de imediato ao seu médico veterinário assistente. Quanto a tratamento, não existe um verdadeiro antídoto para este tipo de tóxico, que permanece no organismo do animal cerca de 18h e a terapia deve adequar-se ao tipo de sintomas exibidos pelo animal. Se a ingestão for recente é fundamental induzir o vómito e administrar carvão activado para ajudar a neutralizar o tóxico. O animal deve de imediato ser colocado a soro. Se o animal tiver convulsões, devem administrar-se anticonvulsivos por forma a pará-las o mais rapidamente possível. A monitorização cardíaca é fundamental nesta intoxicação.

O prognóstico depende da gravidade da sintomatologia. Se nas 24 a 48 horas seguintes, o animal não apresentar sinais de insuficiência cardíaca nem sinais neurológicos o prognóstico é bastante favorável.

Lembre-se de guardar os chocolates em local seguro, principalmente nos dias festivos em que a atenção prestada ao seu cão pode ser menor.
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3 de maio de 2009

Intoxicação por paracetamol em gatos

O paracetamol (também conhecido por acetaminofeno) é um medicamento analgésico e anti-pirético muito usado em medicina humana. Fármacos como Ben-U-Ron, Panadol, Tylenol ou Panasorbe são bem conhecidos da nossa farmácia doméstica e todos eles têm como composto principal o paracetamol. Apesar do seu uso rotineiro em medicina humana, o paracetamol nunca deverá ser administrado a gatos.

Os gatos podem facilmente ser intoxicados por paracetamol pois o seu metabolismo de transformação do paracetamol no organismo é, de certo modo, ineficiente. Muito resumidamente podemos dizer que, nos humanos bem como noutros animais, o paracetamol é transformado no fígado por determinadas proteínas. Nos gatos a actividade dessas proteínas é muito baixa, logo há uma acumulação de produtos intermediários da transformação que são bastante tóxicos para o organismo do gato. Estes tóxicos vão danificar o fígado e os glóbulos vermelhos do gato podendo causar a sua morte.
Não deve auto-medicar o seu gato sem consultar o seu veterinário assistente

Para termos noção da toxicidade deste fármaco para um gato, podemos dizer que 250 mg de paracetamol é suficiente para lhe provocar a morte.

Normalmente os donos, não sabendo da toxicidade do paracetamol, vêem o seu gato mais parado ou adoentado e acham que o paracetamol vai, de alguma forma, fazer com que o animal recupere. Passadas algumas horas da administração, o animal começa a exibir os sinais da intoxicação:

  • vómitos e náusea;
  • prostração;
  • cianose (coloração azulada das mucosas);
  • dificuldade respiratória intensa;
  • edema (inchaço) da face e das patas;
  • abaixamento da temperatura corporal;
  • nos casos mais graves conduz à morte do animal.

O tratamento deve ser imediato e consiste na administração de fluidos, por forma a acelarar a eliminação dos compostos tóxicos que se encontram em circulação no organismo do gato e do antídoto do paracetamol (acetilcisteína). Se a dificuldade respiratória for acentuada, o animal deverá receber oxigénio. Mesmo com um tratamento imediato, o prognóstico do gato é sempre muito reservado, pois a destruição do fígado e dos glóbulos vermelhos pode ser de tal forma intensa que impossibilite a sobrevivência do animal.

Quanto à administração de paracetamol a cães, o efeito não é tão dramático mas também não é aconselhável pois pode provocar lesões hepáticas graves.

Nunca administre nenhum fármaco ao seu animal de estimação sem consultar previamente o seu médico veterinário assistente.
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