26 de abril de 2009

Coprofagia - comer fezes

A coprofagia é uma queixa relativamente frequente na prática clínica. Alguns proprietários entram na consulta horrorizados, dizendo que o seu cão come as suas próprias fezes ou as fezes de outros animais, nomeadamente de gatos.

Normalmente, a coprofagia ocorre em animais jovens e está relacionada com distúrbios comportamentais. Durante a fase de aprendizagem do cachorro é frequente ralharmos quando não fazem as suas necessidades no local correcto. Se a repreensão for demasiado severa, o cachorro pode tentar esconder as fezes comendo-as. Este processo pode tornar-se um hábito se não for travado de imediato. Obviamente que não devemos deixar de repreender o animal se este fizer algo de errado. Contudo, devemos estar atentos ao seu comportamento.

Um outro caso de coprofagia acontece quando o cão, jovem ou adulto, come as fezes de gatos. As rações dos gatos têm um teor proteico superior às dos cães, logo as suas fezes são também mais ricas em proteína. Este facto faz com que as fezes de gato exalem um odor que pode ser de alguma forma atractivo para os cães, levando-os a ingeri-las.

Por fim, podemos ter como causa de coprofagia um problema nutricional. Se o animal não digerir bem o que come, as suas fezes possuirão um teor proteico mais elevado que o normal, tornando-as apetecível para o cão. Do mesmo modo, se a dieta do cão for demasiado rica em proteína, as suas fezes também terão alto teor proteico e o cão poderá ingeri-las.

A coprofagia nem sempre é um problema fácil de resolver.

Coprofagia

A maior parte dos casos de coprofagia tem uma causa comportamental. Nestas situações devemos repreender o cão quando o apanhamos em flagrante. Se tiver gatos em casa, opte por colocar o seu litter num local inacessível para o cão, por forma a evitar este tipo de comportamento. Há produtos no mercado que podem ser administrados ao cão, por forma a tornar as suas fezes pouco atractivas. Contudo, a sua eficácia é muito relativa.

Quando a causa da coprofagia é nutricional, aconselhe-se com o seu médico veterinário quanto à melhor ração a administrar-lhe. Habitualmente opta-se por rações de elevada digestibilidade, de que são exemplo as dietas para problemas gastro-intestinais.

Independentemente da causa de coprofagia, nunca se esqueça de desparasitar o seu cão pois as fezes são habitualmente portadoras de ovos de vermes intestinais.
  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

19 de abril de 2009

Diabetes mellitus não complicada

A diabetes mellitus consiste numa diminuição na produção de insulina por parte do pâncreas. Muito sumariamente, a insulina tem a função de transformar os nutrientes presentes na alimentação do animal, em energia a ser utilizada pelo organismo. Se os níveis de insulina não são suficientes, a diabetes manifesta-se.

A diabetes ocorre normalmente em cães e gatos a partir da meia-idade. Contudo, pode manifestar-se em animais mais jovens. Nos cães é mais frequente nas fêmeas e nos gatos é mais frequente nos machos. O excesso de peso é um factor que aumenta o risco da diabetes.

Os principais sintomas de diabetes mellitus não complicada são:

  • poliúria e polidipsia: aumento da micção e do consumo de água;
  • polifagia: aumento do apetite;
  • perda de peso;
  • infecções variadas;
  • cataratas: mais frequentes nos cães.

Quando a diabetes se complica e descompensa, também denominada por diabetes ceto-acidótica, os sintomas são bem mais graves, podendo conduzir à morte do animal.

O diagnóstico da diabetes mellitus não complicada é efectuado através da medição dos níveis de açúcar (glucose) no sangue e na urina.

O tratamento da diabetes mellitus é efectuado através da ingestão de uma dieta específica e da administração de doses controladas de insulina.

Por vezes é necessário administrar insulina ao animal diabético


O animal deve ser monitorizado regularmente, por forma a estabelecer-se a dose mínima eficaz de insulina. Um paciente diabético exige um cuidado continuado - qualquer alteração na sua alimentação pode significar uma alteração nos níveis de açúcar no sangue e, consequentemente, uma descompensação.

A partir do momento em que o animal está estabilizado, é importante que o dono controle qualquer alteração nos hábitos do animal, nomeadamente, consumo de água, volume de urina e/ou perda de peso. Pequenas alterações nestes paramêtros podem significar uma alteração no nível sanguíneo de glucose. Nestes casos, o animal deverá ser reavaliado de imediato. Uma outra forma do dono avaliar em casa o seu animal diabético é através do controlo dos níveis de açúcar na urina. Isso é possível usando fitas de urina à venda em qualquer farmácia - aconselhe-se com o seu veterinário.

A diabetes é uma doença crónica; são poucos os animais que deixam de necessitar da administração diária de insulina. Quando descompensada pode ter consequências muito graves para a vida do animal, por isso, não deixe de estar atento aos pequenos sinais que ele lhe possa dar.
  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

11 de abril de 2009

Insuficiência renal crónica em gatos

A insuficiência renal crónica (IRC) é uma doença que afecta cerca de 20% dos gatos com mais de 10 anos de idade.

A IRC caracteriza-se por uma diminuição progressiva na capacidade dos rins eliminarem os produtos tóxicos do organismo. 

1- rim com insuficiência renal aguda; 2- rim normal; 3- rim com insuficiência renal crónica

Na maior parte das vezes, a IRC evolui de forma silenciosa, sem que o animal exiba quaisquer sintomas. Estes só começam a surgir quando grande parte do rim já se encontra lesionado. Os principais sintomas de IRC são:

  • perda de peso;
  • anorexia;
  • polidipsia - aumento do consumo de água;
  • poliúria - aumento da micção;
  • desidratação;
  • vómitos;
  • hipertensão arterial.

A IRC não tem cura. O gato vai, progressivamente, tendo crises de insuficiência renal, acabando por não ter mais capacidade para eliminar os produtos tóxicos do organismo.

Durante os períodos de crise, o animal deve fazer fluidoterapia para repôr o equilíbrio electrolítico e o nível de hidratação. A fluidoterapia (colocação a soro) vai ajudá-lo a eliminar os produtos tóxicos que se acumulam no organismo.

Mais importante que diminuir os parâmetros sanguíneos que avaliam a função renal (ureia, creatinina e fósforo), é conseguir recuperar o apetite do animal. A sua dieta deverá conter baixo nível de sal, bem como baixo nível proteico. Actualmente, existe no mercado uma grande variedade de dietas renais, húmidas e secas, que são um excelente auxílio para manter o gato com a IRC controlada. Se o gato não ingere água em quantidade suficiente, opte por fornecer-lhe ração húmida, por forma a manter o seu grau de hidratação. Além da dieta, existem no mercado novos fármacos que promovem a protecção renal - informe-se com o seu médico veterinário.

Um gato com IRC deve ser regularmente monitorizado. Sendo uma doença crónica, é fundamental o dono estar atento a alterações no consumo de água e/ou alimento, alterações de peso, bem como aumento da frequência de vómitos. Apercebermo-nos destas pequenas alterações e levarmos o animal ao veterinário de imediato, pode significar evitar descompensações que podem conduzir a uma crise de IRC grave.
  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

4 de abril de 2009

Asma felina

A asma felina, também designada por bronquite crónica, asma brônquica ou bronquite alérgica, caracteriza-se por uma reacção exagerada do próprio organismo aos diversos tipos de alergenos ou agentes infecciosos. Essa reacção conduz a uma inflamação de toda a arvóre brônquica, com excesso de produção de muco e secreções. Consequentemente, o lúmen brônquico torna-se menor e o gato exibe algum grau de dificuldade respiratória. Os alergenos que mais podem favorecer os sintomas de asma são o fumo de tabaco, as poeiras, os sprays ambientais e os poléns.

A asma pode atingir animais de qualquer idade, de qualquer sexo e de qualquer raça. No entanto, tem uma maior prevalência nas fêmeas.

O diagnóstico da asma é efectuado com base no historial clínico do gato, radiografias torácicas e, eventualmente, análises sanguíneas para descartar outras patologias.


É uma doença que ocorre por episódios, ou seja, existem períodos de crise em que o gato exibe os sintomas, mas que passam espontaneamente ou através de medicação nos casos mais graves. O sintoma principal na asma é a tosse.



Tosse: o principal sintoma de asma felina

Durante as crises graves o animal exibe sinais de dificuldade respiratória: pescoço esticado, respiração de boca aberta, ruídos respiratórios acentuados (vulgarmente designados por farfalheira). Se a tosse é muito persistente, o gato pode mesmo vomitar.

A asma não tem cura. O objectivo do tratamento é reduzir a quantidade de secreções produzidas, diminuir a inflamação brônquica e, assim, promover um melhor fluxo de ar aos brônquios, diminuindo, consequentemente, o número de crises asmáticas.

Os gatos com crises ocasionais normalmente não necessitam de medicação. É importante mantê-los com o peso controlado e dimimuir a exposição aos alergenos ambientais.

Para os gatos com crises frequentes é necessário o uso de broncodilatadores, bem como de anti-inflamatórios esteróides. Esses fármacos, idealmente, deveriam ser administrados através de bombas inalatórias, por forma a diminuir os possíveis efeitos secundários que uma administração continuada pode provocar. Actualmente, já existem inaladores próprios para gatos que vieram facilitar muito a administração. Contudo, nem todos os gatos toleram estas bombas: assustam-se, fogem ou podem mesmo ser agressivos.



AeroKat: inalador próprio para gatos

Nestes casos é de evitar o seu uso, pois um stress adicional só irá exacerbar ainda mais os sintomas. Assim sendo, nestes animais de comportamento mais difícil, o tratamento sistémico através de comprimidos ou xaropes é a solução. Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre a melhor opção terapêutica para o seu gato.
  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

28 de março de 2009

Hiperplasia prostática benigna no cão

A hiperplasia prostática benigna (HPB) é a afecção prostática mais frequente no cão. Consiste no aumento do tamanho da próstata, como resultado de um estímulo hormonal constante através de androgénios (denominação de hormonas masculinas, das quais faz parte a testosterona).





Hiperplasia prostática benigna no cão

Aparece em cerca de 80% dos machos não-castrados, a partir dos 6 anos de idade. Nem sempre a HPB exibe sintomas, contudo podemos ter:

  • tenesmo: dificuldade a defecar;
  • hematúria persistente ou intermitente: sangue na urina;
  • disúria: dificuldade em urinar;
  • corrimento hemorrágico do pénis: habitualmente os donos notam pequenas gotas de sangue no chão, após o animal ter estado deitado.

O diagnóstico da HPB pode ser confirmado através de:

  • toque rectal: próstata aumentada (prostatomegália), simétrica e sem dor ao toque;
  • radiografia: quando existe HPB, a próstata torna-se visível radiograficamente devido ao aumento do seu tamanho;
  • ecografia: permite observar toda a próstata, identificando estruturas anormais, bem como efectuar medições, que permitem um seguimento da evolução da afecção.

O melhor tratamento para a HPB consiste na esterilização do macho; passadas poucas semanas da cirurgia já é evidente a involução prostática.

Quando a resolução cirúrgica não é possível (normalmente por opção do próprio dono), pode recurrer-se ao uso de fármacos. Actualmente, existem no mercado fármacos que bloqueiam a acção das hormonas sexuais masculinas na próstata. A próstata, não estando sob a acção dos androgénios, acaba por involuir, e o macho pode continuar reprodutor, se for esse o caso. Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre a melhor opção a tomar.
  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

21 de março de 2009

Doença do tracto urinário inferior dos felinos (FLUTD)

A doença do tracto urinário inferior dos felinos, também designada por FLUTD (feline lower urinary tract disease), engloba afecções que podem afectar a bexiga e a uretra dos gatos.

Independentemente da etiologia, os sinais presentes na FLUTD são:

  • disúria: dor ou dificuldade em urinar, podendo existir ou não obstrução urinária;
  • hematúria: presença de sangue na urina;
  • polaquiúria: urinam com muita frequência e em pequenas quantidades;
  • lamber constante da zona genital;
  • micção em locais anormais.


Disúria - dificuldade em urinar

Apesar da FLUTD poder ser observada em qualquer gato, é mais frequente ocorrer em machos de meia-idade, sedentários e com excesso de peso.

Quanto às causas mais frequentes para a ocorrência de FLUTD temos:

  • obstruções urinárias;
  • urolitíase (cálculos urinários);
  • cistites idiopáticas (infecções urinárias de causa desconhecida).

As obstruções urinárias consistem na obstrução parcial ou total da uretra do gato, através de cálculos ou através de rolhões uretrais, que se formam devido à descamação celular existente habitualmente na uretra. As fêmeas raramente obstruem pois a sua uretra é mais curta e mais larga que a dos machos.



Obstrução urinária

Trata-se sempre de uma urgência veterinária, que requer a desobstrução imediata do animal através da sua algaliação. Se o animal não for algaliado de imediato poderá mesmo correr risco de vida, pois os produtos tóxicos eliminados, habitualmente, na urina começam a acumular-se no organismo, intoxicando o animal. Se notar que o seu gato não urina, ou que urina tão pouco que praticamente não molha o areão do caixote, não espere pelo dia seguinte para o levar ao veterinário assistente - essa espera pode significar a sua morte!

Habitualmente estes animais necessitam de internamento durante algum tempo, dependendo da gravidade da situação. É essencial controlar as possíveis infecções urinárias que possam surgir através de antibióticos, bem como promover uma boa analgesia (alívio da dor) ao animal. Um animal com dor retrai-se e evita urinar. Nos casos recorrentes, pondera-se um tratamento cirúrgico - uretrostomia.

A urolitíase é outra das causas da FLUTD. Normalmente, os cálculos são identificados através de radiografia ou de ecografia. Habitualmente, estes gatos necessitam de fazer dietas especiais para dissolver os cálculos urinários. Se, mesmo assim, os cálculos não desaparecerem ou se estiverem presentes em grandes quantidades, torna-se necessária a sua remoção cirúrgica - cistotomia.

Por último, as cistites idiopáticas são diagnosticadas por exclusão de todas as outras possíveis causas de FLUTD. Acredita-se que haja uma componente de stress por detrás destas infecções urinárias. Os gatos são animais especialmente sensíveis a modificações na sua rotina diária. Alterações de comida, alterações de horários, introdução de um outro animal, mudança de areão, número insuficiente de caixotes (aconselha-se pelo menos um caixote por animal, nunca menos) são tudo pequenas mudanças que a nós nos pode parecer insignificante, mas que pode ser uma fonte de grande stress para o seu animal. Os gatos com cistites idiopáticas têm os sinais habituais de FLUTD e, normalmente, requerem um tratamento com analgesia. Nos casos mais recorrentes, pode-se mesmo optar pelo uso de fármacos que diminuam os níveis de stress do gato.

Nos casos recorrentes, aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre quais as melhores medidas a tomar.
  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

15 de março de 2009

Febre da carraça

Chegado o mês de Março, é frequente começarem a aparecer as carraças no meio ambiente, representando um perigo, quer para nós humanos, quer para os nossos animais de estimação.





A carraça alimenta-se do sangue do hospedeiro

A febre da carraça é o termo usado para designar as várias doenças que a carraça pode transmitir. Este ectoparasita tem a capacidade de alojar diferentes tipos de agentes e, assim, transmitir uma ou mais doenças quando se aloja no seu hospedeiro. Entre esses agentes temos bactérias, ricketsias (um agente que, em termos evolutivos, se situa entre as bactérias e os vírus), e protozoários, entre outros.

No dia-a-dia da prática clínica, os dois tipos de febre de carraça mais frequentes são a Erlichiose e a Babesiose.

A Erlichiose é causada por uma ricketsia do género Erlichia spp. Pode ter três fases:

  • fase aguda: desenvolve-se entre 1 a 3 semanas após a inoculação do agente no animal de estimação. Caracteriza-se por anemia, febre, apatia, perda de apetite, dor articular, hematomas sem causa aparente, aumento dos gânglios linfáticos e do baço.
  • fase subclínica: pode durar meses ou mesmo anos. O animal pode apresentar-se normal ou com uma anemia ligeira.
  • fase crónica: com maior ou menor gravidade, esta fase caracteriza-se por perda de peso, anemia, sintomas neurológicos, hemorragias, a febre pode ou não estar presente e edema (acumulação de líquido) nos membros posteriores.

Nem sempre estas três fases são perceptíveis no animal. E, por vezes, os sintomas podem ser bem mais graves, uma vez que, uma carraça pode transmitir mais do que um agente infeccioso. Não existe vacina para a Erlichiose.

 A Babesiose, também designada por Piroplasmose, é causada pelo protozoário do género Babesia spp. Esta doença caracteriza-se por:

  • anemia;
  • febre;
  • vómitos e/ou diarreia;
  • icterícia;
  • fraqueza muscular;
  • nos casos crónicos podemos ter febres recorrentes, perda de apetite e edema generalizado.

O tratamento da febre da carraça consiste no uso de antibióticos, nomeadamente a doxiciclina, por um período de tempo bastante longo - várias semanas, podendo mesmo chegar aos 2 meses. Se os sintomas forem mais graves, o animal poderá precisar de internamento, com fluidoterapia e, eventualmente, transfusão de sangue. Nos casos de babesiose, conjuga-se também um fármaco denominado dipropionato de imidocarbe, que elimina o parasita e é administrado na forma injectável.





Nem sempre há febre na Febre da Carraça

A febre da carraça é uma doença grave que pode conduzir à morte do animal. A prevenção das carraças é a melhor maneira de evitar esta doença (veja como prevenir no artigo já publicado sobre carraças). Apesar da febre da carraça também atingir os humanos, o animal de estimação não nos transmite a doença - somente a carraça infectada é capaz da transmitir se nos picar.
  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

8 de março de 2009

Lagarta do pinheiro

A lagarta do pinheiro, também conhecida por processionária, é uma praga florestal que pode ser encontrada por todo o país em diversos tipos de pinheiros. Esta lagarta, de nome científico Thaumetophoea pityocampa, além de destruir os pinheiros, tem um grande efeito prejudicial, tanto em pessoas como em animais, que com ela contactam.



Lagarta do pinheiro

O seu ciclo de vida é bastante longo, durando praticamente todo o ano. Contudo, é entre Janeiro e Maio que as lagartas são verdadeiramente nocivas para nós e para os nossos animais. Durante este período, as lagartas começam a descer pelos troncos do pinheiro em fila, como se de uma procissão se tratasse, em direcção ao solo, onde vão completar o seu desenvolvimento. Aí transformam-se em borboleta. Entre Agosto e Setembro, nascem as lagartas que se alojam nos seus ninhos, nas copas dos pinheiros, por forma a manterem o calor e resistirem até descerem novamente em Janeiro.



Ciclo de vida

As lagartas do pinheiro têm uma cor acastanhada que se confunde com a cor do tronco do pinheiro, e estão envolvidas por centenas de pêlos. São estes pêlos urticantes e tóxicos os causadores de lesões graves, tanto em humanos como nos animais.

Os cães são normalmente mais afectados que os gatos. Ao cheirarem, tocarem ou morderem a lagarta, os animais podem apresentar lesões mais ou menos graves:

  • salivação intensa;
  • prurido acentuado no focinho;
  • língua inchada (edema) e com uma tonalidade mais ou menos escura;
  • irritação a nível dos olhos;
  • dor intensa na boca;
  • nos casos mais graves pode ocorrer necrose (morte) dos tecidos, nomeadamente língua e lábios. Se essa necrose for muito extensa, a vida do animal pode ficar em risco.

É imprescindível que o animal seja observado de imediato pelo seu médico veterinário - é uma urgência veterinária sempre! Evite ao máximo tocar no focinho do seu cão ou gato, pois poderá igualmente ficar com uma reacção alérgica nas suas mãos.

Caso detecte lagartas perto da zona onde vive, avise de imediato os serviços municipais da sua zona. Se tiver pinheiros em sua casa, informe-se junto da sua Camâra Municipal sobre a melhor forma de prevenção.
  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

28 de fevereiro de 2009

Obesidade

Actualmente, a obesidade é uma das doenças com maior prevalência na práctica clínica. Acredita-se que, em todo o Mundo, um em cada quatro animais de estimação é obeso.

Obesidade


Tal como nos humanos, a pouca actividade física e a má alimentação com ingestão de alimentos hipercalóricos são os dois principais factores que conduzem à obesidade. Considera-se que um animal é obeso quando apresenta 20% a mais do peso considerado ideal para a sua idade e raça.

A obesidade pode resultar noutros problemas, ou agravar os já existentes. De entre esses problemas destacam-se:

  • diabetes;
  • problemas articulares;
  • problemas cardio-respiratórios;
  • problemas hepáticos;
  • problemas dermatológicos.

É importante reforçar a ideia de que a obesidade não é um problema meramente estético, mas sim uma doença. A gordura, além de se acumular nos depósitos de tecido adiposo, pode também começar a acumular-se e a envolver determinados orgãos vitais do animal, pondo em risco a sua própria vida.

O animal não controla a quantidade de alimento que ingere. Assim sendo, estabelecer um plano de emagrecimento implica que o dono esteja mentalmente disponível para efectuar as seguintes modificações nos hábitos do seu animal:

  • redução da quantidade diária de alimento ingerido ou mudança para uma ração hipocalórica com doses estabelecidas pelo veterinário: as rações hipocalóricas criam normalmente um maior efeito de saciedade e o animal não fica tão ansioso com as mudanças de hábitos;
  • praticar exercício físico moderado: não o deixe cair em sedentarismo - todos os dias são um bom dia para uma caminhada de alguns minutos; se for, por exemplo, um gato que não saia de casa, então opte por brincar com ele;
  • evitar todo o tipo de "extras": o hábito de oferecer um pouco de tudo deve ser totalmente eliminado; o que para nós pode significar uma refeição leve, para o seu animal pode traduzir-se numa "bomba" de calorias.

Não subestime o "é só um bocadinho..."


Para controlar o peso do seu animal, opte por vigiar a sua condição corporal. Mais do que o peso, a condição corporal dá-nos uma imagem bastante fidedigna do estado do animal e permite-nos, de uma forma muito simples, percebermos se o nosso animal está a ficar gordito ou não. E lembre-se que, para ele conseguir emagrecer, o dono tem de querer!






Condição Corporal do Cão 







Condição Corporal do Gato
  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

21 de fevereiro de 2009

Epilepsia

A epilepsia é uma condição, que se traduz, por convulsões repetidas, devido a uma actividade anormal no cérebro.



Actividade cerebral anormal

Uma única crise convulsiva, não significa que o animal tenha epilepsia.

Pode existir tantos em cães, como em gatos, contudo, a incidência na população canina é, significativamente, maior.

A epilepsia dita "verdadeira" ou idiopática, ocorre, normalmente, entre os 6 meses e os 5 anos de idade do animal. Algumas raças caninas estão mais predispostas, como por exemplo Labrador Retriever, Golden Retriever e Pastor Alemão. No entanto, qualquer raça pode apresentar epilepsia, independentemente de ser macho ou fêmea.

Para se diagnosticar epilepsia idiopática, é necessário descartar outras anomalias que possam conduzir a crises convulsivas. Intoxicações, doenças metabólicas, tumores cerebrais, traumatismos cranianos, são tudo afecções que também podem originar crises convulsivas, mas que não representam epilepsia "verdadeira".  É importante o veterinário ter um historial clínico o mais detalhado possível, fornecido pelo dono, bem como, efectuar exames complementares de diagnóstico para concluir que o animal tem mesmo epilepsia.

Nos animais epilépticos, o intervalo e a intensidade das crises é muito variável. A maior parte dos cães tem convulsões generalizadas por todo o corpo, enquanto que os gatos têm convulsões focalizadas numa determinada área do corpo.

Os sinais clínicos que caracterizam a epilepsia são:

  • perda de consciência;
  • rigidez muscular;
  • hipersalivação;
  • micção e/ou defecação;
  • vocalização.

A crise epileptiforme divide-se em três fases:

  • pré-ictal: antes da crise; o animal pode parecer um pouco "distante"; raramente é perceptível por parte do dono;
  • ictus: a crise propriamente dita; pode durar de segundos a alguns minutos;
  • pós-ictal: após a crise; pode durar de alguns minutos até várias horas; o animal exibe um comportamento alterado, tipicamente cansado e desorientado, mas pode apresentar sequelas mais graves, dependendo da intensidade da crise.

É essencial que o animal saia rapidamente da crise epileptiforme. Quanto mais rápido a crise terminar, menor a probabilidade de restarem sequelas do ataque. Para isso, é importante o dono ter sempre medicação de SOS consigo, que é administrada via rectal. Nunca coloque as mãos dentro da boca do seu animal durante um ataque.

Crises esporádicas podem não justificar o uso de medicação constante. É frequente que, no início, o animal tenha mais ataques até se conseguir encontrar a dose mínima eficaz dos fármacos que previnem as convulsões. O mais comum é o fenobarbital. Devido à toxicidade hepática deste fármaco, é importante controlar regularmente os parâmetros hepáticos do seu animal. Há animais que podem não responder ao fenobarbital, ou podem fazer lesão hepática grave quando as doses são mais elevadas. Nesses casos, é de ponderar o uso de outro fármaco, chamado brometo de potássio. Aconselhe-se com o seu veterinários sobre a melhor medicação para o seu animal.
  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS
 
Copyright © caninos&grandes