15 de agosto de 2009

FIV - Vírus da Imunodeficiência Felina

O vírus da imunodeficiência felina, vulgarmente denominado por FIV, é o responsável pelo enfraquecimento do sistema imunitário do gato, tornando-o mais susceptível a contrair outras doenças que, habitualmente, um gato saudável teria mais dificuldade em contrair.

O FIV faz parte da família dos retrovírus, que engloba, entre outros, o vírus da leucose felina (FeLV) e o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Estes vírus são específicos para cada espécie, ou seja, um retrovírus felino só atinge gatos e um retrovírus humano só afecta humanos.

O FIV transmite-se através da dentada com gatos infectados ou de mães para filhos durante a gestação ou a amamentação. Ao contrário do FeLV, o FIV não se transmite por contacto prolongado com gatos infectados, pois aloja-se, essencialmente, a nível da saliva. Assim sendo, os gatos machos inteiros que vão à rua são o grupo de maior risco, pois mais facilmente se envolvem em brigas com outros gatos de rua.

A dentada é uma forma de transmissão do FIV


Os gatos FIV-positivos podem exibir os mais variados sintomas:

  • infecções a nível da boca;
  • doenças respiratórias;
  • doenças oculares;
  • doenças gastro-intestinais;
  • problemas de pele;
  • doenças neurológicas;
  • neoplasias;
  • linfadenopatia (aumento generalizado dos gânglios linfáticos).

Os sintomas são muito variáveis conforme o estado da seropositividade. Determinados animais FIV-positivos podem nao exibir quaisquer sintomas durante anos.

A detecção do FIV é feita através de testes rápidos que detectam anticorpos. Todos os animais com uma origem desconhecida devem ser testados para FIV. Se forem positivos, não deverão ter novamente acesso à rua, pois poderão contaminar outros gatos. Se for um macho inteiro, opte por castrá-lo para que o instinto de dominância e de vadiagem se dissipe e não se envolva em brigas com outros gatos.

Não existe tratamento específico para o FIV, mas sim para todas as doenças concomitantes. Um animal FIV-positivo pode fazer uma vida perfeitamente normal mas o dono deve ter sempre presente que este não deverá ter acesso à rua. Se existem outros gatos no agregado familiar, deve ter noção que o risco de contágio existe, principalmente se forem gatos pouco amigáveis e que briguem.

Não existe, actualmente, nenhuma vacina eficaz para o FIV. Aconselhe-se com o seu médico veterinário se ainda persistirem dúvidas acerca desta doença.
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9 de agosto de 2009

Hipotiroidismo canino

O hipotiroidismo é uma doença relativamente frequente nos cães mas que, raramente, ocorre nos gatos. Quando não existe hormona da tiróide suficiente em circulação no organismo do cão, dizemos que ele sofre de hipotiroidismo. A grande maioria dos casos de hipotiroidismo canino resultam da destruição ou atrofia da própria tiróide.





Localização da tiróide

Aparece habitualmente em cães de meia-idade, sendo mais frequente nos cães de raças médias e grandes. Certas raças como o Golden Retriever, o Retriever Labrador, o Doberman e o Cocker Spaniel parecem ser mais predispostas para desenvolver hipotiroidismo.

Os sintomas mais frequentes são:

  • apatia;
  • perda de pêlo;
  • excesso de peso;
  • hiperpigmentação da pele;
  • bradicárdia;
  • aumento dos níveis de colesterol sanguíneo.

A conjugação destes sintomas levam o veterinário a suspeitar da presença desta patologia e a efectuar o doseamento dos níveis de hormonas da tiróide.

Após a confirmação de hipotiroidismo, há que iniciar o tratamento que consiste na suplementação com hormona da tiróide sintéctica, denominada levotiroxina. Periodicamente, o animal deve efectuar análises para reavaliação da medicação, que será adminstrada durante toda a sua vida. Assim que os níveis da hormona da tiróide estão estabilizados, os sintomas começam a desaparecer.
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2 de agosto de 2009

Otohematomas

Os otohematomas ou hematomas auriculares são pequenas acumulações de sangue e líquido sanguinulento entre a pele e a cartilagem da orelha do animal, formando autênticas bolhas no pavilhão auricular. São um problema bastante frequente nos nossos cães e gatos.

Otohematoma

Normalmente, os donos notam um inchaço repentino na orelha do animal, cheio de liquído e extremamente doloroso ao toque. A dor vai desaparecendo com o passar dos dias, mas se o otohematoma não for tratado continuará a acumular-se líquido e pode mesmo começar a aparecer tecido fibroso na orelha do animal, podendo este desfigurar a sua estrutura normal.

Tanto os cães como os gatos podem desenvolver otohematomas, contudo é mais frequente nos cães. Os animais mais predispostos para otohematomas são todos aqueles que têm problemas crónicos de ouvidos - otites infecciosas, otites a ácaros ou otites de causa alérgica. Estas patologias provocam comichão no ouvido do animal e fazem com que ele se coce e abane a cabeça violentamente, conduzindo facilmente à formação de um hematoma.

Para tratar o otohematoma, o líquido deve ser removido através de uma punção com agulha e seringa. A quantidade de líquido sanguinolento que retiramos é, por vezes, impressionante. Após a remoção do líquido instilamos na zona do otohematoma, um corticosteróide de acção prolongada para evitar a formação de novo hematoma. Podemos também fazer um penso compressivo ligeiro que auxilia no desaparecimento total do hematoma. Se o animal tiver muita comichão é fundamental que use um colar isabelino durante alguns dias, para evitar o auto-traumatismo. Nos casos recidivantes optamos pela cirurgia. Esta consiste em pequenas incisões suturadas ao longo do pavilhão auricular.

A melhor forma de prevenir os otohematomas é evitando o auto-traumatismo do próprio animal. Se notar que ele abana muito a cabeça ou que se coça muito nos ouvidos, não hesite em levá-lo ao seu médico veterinário para que a otite seja logo tratada numa fase inicial e não haja o risco de se formar os hematomas auriculares.
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26 de julho de 2009

Espirro invertido ("reverse sneezing")

O espirro invertido ou "reverse sneezing" é uma condição que se caracteriza por um som respiratório acentuado, como se o cão estivesse a inalar ar de forma violenta. No espirro normal, o percurso do ar faz-se no sentido oposto - o ar sai violentamente pelo nariz do cão.



Espirro invertido

Durante o espirro invertido, o cão faz inspirações pronunciadas e rápidas, estica o pescoço e abre as patas dianteiras como se tentasse respirar melhor. O forte som emitido com este espirro faz com que os donos pensem que o cão tem algum objecto estranho no nariz. Apesar do seu som estrondoso, o espirro invertido é muito momentâneo - pode ir de alguns segundos a um minuto - e, normalmente, inofensivo. O cão rapidamente recupera a sua condição normal, não exigindo nenhum tipo de tratamento.

Acredita-se que o espirro invertido tem como causa uma irritação a nível do palato mole, que conduz a um espasmo que diminui temporariamente a capacidade respiratória do cão. Normalmente, está associado a períodos de excitação como a chegada do dono a casa ou o passeio diário. Nestes casos é conveniente acalmá-lo para que o episódio acabe o mais rapidamente possível.

As raças braquicéfalas, como é o caso dos Boxers e dos Bulldogs, podem exibir sons respiratórios que se assemelham ao espirro invertido, devido ao prolongamento do seu palato mole. Contudo, será importante excluir outros problemas que estas raças habitualmente possuem, pois estes sons podem camuflar problemas respiratórios graves ou potencialmente graves.
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19 de julho de 2009

Como levar o seu cão a passear de trela

Após a aquisição de um cão, vem a árdua tarefa de ensiná-lo a passear na rua de trela e nada melhor do que começar em cachorro. Os passeios na rua devem ser um momento de tranquilidade, tanto para o cão como para o dono. No entanto, muitos de nós sabem que a tranquilidade rapidamente se transforma em caos e frustração. 




Quem passeia quem?

Para levar o seu cão a passear à rua é necessário antes de mais, demonstrar-lhe quem manda e a seguir definir as regras.

As regras começam em casa. Quando pegamos na trela, o cão associa a passear, a ir à rua e isto cria uma certa excitação, que por vezes se torna descontrolada, como ladrar, saltar para o dono, etc.

A primeira coisa a fazer é acalmar o cão através de várias formas:

  • ficar imóvel e esperar que o cão acalme, ignorando-o;
  • caso ele salte, virar-lhe as costas;
  • ir até uma determinada zona da casa, fingindo que estamos a realizar alguma tarefa;
  • por último, caso o cão não acalme, pousar a trela numa bancada ou pendurá-la.

Após verificar que o cão está calmo, voltar a pegar na trela. Isto poderá demorar algum tempo, por isso é preciso que o dono tenha tempo disponível, porque um cão calmo é um cão controlado.

Uma vez o cão calmo, colocar a trela e andar calmamente. Atenção que o dono é o primeiro a sair e a entrar em qualquer local, quer seja de casa, do prédio, do carro, etc.

Assim que saímos a porta de acesso à rua, a primeira coisa que o cão vai fazer é puxar a trela e tentar ir à frente do dono. Normalmente, os donos puxam a trela para trás, o que está absolutamente errado. O facto dos donos puxarem a trela para trás assim que o cão dá um puxão, significa que estão a entrar em conflito com o cão e não é isso que se pretende.

Temos que demonstrar ao cão que não tem que dar puxões, nem ir à nossa frente, porque quem manda é o dono.

Assim que o cão dá um puxão temos que nos manter no sitio onde estamos, na posição em que estamos e aguardar que o cão tenha uma reacção ou olhe para trás ou se sente. Após ter efectuado qualquer uma destas acções podemos avançar, mas um passo de cada vez - já sabemos que vai puxar outra vez, por isso, é necessário darmos passos pequenos e seguros.

Este treino requer tempo por parte do dono e calma, muita calma, porque é um treino lento e gradual.

Costuma-se dizer que o cão é o espelho do dono por isso, um dono calmo e tranquilo tem um cão controlado.
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12 de julho de 2009

Bolas de pêlo (Hairballs)

Os gatos são animais que passam grande parte do seu tempo a lamberem-se e a lavarem-se (grooming), engolindo grandes quantidades de pêlo. Normalmente esse pêlo ingerido é eliminado nas fezes. Quando isso não acontece, o pêlo acumulado forma densos aglomerados a nível do estômago e intestino delgado do gato, que lá permanecem até o gato os vomitar. A esse aglomerados chamamos bolas de pêlo.

Grooming - responsável pela ingestão de pêlo


Um gato com bolas de pêlo apresenta sintomas relacionados com o sistema digestivo, nunca com o sistema respiratório. Vómitos, perda de apetite e obstipação são os sintomas mais frequentes nestes animais.

Se o número de bolas de pêlo for elevado podem bloquear o tracto intestinal e o gato não as conseguirá eliminar pelas fezes nem sequer vomitá-las. Este bloqueio, denominado por impactação, é um problema de extrema gravidade que põe em risco a vida do animal se não for detectado a tempo. Nalguns casos só a cirurgia para remoção das bolas de pêlo permite a resolução do problema.

No mercado existem inúmeros produtos que ajudam a eliminar as bolas de pêlo do gato. A maior parte deles tem como ingrediente base um óleo não digerível que lubrifica o tracto gastro-intestinal, permitindo uma eliminação mais eficaz do pêlo ingerido, evitando que se formem os aglomerados. No entanto, estes produtos devem ser usados rotineiramente para que sejam eficazes - aconselha-se que o gato o ingira uma vez por semana durante todo o ano. As dietas com elevado teor de fibra também auxiliam na eliminação das bolas de pêlo. Uma outra forma de evitar uma ingestão tão acentuada de pêlo é escovando o seu gato regularmente para remoção do excesso de pêlo morto.

Tenha sempre em conta que nas alturas do ano em que o seu gato está na mudança de pêlo, este problema torna-se bem mais frequente. Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre o produto mais eficaz para o seu gato e lembre-se que a prevenção é a melhor solução.
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5 de julho de 2009

Dermatofitoses - "Tinha"

Designa-se por dermatofitose todas as infecções de pele provocadas por fungos. Os fungos mais frequentes são Microsporum canis, Microsporum gypseum e Trichophyton mentagrophytes. Nos nossos animais de companhia, o género mais frequente é o Microsporum e, vulgarmente, designamos esta dermatofitose por "tinha".

Todos os mamíferos podem contrair dermatofitoses, incluindo os humanos. No entanto, a maior parte dos mamíferos torna-se imune às dermatofitoses e não exibe sinais da doença, excepto se estiverem imunossuprimidos ou se forem muito jovens ou muito idosos. Daí ser mais frequente encontrar dermatofitoses em cachorros e gatinhos.

As lesões de "tinha" são normalmente áreas circulares, descamativas, sem pêlo ou com pêlo muito quebradiço, com alguma vermelhidão, podendo ou não existir prurido. Localizam-se normalmente a nível do focinho, orelhas, patas e cauda. Nos cachorros a "tinha" restringe-se, habitualmente, a uma lesão isolada. Nos gatos temos, habitualmente, uma "tinha" mais generalizada.



Lesão de "tinha" localizada

O diagnóstico da dermatofitose pode ser feito usando um aparelho especial denominado Lâmpada de Wood de luz ultravioleta que, quando percorre o corpo do animal, torna as lesões verde fluorescente. Também podemos fazer uma colheita de pêlos e colocá-los num meio especial para crescimento de fungos ou observá-los ao microscópio para encontrar eventuais esporos dos fungos.

As dermatofitoses são patologias que exigem um tratamento contínuo e demorado (pelo menos 1 a 2 meses). Por isso, a persistência do dono é fundamental para o sucesso do tratamento.

Os animais afectados estão constantemente a disseminar esporos dos fungos pelo meio ambiente e estes esporos resistem durante meses nesse mesmo meio, daí ser essencial uma limpeza profunda do local onde o animal se encontra, nomeadamente camas, tapetes, canis ou gatis. Sejam lesões localizadas ou generalizadas é essencialmente lavá-las periodicamente com champôs à base de clorhexidina, que é um desinfectante para a pele extremamente eficaz para a manter saudável. Nas lesões localizadas optamos por loções ou pomadas de aplicação tópica em cada lesão. Nas lesões generalizadas, além das loções e pomadas, devemos administrar fármacos anti-fúngicos por via oral. Em qualquer uma das situações é de extrema importância que o dono siga à risca todas as indicações do tratamento e que nunca o páre até o médico veterinário achar que o deve fazer, mesmo que todas as lesões já tenham desaparecido da pele do animal.
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28 de junho de 2009

Patologia dos sáculos anais

Os sáculos anais, também chamados de glândulas anais, localizam-se ao redor do anûs e permitem ao animal marcar o território e "comunicar" com outros animais, uma vez que cada sáculo anal tem um odor único e muito intenso que o identifica (há quem o assemelhe a odor a peixe). Quando o animal defeca, os sáculos anais são esvaziados e uma pequena porção da sua secreção fica por cima das fezes. Isto permite ao animal que as cheirar identificar quem ali esteve.



Localização das glândulas anais

A patologia dos sáculos anais surge quando o cão ou o gato não esvazia totalmente a glândula durante a defecção. O ducto da glândula entope e a glândula enche, dando origem a infecções (saculites anais) e abcessos. O animal sente as glândulas cheias e começa a lamber constantemente o anûs e a arrastá-lo no chão (posição de trenó). Esta patologia é mais frequente nos cães, especialmente nos de raça pequena, contudo também se observa em gatos.

Quando os sáculos anais começam a ficar cheios, o dono ou o veterinário deverá esvaziá-los pressionando a área em redor do anûs. Existem animais que nunca conseguem esvaziar correctamente os sáculos quando defecam, por isso devemos estar atentos ao seu comportamento para os esvaziarmos assim que tiverem cheios. Normalmente, para estes animais é necessário um esvaziamento semanal ou quinzenal, por forma a prevenir uma eventual saculite anal.

Se a saculite anal já está presente o animal terá de fazer antibiótico durante pelo menos 8 dias. Podem-se aplicar pomadas locais que ajudam a diminuir a inflamação da zona anal. As saculites anais dão um desconforto acentuado no animal principalmente se estiver na fase do abcesso, por isso alguns podem retrair-se na hora de defecar - os analgésicos são fundamentais nestes casos.

Uma alimentação rica em fibra é fundamental nos animais que fazem saculites anais com muita frequência. A fibra produz um volume fecal maior fazendo com que haja maior pressão nos sáculos aquando da saída das fezes, facilitando o seu esvaziamento. Se mesmo com este tipo de alimentação o animal continuar a ter saculites, podemos optar pela remoção cirúrgica das glândulas, no entanto existe o risco, apesar de baixo, do animal se tornar incontinente fecal.
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21 de junho de 2009

Esgana canina

A esgana canina é uma doença viral altamente contagiosa que afecta o aparelho respiratório, digestivo e o sistema nervoso central do cão. Pode atingir animais de qualquer idade contudo, afecta sobretudo cachorros não vacinados entre os 3 e os 6 meses de idade, sendo grande parte das vezes fatal. Os animais adultos afectados por esta doença têm uma maior resistência à doença. Devido ao desenvolvimento dos planos vacinais nos cachorros, a incidência de esgana sofreu uma redução muito significativa nos últimos anos.

O vírus da esgana (CDV) transmite-se pelo ar, daí a sua elevada contagiosidade. Assim que é inalado, dissemina-se rapidamente pelo organismo do animal e os sintomas começam a surgir. A febre é o primeiro sinal da doença- aparece normalmente 3 a 6 dias após a contaminação. Após a febre, os sintomas podem variar bastante, dependendo da estirpe viral e do sistema imunitário do cachorro. Assim podemos ter:

  • corrimento ocular e nasal;
  • diarreia e vómitos;
  • anorexia e prostração;
  • pneumonia;
  • sinais neurológicos nos casos de esgana nervosa - paralisia, "tiques" nervosos e convulsões nos casos mais graves.

O diagnóstico de esgana é baseado no historial clínico do animal (normalmente são cachorros não vacinados que já vão à rua), nos sintomas e em análises sanguíneas.

O tratamento consiste em manter o animal hidratado devido às perdas no vómito e diarreia, forçar a alimentação, fornecer anti-vomitivos e antibióticos e controlar as convulsões. Grande parte dos cachorros, apesar do tratamento de suporte agressivo, acaba por morrer. Os que sobrevivem podem ficar com sequelas nervosas ("tiques"), hipoplasia do esmalte (os dentes ficam com um aspecto amarelado e gasto) e sensibilidade gastro-intestinal.

A esgana é uma doença com um prognóstico muito reservado que pode conduzir à morte do cachorro. Nunca esqueça que se ele não estiver vacinado com a primo-vacinação não pode ir à rua pois arrisca-se a ser contaminado.

Vacinação - melhor forma de prevenção da esgana canina

Se notar que o seu cachorro não quer comer e está prostrado leve-o de imediato ao veterinário, não espere pelo dia seguinte.
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14 de junho de 2009

Retenção de dentes de leite em cachorros

Nos cachorros a dentição de leite começa a surgir por volta das 4 semanas de idade. Esses dentes de leite (também designados por dentes decíduos) vão sendo substituidos pelos definitivos a partir dos 3 meses de idade e aos 7 meses o cachorro já deverá ter toda a sua dentição definitiva completa. Contudo, podemos ter animais em que alguns dos dentes de leite ficam retidos, ou seja, o dente definitivo surge mas o dente de leite acaba por não cair ficando, normalmente, atrás do definitivo.



Retenção do dente canino de leite

A retenção de dentes de leite é mais frequente em cães de raça pequena e os dentes que normalmente ficam retidos são os caninos, mas pode surgir com qualquer dente. Nos gatos, a retenção de dentes de leite não é habitual.

Quando o dente de leite fica retido é importante removê-lo o quanto antes pois os dentes definitivos podem ter um crescimento defeituoso devido à sua má oclusão, a acumulação de comida torna-se mais frequente, logo a probabilidade do aparecimento de tártaro aumenta e, nos casos mais graves pode mesmo haver lesões a nível da gengiva do cachorro.

Se notar que o seu cachorro aos 7 meses de idade tem dentição dupla opte por dar-lhe um granulado de ração de dimensão superior para o obrigar a mastigar e ajudar a soltar o dente de leite. Se mesmo assim o dente não cair, leve-o ao seu médico veterinário assistente para que este proceda à sua remoção cirúrgica.
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7 de junho de 2009

Lipidose hepática felina

A lipidose hepática felina, vulgarmente denominada por doença do fígado gordo, caracteriza-se por uma acumulação de gordura dentro das células do fígado (hepatócitos). Esta acumulação produz uma alteração grave na função hepática que, se não for tratada agressivamente, pode ser fatal para o gato.

A maior parte dos casos de lipidose hepática está associada a gatos obesos e o factor desencadeador da doença parece ser o stress a que o animal possa ser sujeito.



Gato obeso: predisposição para lipidose hepática

Por stress entende-se qualquer alteração na rotina ou no ambiente do gato (mudança de alimentação, mudança de casa, presença de um novo membro na família, entre outros) ou mesmo alguma doença concomitante que lhe conduza a uma diminuação do apetite.

Os sintomas mais frequentes da lipidose hepática são:

  • depressão;
  • anorexia com perda de peso acentuada;
  • vómitos;
  • icterícia (mucosas amareladas);
  • hepatomegália (aumento do tamanho do fígado), nem sempre frequente;
  • sinais neurológicos, nos casos mais graves.

A suspeita de lipidose hepática baseia-se no historial clínico do animal (gato obeso com perda de peso significativa sem causa aparente) e nos sintomas exibidos. Perante isto, efectuam-se exames complementares de diagnóstico nomeadamente:

  • análises sanguíneas: revelam alteração dos parâmetros hepáticos;
  • radiografia abdominal: revela um fígado anormalmente grande;
  • ecografia: revela alterações evidentes em todo o parenquima hepático.

Um diagnóstico precoce é a chave para o sucesso no tratamento da lipidose hepática. Perante a confirmação da doença há que garantir um suporte nutricional intensivo. Deste modo, o gato deve ser alimentado com comida hiper-proteica e hiper-calórica e devemos garantir que tem uma ingestão calórica diária suficiente para o seu peso. Dado que na maior parte dos casos o gato está anoréctico, optamos por lhe colocar um tubo de alimentação no esófago que permite ao dono alimentá-lo em casa sem lhe criar mais stress. Nos casos mais graves o animal é colocado a soro para repôr o seu equilíbrio electrolítico, são administrados antibióticos para controlar eventuais infecções secundárias e ádministrados anti-ácidos e anti-vomitivos para evitar a náusea que o animal sente pela comida.

Em qualquer uma das situações, sejam elas mais ou menos graves, o tratamento e a recuperação total do gato são demoradas, podendo levar semanas até o animal recuperar totalmente o seu apetite. Cerca de 30% dos gatos não reagem ao tratamento e morrem.

Uma das melhores formas de prevenir a lipidose hepática é manter o gato com peso normal. Se ele tem excesso de peso aconselhe-se com o seu veterinário sobre o melhor programa para redução de peso. Não opte por lhe reduzir dastricamente a quantidade de comida nem fornecer-lhe comida que ele não goste, pois estas situações podem ser suficientes para desenvolver lipidose hepática. Se o seu gato perdeu apetite repentinamente, leve-o de imediato ao seu médico veterinário.
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31 de maio de 2009

A cegueira

A cegueira nos nossos animais pode ser tanto progressiva como súbita. Indepedentemente da sua causa, a perda de visão não significa sofrimento para o animal. A sua capacidade de adaptação é extraordinariamente elevada, podendo manter uma qualidade de vida bastante elevada.




Cão cego

Quando a cegueira é progressiva, como acontece no processo de cataratas, o animal vai-se adaptando à sua nova condição, recorrendo-se dos seus outros sentidos, nomeadamente o olfacto. O dono muitas vezes nem se apercebe que o seu cão ou gato cegou. Apercebe-se apenas que a sua companhia vê pior em ambientes menos familiares.

Já no caso da perda súbita de visão, como acontece nos descolamentos de retina, a adaptação do animal torna-se bem mais complicada e o dono tem perfeita noção de que o animal não está a ver, pois o seu comportamento muda repentinamente.

Infelizmente, grande parte dos casos de cegueira nos nossos animais são irreversíveis. Nestes casos, o dono desempenha um papel fundamental para a adaptação do seu animal. Pequenos gestos podem ser de grande importância para ajudá-los a enfrentar a cegueira de forma mais confiante e natural:

  • Não redecore a sua casa: o animal conhece bem "os cantos à casa"; se resolver redecorá-la nesta fase da sua vida, ele vai perder a sua capacidade de orientação.
  • Remova todo o tipo de objectos potencialmente perigosos (pontiagudos ou afiados) que possam estar ao seu alcance.
  • Se tinha o hábito de passeá-lo na rua pode continuar a fazê-lo desde que opte pelos locais habituais; nunca em situação alguma deverá deixá-lo passear sozinho na rua.
  • Evite o acesso a escadas e piscinas colocando barreiras protectoras.
  • Se tiver outro animal em casa opte por colocar neste um pequeno sino na sua coleira: este gesto dará uma maior confiança ao seu animal cego que mais facilmente o localizará.

Lembre-se que o mais importante em todos estes gestos é a sua paciência com ele para vos ajudar na adaptação.
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24 de maio de 2009

Acne felino

O acne felino é um problema dermatológico bastante frequente nos nossos gatos. Pode afectar gatos de qualquer idade, de qualquer raça, machos ou fêmeas. Localiza-se, essencialmente, a nível do queixo e dos lábios do gato.



Localização típica do acne felino ligeiro

No acne, os folículos das glândulas sebáceas, presentes naturalmente no queixo do animal, ficam obstruídos, dando origem aos vulgarmente denominados "pontos negros". Estes pontos negros incham, infectam e dão origem a pústulas.

A causa do acne felino é desconhecida. Contudo, existem vários factores que podem desencadear o processo:

  • stress;
  • grooming insuficiente;
  • hiperplasia das glândulas sebáceas;
  • alergias alimentares;
  • uso frequente de recipientes de plástico para a alimentação: o plástico, por ser poroso, é uma fonte de bactérias, que rapidamente se transferem para o queixo do animal. Acredita-se também que há gatos que fazem alergia ao próprio plástico.

Os sintomas do acne felino são a presença de pontos negros no queixo e lábios do animal, dando a aparência de sujidade. Nos casos mais graves, em que já há uma infecção bacteriana secundária, o animal pode apresentar a pele inflamada e com focos de pús.

O tratamento para o acne depende, obviamente, da sua gravidade, mas o objectivo principal é remover o excesso de sebo presente na pele do animal. Nos casos ligeiros opta-se por tratamentos tópicos:

  • soluções de lavagem à base de clor-hexidina;
  • retinóides e vitamina A;
  • pomadas com antibióticos e corticosteróides.

Nos casos graves, além do tratamento tópico referido acima, optamos também por tosquiar a zona afectada para permitir uma melhor limpeza da pele e administramos antibióticos e corticosteróides por via oral.

Se o seu gato tem tendência para acne, lembre-se sempre de evitar os recipientes de plástico, lave os comedouros e bebedouros diariamente e lave-lhe o queixo após as refeições com uma solução antisséptica.
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16 de maio de 2009

Intoxicação por chocolate em cães

Para a maior parte de nós, o chocolate é um verdadeiro pecado que proporciona as delícias de todos e cujo único defeito é poder colocar uns quilitos a mais na nossa balança. Para os cães, o chocolate é igualmente delicioso mas potencialmente letal. O cacau, principal matéria-prima do chocolate, contém um estimulante natural denominado teobromina. Nos cães, a teobromina é especialmente tóxica afectando o sistema nervoso central (SNC), o aparelho gastro-intestinal e o sistema cardiovascular.



Nunca dê chocolate ao seu cão

Durante as épocas festivas temos frequentemente chocolate em casa, daí a intoxicação nos cães ser mais frequente nestas alturas do ano. Se o cão consumir teobromina em quantidade significativa, poderá começar a exibir os sinais de intoxicação. A dose tóxica de teobromina para os cães e cerca de 100-200 mg/kg. Se pensarmos que uma tablete de chocolate de meio-amargo com cerca de 200g contém cerca de 1000mg de teobromina, podemos dizer que, num cão com cerca de 10 kg, ingerir uma tablete inteira é potencialmente letal. Abaixo estão indicadas as concentrações de teobromina para os diferentes tipos de chocolate:

  • chocolate de leite: 154 mg teobromina/100g
  • chocolate meio-amargo: 528 mg teobromina/100g
  • chocolate amargo: 1365 mg teobromina/100g

Assim sendo, quanto maior o teor de cacau do chocolate, maior a sua toxicidade para o cão. Os cães de raças pequenas bem como os cachorros, correm maior risco de desenvolverem toxicidade devido ao seu baixo peso corporal.

Após a ingestão, o cão poderá exibir os seguintes sintomas:

  • excitação;
  • irritabilidade;
  • taquicárdia (aumento do ritmo cardíaco);
  • poliúria (aumento da micção);
  • tremores musculares;
  • vómitos;
  • diarreia;
  • crises convulsivas.

Todos estes sintomas podem progredir para insuficiência cardíaca, coma e mesmo morte, 12 a 36 horas após a ingestão do tóxico.

Se suspeita que o seu cão ingeriu chocolate, leve-o de imediato ao seu médico veterinário assistente. Quanto a tratamento, não existe um verdadeiro antídoto para este tipo de tóxico, que permanece no organismo do animal cerca de 18h e a terapia deve adequar-se ao tipo de sintomas exibidos pelo animal. Se a ingestão for recente é fundamental induzir o vómito e administrar carvão activado para ajudar a neutralizar o tóxico. O animal deve de imediato ser colocado a soro. Se o animal tiver convulsões, devem administrar-se anticonvulsivos por forma a pará-las o mais rapidamente possível. A monitorização cardíaca é fundamental nesta intoxicação.

O prognóstico depende da gravidade da sintomatologia. Se nas 24 a 48 horas seguintes, o animal não apresentar sinais de insuficiência cardíaca nem sinais neurológicos o prognóstico é bastante favorável.

Lembre-se de guardar os chocolates em local seguro, principalmente nos dias festivos em que a atenção prestada ao seu cão pode ser menor.
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9 de maio de 2009

Como prevenir acidentes

Os acidentes com os nossos animais de estimação podem acontecer em qualquer altura. Mas, se evitarmos determinados comportamentos de risco, podemos minimizar grande parte desses acidentes.





Animais acidentados

Entre os acidentes mais comuns temos:

  1. Quedas: são relativamente frequentes nos gatos, principalmente durante as estações do ano mais quentes. As janelas abertas podem ser um factor de risco acrescido para as quedas. Os gatos não têm noção dos riscos e se estiverem à janela e virem algo que lhes desperte a atenção, não hesitam em saltar, estejam eles num 1º andar ou num 5º andar. Mesmo caindo uma vez, os gatos não "aprendem" e voltam a repetir a proeza, se tiverem oportunidade para isso.
  2. Atropelamentos: idas à rua de cães e gatos sozinhos ou sem trela são um factor que aumentam o risco de atropelamento. Mesmo quando acompanhados, se o seu cão ou gato não levar trela pode assustar-se com algo e fugir para a estrada.
  3. Afogamentos: se tem piscina em casa, use uma barreira protectora para evitar a ida do cão ou do gato para a piscina. Por vezes, mesmo com a presença duma escada na piscina o animal pode atrapalhar-se e não conseguir sair, principalmente se for um animal jovem.
  4. Ingestão de corpos estranhos: muito mais que os gatos, os cães são especialmente predispostos a comer coisas que não devem. Embora a ingestão de corpos estranhos seja mais frequente em cachorros, há animais adultos e geriátricos que também o fazem. Se for esse o caso, evite ter por casa objectos soltos e de fácil acesso para eles e quando for passeá-los esteja atento para não ingerir nada estranho ou opte por usar um açaime se for impossível evitar que eles "aspirem" as ruas.
  5. Envenenamentos: produtos de limpeza doméstica, insecticidas, produtos de jardinagem e medicamentos devem todos eles estar devidamente armazenados e fora do alcance do seu animal de estimação.
  6. Golpe de calor: chegado o tempo quente, certifique-se que proporciona sempre água fresca bem como sombras ao seu animal se este estiver ao ar livre. Nunca o deixe dentro do carro ao sol, mesmo que deixe uma janela ligeiramente aberta.
  7. Hipotermia: aplica-se nos animais recém- nascidos e que não conseguem regular a sua temperatura corporal. Tenha sempre o local aquecido com uma temperatura ambiente constante. Se necessário, compre uma botija de água quente para os manter sempre quentes.

Não se esqueça de ter sempre no seu telemóvel o contacto de um serviço veterinário de urgências; assim, numa situação urgente, não precisará de perder tempo à procura do veterinário de serviço.
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3 de maio de 2009

Intoxicação por paracetamol em gatos

O paracetamol (também conhecido por acetaminofeno) é um medicamento analgésico e anti-pirético muito usado em medicina humana. Fármacos como Ben-U-Ron, Panadol, Tylenol ou Panasorbe são bem conhecidos da nossa farmácia doméstica e todos eles têm como composto principal o paracetamol. Apesar do seu uso rotineiro em medicina humana, o paracetamol nunca deverá ser administrado a gatos.

Os gatos podem facilmente ser intoxicados por paracetamol pois o seu metabolismo de transformação do paracetamol no organismo é, de certo modo, ineficiente. Muito resumidamente podemos dizer que, nos humanos bem como noutros animais, o paracetamol é transformado no fígado por determinadas proteínas. Nos gatos a actividade dessas proteínas é muito baixa, logo há uma acumulação de produtos intermediários da transformação que são bastante tóxicos para o organismo do gato. Estes tóxicos vão danificar o fígado e os glóbulos vermelhos do gato podendo causar a sua morte.
Não deve auto-medicar o seu gato sem consultar o seu veterinário assistente

Para termos noção da toxicidade deste fármaco para um gato, podemos dizer que 250 mg de paracetamol é suficiente para lhe provocar a morte.

Normalmente os donos, não sabendo da toxicidade do paracetamol, vêem o seu gato mais parado ou adoentado e acham que o paracetamol vai, de alguma forma, fazer com que o animal recupere. Passadas algumas horas da administração, o animal começa a exibir os sinais da intoxicação:

  • vómitos e náusea;
  • prostração;
  • cianose (coloração azulada das mucosas);
  • dificuldade respiratória intensa;
  • edema (inchaço) da face e das patas;
  • abaixamento da temperatura corporal;
  • nos casos mais graves conduz à morte do animal.

O tratamento deve ser imediato e consiste na administração de fluidos, por forma a acelarar a eliminação dos compostos tóxicos que se encontram em circulação no organismo do gato e do antídoto do paracetamol (acetilcisteína). Se a dificuldade respiratória for acentuada, o animal deverá receber oxigénio. Mesmo com um tratamento imediato, o prognóstico do gato é sempre muito reservado, pois a destruição do fígado e dos glóbulos vermelhos pode ser de tal forma intensa que impossibilite a sobrevivência do animal.

Quanto à administração de paracetamol a cães, o efeito não é tão dramático mas também não é aconselhável pois pode provocar lesões hepáticas graves.

Nunca administre nenhum fármaco ao seu animal de estimação sem consultar previamente o seu médico veterinário assistente.
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26 de abril de 2009

Coprofagia - comer fezes

A coprofagia é uma queixa relativamente frequente na prática clínica. Alguns proprietários entram na consulta horrorizados, dizendo que o seu cão come as suas próprias fezes ou as fezes de outros animais, nomeadamente de gatos.

Normalmente, a coprofagia ocorre em animais jovens e está relacionada com distúrbios comportamentais. Durante a fase de aprendizagem do cachorro é frequente ralharmos quando não fazem as suas necessidades no local correcto. Se a repreensão for demasiado severa, o cachorro pode tentar esconder as fezes comendo-as. Este processo pode tornar-se um hábito se não for travado de imediato. Obviamente que não devemos deixar de repreender o animal se este fizer algo de errado. Contudo, devemos estar atentos ao seu comportamento.

Um outro caso de coprofagia acontece quando o cão, jovem ou adulto, come as fezes de gatos. As rações dos gatos têm um teor proteico superior às dos cães, logo as suas fezes são também mais ricas em proteína. Este facto faz com que as fezes de gato exalem um odor que pode ser de alguma forma atractivo para os cães, levando-os a ingeri-las.

Por fim, podemos ter como causa de coprofagia um problema nutricional. Se o animal não digerir bem o que come, as suas fezes possuirão um teor proteico mais elevado que o normal, tornando-as apetecível para o cão. Do mesmo modo, se a dieta do cão for demasiado rica em proteína, as suas fezes também terão alto teor proteico e o cão poderá ingeri-las.

A coprofagia nem sempre é um problema fácil de resolver.

Coprofagia

A maior parte dos casos de coprofagia tem uma causa comportamental. Nestas situações devemos repreender o cão quando o apanhamos em flagrante. Se tiver gatos em casa, opte por colocar o seu litter num local inacessível para o cão, por forma a evitar este tipo de comportamento. Há produtos no mercado que podem ser administrados ao cão, por forma a tornar as suas fezes pouco atractivas. Contudo, a sua eficácia é muito relativa.

Quando a causa da coprofagia é nutricional, aconselhe-se com o seu médico veterinário quanto à melhor ração a administrar-lhe. Habitualmente opta-se por rações de elevada digestibilidade, de que são exemplo as dietas para problemas gastro-intestinais.

Independentemente da causa de coprofagia, nunca se esqueça de desparasitar o seu cão pois as fezes são habitualmente portadoras de ovos de vermes intestinais.
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19 de abril de 2009

Diabetes mellitus não complicada

A diabetes mellitus consiste numa diminuição na produção de insulina por parte do pâncreas. Muito sumariamente, a insulina tem a função de transformar os nutrientes presentes na alimentação do animal, em energia a ser utilizada pelo organismo. Se os níveis de insulina não são suficientes, a diabetes manifesta-se.

A diabetes ocorre normalmente em cães e gatos a partir da meia-idade. Contudo, pode manifestar-se em animais mais jovens. Nos cães é mais frequente nas fêmeas e nos gatos é mais frequente nos machos. O excesso de peso é um factor que aumenta o risco da diabetes.

Os principais sintomas de diabetes mellitus não complicada são:

  • poliúria e polidipsia: aumento da micção e do consumo de água;
  • polifagia: aumento do apetite;
  • perda de peso;
  • infecções variadas;
  • cataratas: mais frequentes nos cães.

Quando a diabetes se complica e descompensa, também denominada por diabetes ceto-acidótica, os sintomas são bem mais graves, podendo conduzir à morte do animal.

O diagnóstico da diabetes mellitus não complicada é efectuado através da medição dos níveis de açúcar (glucose) no sangue e na urina.

O tratamento da diabetes mellitus é efectuado através da ingestão de uma dieta específica e da administração de doses controladas de insulina.

Por vezes é necessário administrar insulina ao animal diabético


O animal deve ser monitorizado regularmente, por forma a estabelecer-se a dose mínima eficaz de insulina. Um paciente diabético exige um cuidado continuado - qualquer alteração na sua alimentação pode significar uma alteração nos níveis de açúcar no sangue e, consequentemente, uma descompensação.

A partir do momento em que o animal está estabilizado, é importante que o dono controle qualquer alteração nos hábitos do animal, nomeadamente, consumo de água, volume de urina e/ou perda de peso. Pequenas alterações nestes paramêtros podem significar uma alteração no nível sanguíneo de glucose. Nestes casos, o animal deverá ser reavaliado de imediato. Uma outra forma do dono avaliar em casa o seu animal diabético é através do controlo dos níveis de açúcar na urina. Isso é possível usando fitas de urina à venda em qualquer farmácia - aconselhe-se com o seu veterinário.

A diabetes é uma doença crónica; são poucos os animais que deixam de necessitar da administração diária de insulina. Quando descompensada pode ter consequências muito graves para a vida do animal, por isso, não deixe de estar atento aos pequenos sinais que ele lhe possa dar.
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11 de abril de 2009

Insuficiência renal crónica em gatos

A insuficiência renal crónica (IRC) é uma doença que afecta cerca de 20% dos gatos com mais de 10 anos de idade.

A IRC caracteriza-se por uma diminuição progressiva na capacidade dos rins eliminarem os produtos tóxicos do organismo. 

1- rim com insuficiência renal aguda; 2- rim normal; 3- rim com insuficiência renal crónica

Na maior parte das vezes, a IRC evolui de forma silenciosa, sem que o animal exiba quaisquer sintomas. Estes só começam a surgir quando grande parte do rim já se encontra lesionado. Os principais sintomas de IRC são:

  • perda de peso;
  • anorexia;
  • polidipsia - aumento do consumo de água;
  • poliúria - aumento da micção;
  • desidratação;
  • vómitos;
  • hipertensão arterial.

A IRC não tem cura. O gato vai, progressivamente, tendo crises de insuficiência renal, acabando por não ter mais capacidade para eliminar os produtos tóxicos do organismo.

Durante os períodos de crise, o animal deve fazer fluidoterapia para repôr o equilíbrio electrolítico e o nível de hidratação. A fluidoterapia (colocação a soro) vai ajudá-lo a eliminar os produtos tóxicos que se acumulam no organismo.

Mais importante que diminuir os parâmetros sanguíneos que avaliam a função renal (ureia, creatinina e fósforo), é conseguir recuperar o apetite do animal. A sua dieta deverá conter baixo nível de sal, bem como baixo nível proteico. Actualmente, existe no mercado uma grande variedade de dietas renais, húmidas e secas, que são um excelente auxílio para manter o gato com a IRC controlada. Se o gato não ingere água em quantidade suficiente, opte por fornecer-lhe ração húmida, por forma a manter o seu grau de hidratação. Além da dieta, existem no mercado novos fármacos que promovem a protecção renal - informe-se com o seu médico veterinário.

Um gato com IRC deve ser regularmente monitorizado. Sendo uma doença crónica, é fundamental o dono estar atento a alterações no consumo de água e/ou alimento, alterações de peso, bem como aumento da frequência de vómitos. Apercebermo-nos destas pequenas alterações e levarmos o animal ao veterinário de imediato, pode significar evitar descompensações que podem conduzir a uma crise de IRC grave.
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4 de abril de 2009

Asma felina

A asma felina, também designada por bronquite crónica, asma brônquica ou bronquite alérgica, caracteriza-se por uma reacção exagerada do próprio organismo aos diversos tipos de alergenos ou agentes infecciosos. Essa reacção conduz a uma inflamação de toda a arvóre brônquica, com excesso de produção de muco e secreções. Consequentemente, o lúmen brônquico torna-se menor e o gato exibe algum grau de dificuldade respiratória. Os alergenos que mais podem favorecer os sintomas de asma são o fumo de tabaco, as poeiras, os sprays ambientais e os poléns.

A asma pode atingir animais de qualquer idade, de qualquer sexo e de qualquer raça. No entanto, tem uma maior prevalência nas fêmeas.

O diagnóstico da asma é efectuado com base no historial clínico do gato, radiografias torácicas e, eventualmente, análises sanguíneas para descartar outras patologias.


É uma doença que ocorre por episódios, ou seja, existem períodos de crise em que o gato exibe os sintomas, mas que passam espontaneamente ou através de medicação nos casos mais graves. O sintoma principal na asma é a tosse.



Tosse: o principal sintoma de asma felina

Durante as crises graves o animal exibe sinais de dificuldade respiratória: pescoço esticado, respiração de boca aberta, ruídos respiratórios acentuados (vulgarmente designados por farfalheira). Se a tosse é muito persistente, o gato pode mesmo vomitar.

A asma não tem cura. O objectivo do tratamento é reduzir a quantidade de secreções produzidas, diminuir a inflamação brônquica e, assim, promover um melhor fluxo de ar aos brônquios, diminuindo, consequentemente, o número de crises asmáticas.

Os gatos com crises ocasionais normalmente não necessitam de medicação. É importante mantê-los com o peso controlado e dimimuir a exposição aos alergenos ambientais.

Para os gatos com crises frequentes é necessário o uso de broncodilatadores, bem como de anti-inflamatórios esteróides. Esses fármacos, idealmente, deveriam ser administrados através de bombas inalatórias, por forma a diminuir os possíveis efeitos secundários que uma administração continuada pode provocar. Actualmente, já existem inaladores próprios para gatos que vieram facilitar muito a administração. Contudo, nem todos os gatos toleram estas bombas: assustam-se, fogem ou podem mesmo ser agressivos.



AeroKat: inalador próprio para gatos

Nestes casos é de evitar o seu uso, pois um stress adicional só irá exacerbar ainda mais os sintomas. Assim sendo, nestes animais de comportamento mais difícil, o tratamento sistémico através de comprimidos ou xaropes é a solução. Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre a melhor opção terapêutica para o seu gato.
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