4 de outubro de 2009

Check-up regular

Todos nós sabemos que a melhor forma de lidar com os problemas de saúde do seu animal  é prevenindo-os ou detectando-os numa fase muito precoce. Para que isso seja possível, deve levar o seu companheiro regularmente ao seu médico veterinário para efectuar um exame clínico completo. Essa regularidade varia conforme a idade e a condição do animal - os jovens devem fazer um check-up anualmente, os geriátricos devem fazer um check-up semestral e os animais com doenças crónicas devem ser acompanhados mais regularmente, dependendo da sua doença e do seu estado de saúde.




Idas regulares ao veterinário são fundamentais

O check-up regular passa, normalmente, pelas seguintes etapas:

  • exame clínico completo
  • vacinação;
  • desparasitação interna e externa;
  • análises sanguíneas se se justificar.

O exame clínico completo passa por examinar o animal de uma ponta à outra:

  • auscultação cardíaca e pulmonar: por vezes detectam-se sopros cardíacos numa fase muito precoce com uma simples auscultação;
  • palpação abdominal: permite verificar e detectar certas anomalias nos orgãos internos como por exemplo assimetria renal;
  • estado da pele e do pêlo;
  • membros: os problemas articulares são muito frequentes nos nossos animais;
  • olhos e ouvidos: otites e conjuntivites fazem parte do dia-a-dia de um veterinário;
  • boca e dentes: os donos nem sempre se apercebem do mau estado dentário do seu animal;
  • condição corporal: o excesso de peso tornou-se um problema grave nos nossos animais.

A vacinação regular é essencial para prevenir determinadas doenças infecto-contagiosas nos cães e gatos. Nos cachorros e gatinhos as datas das vacinas devem ser respeitadas rigorosamente.

A desparasitação interna contra vermes intestinais deve ser efectuada pelo menos uma vez por ano em todos os animais adultos. Nos cachorros e gatinhos essa desparasitação deve ser feita mensalmente. A desparasitação externa deve ser feita para evitar pulgas, carraças e mosquitos.

Nos pacientes geriátricos e com doenças crónicas, as análises sanguíneas são fundamentais para detectar e controlar alterações sistémicas.

Um check-up regular pode fazer toda a diferença na saúde do seu animal. Não hesite em levá-lo regularmente ao veterinário, ele agradece!
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27 de setembro de 2009

Medo de ruídos

O medo de ruídos é um problema muito comum nos cães mas menos frequente nos gatos. Esse medo pode rapidamente dar origem a uma fobia, com comportamentos excessivos e persistentes por parte do animal. Os ruídos que provocam frequentemente medo nos animais são a trovoada e o fogo-de-artifício.

O medo de ruídos pode atingir qualquer animal. Contudo, os mais ansiosos são normalmente os mais afectados.




Medos e Fobias

O comportamento do dono pode afectar a severidade do medo. Por um lado, se o dono estiver nervoso durante as trovoadas, o animal vai ter ainda mais medo. Por outro lado, se o dono tiver uma reacção de protecção exagerada, o animal entenderá isso como se houvesse uma razão real para ter medo.

Os sinais de fobia a ruídos são muito variáveis de animal para animal. No entanto, os mais frequentes são:

  • esconder (o sinal mais frequente nos gatos);
  • urinar;
  • defecar;
  • salivar excessivamente e mastigar;
  • aumento da frequência cardíaca e respiratória;
  • tremer;
  • tentativa de fuga ou procura exagerada do dono;
  • vocalização (ladrar, uivar ou miar excessivamente).

O tratamento dos medos e fobias  passa mudança do comportamento do dono, mudança de ambiente e/ou medicação.

O dono não deve em ocasião alguma punir ou mimar em demasia o seu animal. Deve adoptar uma postura calma e tranquila, de forma a que o seu animal se sinta o menos ansioso possível.

A mudança de ambiente pode reduzir o nível de stress do animal. Pode optar por ligar a TV ou colocar música para atenuar o ruído negativo e levar o seu animal para um local de menor dimensão. Deve também fechar todas as janelas e portas para atenuar qualquer ruído exterior.

Quanto à medicação, pode ser administrada antes do ruído, durante o ruído ou por um período de tempo relativamente longo da vida do animal, como preparação para o ruído. Existem inúmeros fármacos que podem ser administrados ao animal para atenuar a fobia do animal. Consulte o seu médico veterinário sobre o melhor fármaco a usar no seu animal e nunca, em situação alguma, medique o seu animal com calmantes ou relaxantes que possa estar a tomar.

A diminuição dos medos exige tempo, dedicação e muita calma por parte dos donos. São processos morosos mas que podem dar frutos a médio ou longo-prazo.
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20 de setembro de 2009

Luxação da rótula

O joelho é uma estrutura complexa constituída por músculos, tendões, ligamentos, cartilagens e ossos. Todos este componentes devem alinhar correctamente e interagir harmoniosamente, por forma a permitir um bom funcionamento do joelho. São três os ossos que estão incluidos no joelho: o fémur, a tíbia e a rótula.

A rótula aloja-se numa concavidade no final do fémur, protegendo toda a articulação do joelho. Nalguns animais, essa concavidade pode não ser suficientemente profunda para manter a rótula numa posição estável. Nesses casos a rótula fica luxada, ou seja, sai da concavidade e desloca-se, lateral ou medialmente, ao longo do joelho do animal, acabando este por deixar de apoiar correctamente a pata no chão.





Luxação da rótula: deslocamento lateral e medial da rótula

A luxação da rótula pode ter como causa uma malformação congénita - a concavidade não é suficientemente pronunciada para manter a rótula fixa - ou um trauma no joelho. As raças pequenas e miniaturas estão mais predispostas para esta patologia. Também ocorre ocasionalmente em gatos.

Os sintomas podem variar conforme a gravidade da luxação. Nos casos mais graves, o animal, frequentemente, exibe claudicação acentuada e interminente com dor à manipulação. Nos menos graves, o animal pode nem exibir qualquer sintoma.

Se a luxação da rótula não for tratada, a articulação do joelho vai ficando progressivamente inflamada e com menor mobilidade, gerando-se um processo de artrose precoce.

O tratamento de eleição é a cirurgia, que tem uma taxa de sucesso bastante elevada. Por vezes os donos não se mostram muitos receptivos perante esta opção e, nestes casos, administramos anti-inflamatórios ao animal para o manter o mais confortável possível.

A luxação da rótula exige uma avaliação precoce por parte do médico veterinário assistente, por forma a evitar o aparecimento de processos de artrite e artrose num futuro próximo.
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13 de setembro de 2009

Parvovirose canina

A parvovirose canina é uma doença altamente contagiosa que se caracteriza por uma diarreia profusa e, habitualmente, sanguinolenta. Atinge, essencialmente, animais jovens (mais frequente nos cachorros até aos 6 meses de idade)  não-vacinados que contactam com o vírus.

A parvovirose atinge habitualmente animais jovens


O parvovírus está presente nas fezes dos animais infectados e pode sobreviver no meio ambiente durante largos meses se tiver as condições ideais de crescimento. Isto significa que, perante um animal infectado, devemos ter cuidados redobrados no que respeita à desinfecção do local.

O período de incubação da parvovirose varia entre 1 a 2 semanas. Durante esse período, o animal pode disseminar o vírus no meio ambiente, sem exibir qualquer sinal clínico.

Os sintomas mais frequentes na parvovirose são:

  • diarreia;
  • vómito;
  • febre;
  • prostração e desidratação intensas;
  • septicémia e morte, nos casos mais graves.

A parvovirose é uma doença com uma progressão muito rápida a partir do momento em que o animal exibe os primeiros sintomas e, a morte do animal, pode mesmo ocorrer poucos dias depois. A partir do momento em que suspeitamos de parvovirose, o animal deve ser rapidamente isolado para iniciarmos uma terapêutica agressiva de suporte.

A terapêutica consiste na administração de fluidos para repôr todas as perdas electrolíticas que o animal está a ter com o vómito e a diarreia. O animal deve ser colocado a soro com anti-vomitivos, anti-ácidos e antibióticos. Por vezes torna-se mesmo necessário nutrição parenteral. Contudo, mesmo com um tratamento agressivo, a taxa de mortalidade desta doença nos cachorros é extremamente elevada.

A melhor forma de prevenir a parvovirose canina é respeitando o esquema vacinal que o médico veterinário estabelece para o seu cachorro  e nunca o levar à rua sem antes completar esse esquema vacinal.

A parvovirose é uma doença infecto-contagiosa muito grave que atinge cães com imunidade reduzida. Não atinge gatos nem humanos.
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6 de setembro de 2009

Úlceras da córnea

As úlceras da córnea consistem em feridas na primeira camada da córnea (constituída por quatro camadas), ficando as restantes camadas expostas a agressões externas, nomeadamente, à invasão de bactérias, causando infecção do olho.

As úlceras podem tornar-se mais profundas e invadir as camadas seguintes da córnea. Nestes casos, a infecção pode atingir várias partes do olho e as lesões podem ser ou não reversíveis.

As úlceras da córnea são normalmente de causa traumática:

  • autotraumatismo: animais q se coçam e ferem a córnea com as unhas;
  • corpos estranhos: pedaços de arvoredos e ervas;
  • entropion ou cílios ectópicos: presença de cílios na posição errada;
  • lutas entre animais.

Os sintomas mais frequentes são:

  • inflamação;
  • fotossensibilidade: o animal semi-cerra os olhos aquando da presença de luz intensa;
  • dor intensa;
  • corrimento purulento: pode estar ou não presente.

O diagnóstico das úlceras da córnea é feito através do exame minucioso do olho do animal para detectar possíveis corpos estranhos ou cílios ectópicos. Usa-se, normalmente, um corante chamado fluoresceína para detectar a úlcera, que cora de verde.




Úlcera identificada pelo teste da fluoresceína
As úlceras não complicadas devem começar a cicatrizar em 4-5 dias após o início do tratamento. As que não cicatrizam neste tempo, já devem ser consideradas úlceras complicadas. Em ambos os casos, o tratamento passa pelo uso de colírios e pomadas oftálmicas. Nas mais complicadas, pode mesmo ser necessário uma intervenção cirúrgica.

As úlceras da córnea têm um prognóstico favorável se forem tratadas de imediato. Se aprofundarem e/ou infectarem podem mesmo causar perfuração da córnea e o seu prognóstico será bem mais reservado. Se notar que o seu animal exibe sinais de infecção ocular, leve-o de imediato ao seu veterinário assistente.
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31 de agosto de 2009

Vómito - um sintoma frequente

O vómito é uma das causas mais frequente para idas ao veterinário. Consiste na expulsão forçada do conteúdo gástrico através da boca. Não consideramos o vómito uma patologia propriamente dita, mas sim um sintoma de uma série de patologias mais ou menos graves.



Vómito - um sintoma frequente em cães e gatos
Se o animal vomitar uma única vez, estiver alerta e bem disposto, provavelmente não justificará levá-lo ao veterinário. Isto acontece por exemplo quando comem ervas. No entanto, se o animal vomitar várias vezes e estiver apático e prostado, deverá levá-lo de imediato ao seu veterinário.

As causas de vómito são muito variadas e nem sempre estão relacionadas com o aparelho digestivo. Assim sendo, temos causas:

  • gastro-intestinais;
  • infecciosas: virais e bacterianas;
  • hepáticas;
  • renais;
  • endócrinas;
  • neurológicas, entre outras.

Perante esta variedade de causas, percebe-se a importância de fazer um exame clínico completo, com eventual recurso a exames complemetares de diagnóstico (análises de sangue, radiografia, endoscopia, ecografia, entre outros), para deteminar a causa exacta do vómito e, assim efectuar a terapeutica adequada. Quando a causa é gastro-intestinal, o tratamento passa pela administração de anti-ácidos e anti-vomitivos e introdução de uma dieta gastro-intestinal. Se os vómitos persistirem, o animal deve ser internado e colocado a soro para correcção de eventuais desidratações.

Por fim, o prognóstico varia muito conforme a causa do vómito.
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24 de agosto de 2009

Reacções alérgicas: urticária e angioedema

A urticária e o angioedema (inchaço da face) fazem parte de reacções alérgicas que, tanto cães como gatos, podem ter perante os mais diversos alergenos. Os alergenos mais comuns são plantas, picadas de insectos, detergentes, fármacos e mesmo vacinas.

A urticária caracteriza-se por pequenos altos por todo o corpo do animal, ficando o pêlo levantado nessas zonas. O animal pode ter ou não prurido.

O angioedema caracteriza-se por um inchaço da cabeça do animal, especialmente no focinho e ao redor dos olhos. Quando é muito acentuado, o animal fica com "aparência de Shar Pei" com os olhos semi-cerrados. No angioedema existe normalmente prurido.

Angioedema

Estas reacções alérgicas aparecem, habitualmente, vinte minutos após o contacto com o alergeno. Na maior parte dos casos, são auto-limitantes e não põem em risco a vida do animal. Contudo, existem situações raras em que o angioedema pode dar origem a um inchaço das vias respiratórias do animal, causando-lhe dificuldade respiratória acentuado. Nesses casos, o animal deve ser de imediato levado para o veterinário.

O tratamento das reacções alérgicas consiste na administração de corticosteróides de acção rápida. Por vezes, nos casos menos graves, a administração de anti-histamínicos pode ser suficiente.

As reacções alérgicas são muito difíceis de prever, a menos que saibamos qual o alergeno em causa. Se notar que o seu animal está com uma reacção alérgica, consulte o seu médico veterinário assistente de imediato para que ele possa avaliar a gravidade da situação.
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15 de agosto de 2009

FIV - Vírus da Imunodeficiência Felina

O vírus da imunodeficiência felina, vulgarmente denominado por FIV, é o responsável pelo enfraquecimento do sistema imunitário do gato, tornando-o mais susceptível a contrair outras doenças que, habitualmente, um gato saudável teria mais dificuldade em contrair.

O FIV faz parte da família dos retrovírus, que engloba, entre outros, o vírus da leucose felina (FeLV) e o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Estes vírus são específicos para cada espécie, ou seja, um retrovírus felino só atinge gatos e um retrovírus humano só afecta humanos.

O FIV transmite-se através da dentada com gatos infectados ou de mães para filhos durante a gestação ou a amamentação. Ao contrário do FeLV, o FIV não se transmite por contacto prolongado com gatos infectados, pois aloja-se, essencialmente, a nível da saliva. Assim sendo, os gatos machos inteiros que vão à rua são o grupo de maior risco, pois mais facilmente se envolvem em brigas com outros gatos de rua.

A dentada é uma forma de transmissão do FIV


Os gatos FIV-positivos podem exibir os mais variados sintomas:

  • infecções a nível da boca;
  • doenças respiratórias;
  • doenças oculares;
  • doenças gastro-intestinais;
  • problemas de pele;
  • doenças neurológicas;
  • neoplasias;
  • linfadenopatia (aumento generalizado dos gânglios linfáticos).

Os sintomas são muito variáveis conforme o estado da seropositividade. Determinados animais FIV-positivos podem nao exibir quaisquer sintomas durante anos.

A detecção do FIV é feita através de testes rápidos que detectam anticorpos. Todos os animais com uma origem desconhecida devem ser testados para FIV. Se forem positivos, não deverão ter novamente acesso à rua, pois poderão contaminar outros gatos. Se for um macho inteiro, opte por castrá-lo para que o instinto de dominância e de vadiagem se dissipe e não se envolva em brigas com outros gatos.

Não existe tratamento específico para o FIV, mas sim para todas as doenças concomitantes. Um animal FIV-positivo pode fazer uma vida perfeitamente normal mas o dono deve ter sempre presente que este não deverá ter acesso à rua. Se existem outros gatos no agregado familiar, deve ter noção que o risco de contágio existe, principalmente se forem gatos pouco amigáveis e que briguem.

Não existe, actualmente, nenhuma vacina eficaz para o FIV. Aconselhe-se com o seu médico veterinário se ainda persistirem dúvidas acerca desta doença.
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9 de agosto de 2009

Hipotiroidismo canino

O hipotiroidismo é uma doença relativamente frequente nos cães mas que, raramente, ocorre nos gatos. Quando não existe hormona da tiróide suficiente em circulação no organismo do cão, dizemos que ele sofre de hipotiroidismo. A grande maioria dos casos de hipotiroidismo canino resultam da destruição ou atrofia da própria tiróide.





Localização da tiróide

Aparece habitualmente em cães de meia-idade, sendo mais frequente nos cães de raças médias e grandes. Certas raças como o Golden Retriever, o Retriever Labrador, o Doberman e o Cocker Spaniel parecem ser mais predispostas para desenvolver hipotiroidismo.

Os sintomas mais frequentes são:

  • apatia;
  • perda de pêlo;
  • excesso de peso;
  • hiperpigmentação da pele;
  • bradicárdia;
  • aumento dos níveis de colesterol sanguíneo.

A conjugação destes sintomas levam o veterinário a suspeitar da presença desta patologia e a efectuar o doseamento dos níveis de hormonas da tiróide.

Após a confirmação de hipotiroidismo, há que iniciar o tratamento que consiste na suplementação com hormona da tiróide sintéctica, denominada levotiroxina. Periodicamente, o animal deve efectuar análises para reavaliação da medicação, que será adminstrada durante toda a sua vida. Assim que os níveis da hormona da tiróide estão estabilizados, os sintomas começam a desaparecer.
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2 de agosto de 2009

Otohematomas

Os otohematomas ou hematomas auriculares são pequenas acumulações de sangue e líquido sanguinulento entre a pele e a cartilagem da orelha do animal, formando autênticas bolhas no pavilhão auricular. São um problema bastante frequente nos nossos cães e gatos.

Otohematoma

Normalmente, os donos notam um inchaço repentino na orelha do animal, cheio de liquído e extremamente doloroso ao toque. A dor vai desaparecendo com o passar dos dias, mas se o otohematoma não for tratado continuará a acumular-se líquido e pode mesmo começar a aparecer tecido fibroso na orelha do animal, podendo este desfigurar a sua estrutura normal.

Tanto os cães como os gatos podem desenvolver otohematomas, contudo é mais frequente nos cães. Os animais mais predispostos para otohematomas são todos aqueles que têm problemas crónicos de ouvidos - otites infecciosas, otites a ácaros ou otites de causa alérgica. Estas patologias provocam comichão no ouvido do animal e fazem com que ele se coce e abane a cabeça violentamente, conduzindo facilmente à formação de um hematoma.

Para tratar o otohematoma, o líquido deve ser removido através de uma punção com agulha e seringa. A quantidade de líquido sanguinolento que retiramos é, por vezes, impressionante. Após a remoção do líquido instilamos na zona do otohematoma, um corticosteróide de acção prolongada para evitar a formação de novo hematoma. Podemos também fazer um penso compressivo ligeiro que auxilia no desaparecimento total do hematoma. Se o animal tiver muita comichão é fundamental que use um colar isabelino durante alguns dias, para evitar o auto-traumatismo. Nos casos recidivantes optamos pela cirurgia. Esta consiste em pequenas incisões suturadas ao longo do pavilhão auricular.

A melhor forma de prevenir os otohematomas é evitando o auto-traumatismo do próprio animal. Se notar que ele abana muito a cabeça ou que se coça muito nos ouvidos, não hesite em levá-lo ao seu médico veterinário para que a otite seja logo tratada numa fase inicial e não haja o risco de se formar os hematomas auriculares.
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