11 de outubro de 2010

Será que tem febre?

Muitas vezes os donos dos nossos animais de estimação dizem-nos que eles têm febre ora porque têm os olhos pouco brilhantes, ora porque têm o nariz quente e/ou seco ou molhado, ora porque estão muito parados e os sentem quentes. São muito diversos os motivos que levam os donos a acharem que o animal pode ter febre.


Será que tem febre?



A forma correcta de sabermos se o animal tem febre ou não é através do uso de um termómetro que é colocado no ânus do animal. Todos os outros tipos de medição são empíricos e pouco precisos, podendo facilmente conduzir-nos a erros quanto à sua temperatura corporal.

O termómetro não necessita de ser específico para cães ou gatos - basta utilizar um termómetro de uso humano. Antes do introduzir no ânus deverá lubrificá-lo para que não seja traumático e o animal não se sinta desconfortável com o procedimento. O termómetro deverá estar encostado à parede interior do ânus do animal para que a medição seja precisa. Para tal deve levantar bem a cauda do animal para que o ânus possa ser facilmente observado e o termómetro seja colocado correctamente. A maior parte dos animais mexe-se bastante durante a medição da temperatura corporal, por isso devemos ser rápidos e saber exactamente o que temos que fazer.

A temperatura normal dos nossos animais de companhia é superior à nossa e varia entre os 38ºC e os 39ºC. O stress ou o medo podem facilmente aumentar a temperatura corporal do animal, por isso certifique-se que o animal está tranquilo antes de medi-la. Sendo a temperatura normal mais elevada, isto não significa que o aumento de 1ºC seja pouco importante - 40ºC de temperatura neles é tão grave como em nós humanos.

Actualmente, a maior parte de nós possui termómetros digitais que são rápidos e de fácil leitura. Se por acaso utilizar um termómetro de manual de vidro deve manuseá-lo com cautela para que não se parta com algum movimento mais brusco do animal. Se por acaso isso acontecer, não tente retirar a porção partida do ânus do animal. Deve contactar de imediato o seu médico veterinário assistente para que ele proceda à sua remoção sem perigo para o animal.
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6 de outubro de 2010

Declaração Universal dos Direitos dos Animais



Proclamada pela UNESCO em sessão realizada em Bruxelas em 27 de Janeiro de 1978.

Preâmbulo:

Considerando que todo o animal possui direitos, 
Considerando que o desconhecimento e o desprezo destes direitos têm levado e continuam a levar o homem a cometer crimes contra os animais e contra a natureza, 
Considerando que o reconhecimento pela espécie humana do direito à existência das outras espécies animais constitui o fundamento da coexistência das outras espécies no mundo, 
Considerando que os genocídios são perpetrados pelo homem e há o perigo de continuar a perpetrar outros, 
Considerando que o respeito dos homens pelos animais está ligado ao respeito dos homens pelo seu semelhante, 
Considerando que a educação deve ensinar desde a infância a observar, a compreender, a respeitar e a amar os animais,

PROCLAMA-SE O SEGUINTE:


Artigo 1º

Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.


Artigo 2º

1 - Todo o animal tem o direito a ser respeitado.
2 - O homem, como espécie animal, não pode exterminar os outros animais ou explorá-los violando esse direito; tem o dever de pôr os seus conhecimentos ao serviço dos animais.
3 - Todo o animal tem o direito à atenção, aos cuidados e à protecção do homem.


Artigo 3º

1 - Nenhum animal será submetido nem a maus tratos nem a actos cruéis.
2 - Se for necessário matar um animal, ele deve de ser morto instantaneamente, sem dor e de modo a não provocar-lhe angústia.


Artigo 4º

Todo o animal pertencente a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático e tem o direito de se reproduzir.
1 - Toda a privação de liberdade, mesmo que tenha fins educativos, é contrária a este direito.


Artigo 5º 

Todo o animal pertencente a uma espécie que viva tradicionalmente no meio ambiente do homem tem o direito de viver e de crescer ao ritmo e nas condições de vida e de liberdade que são próprias da sua espécie.
1 - Toda a modificação deste ritmo ou destas condições que forem impostas pelo homem com fins mercantis é contrária a este direito.


Artigo 6º 

Todo o animal que o homem escolheu para seu companheiro tem direito a uma duração de vida conforme a sua longevidade natural.
1 - O abandono de um animal é um acto cruel e degradante.


Artigo 7º 

Todo o animal de trabalho tem direito a uma limitação razoável de duração e de intensidade de trabalho, a uma alimentação reparadora e ao repouso.


Artigo 8º 

A experimentação animal que implique sofrimento físico ou psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer que seja a forma de experimentação.
1 - As técnicas de substituição devem de ser utilizadas e desenvolvidas.


Artigo 9º 

Quando o animal é criado para alimentação, ele deve de ser alimentado, alojado, transportado e morto sem que disso resulte para ele nem ansiedade nem dor.


Artigo 10º 

Nenhum animal deve de ser explorado para divertimento do homem.
1 - As exibições de animais e os espectáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal.


Artigo 11º 

Todo o acto que implique a morte de um animal sem necessidade é um biocídio, isto é um crime contra a vida.


Artigo 12º 

Todo o acto que implique a morte de um grande número de animais selvagens é um genocídio, isto é, um crime contra a espécie.
1 - A poluição e a destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio.


Artigo 13º 

O animal morto deve de ser tratado com respeito.
1 - As cenas de violência de que os animais são vítimas devem de ser interditas no cinema e na televisão, salvo se elas tiverem por fim demonstrar um atentado aos direitos do animal.


Artigo 14º 

Os organismos de protecção e de salvaguarda dos animais devem estar representados a nível governamental.
1 - Os direitos do animal devem ser defendidos pela lei como os direitos do homem.
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4 de outubro de 2010

Eutanásia - a difícil decisão

Durante o nosso dia-a-dia de médicos veterinários somos confrontados com situações muito variadas, umas fáceis outras difíceis, umas marcantes outras nem por isso. 


Patas partidas, alergias à pulga, diarreias devido às gulodices deles, atropelamentos, quedas - todas estas situações entram pela nossa porta e temos que resolvê-las da melhor maneira que sabemos, como nos ensinaram, como fomos aprendendo ao longo da nossa vida profissional. Os donos agradecem-nos a ajuda e voltam dali a uns tempos para uma nova peripécia. E nós lá estaremos novamente para os tratar.


No entanto, a realidade nem sempre é essa. Há momentos em que já não temos como os ajudar, os nossos conhecimentos parece que se esgotaram totalmente, os medicamentos já pouco ou nada fazem e o nosso paciente vai piorando com o passar dos dias. Temos perfeita consciência de que já nada há a fazer e começamos a tentar passar essa consciência ao dono do nosso paciente.


Não é fácil dizer-lhes que já não conseguimos ajudá-los, que o seu animal de companhia está num estado muito grave e que dificilmente o conseguirá ultrapassar. Não é fácil dizer-lhes que ele está em sofrimento quando, ainda assim, vemos um abanar de cauda ou um olhar mais brilhante. Parece sempre que têm uma vontade e uma força para viver inesgotável. Mas nós sabemos que essa força um dia se esgotará e não queremos que o nosso paciente trilhe um caminho de sofrimento e dor profundos para que consiga finalmente descansar. A sua qualidade de vida começa a diminuir de dia para dia - já não reagem quando os chamamos, já não comem, já não se levantam, deixaram de ser para apenas estar. E é nessa altura que temos de pensar somente neles e não na falta que nos vão fazer. 


Ser dono até ao fim é o que compete a cada um que tem um animal de estimação e tomar a decisão de eutanasiá-los é também ser dono. A nós veterinários compete ajudar na tomada de decisão, por forma a torná-la um pouco menos penosa e acima de tudo, compete dar ao nosso paciente um final de vida digno com uma morte sem qualquer tipo de sofrimento. 
Seja dono até ao fim.


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23 de janeiro de 2010

Ração seca ou húmida?

A escolha do tipo de ração a dar ao nosso animal de estimação é uma das questões que mais se coloca nas visitas ao veterinário. Esta escolha é baseada em vários factores, nomeadamente, a idade, a raça e eventuais problemas de saúde que o animal tenha. Independentemente da escolha, a ração deverá ser sempre de boa qualidade, pois isso reflectir-se-à na saúde do seu animal - rações ricas em sal e açúcar deverão ser evitadas.

Comida seca ou húmida?

Nos animais de raça grande recomendamos, habitualmente, ração seca pois estes animais exigem um aporte calórico diário bastante elevado, sendo, consideravelmente, mais dispendioso alimentá-los com comida húmida. A comida seca permite também um armazenamento e conservação mais adequados. 

Nos animais de raça pequena, a comida húmida pode ser uma opção em termos de custo, no entanto, a comida seca acaba por ser uma melhor opção em termos de higiene dentária. A comida seca auxilia na limpeza dos dentes e na prevenção do tártaro, pois o animal no processo de mastigação sofre um certo atrito do próprio granulado. Assim sendo, também quanto maior o granulado, maior o atrito e, consequentemente, menor a formação de tártaro. Isto não significa que não possa fornecer comida húmida ao seu animal - pode fazê-lo mas deverá ter especial atenção à higiene dentária do seu animal.

Os animais com patologias crónicas exigem uma dieta adequada à sua patologia, seja ela húmida ou seca. Nos animais com problemas renais ou urinários, por exemplo, o aporte de água deve ser superior, aconselhando-se neste caso uma dieta húmida, já que esta apresenta cerca de 80% de água, ao contrário da seca que apresenta apenas 10%.

Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre a melhor dieta para o seu animal de estimação.
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14 de janeiro de 2010

Insuficiência cardíaca canina

A insuficiência cardíaca, em cães geriátricos, está habitualmente relacionada com problemas na válvula mitral. Esta válvula situa-se do lado esquerdo do coração e impede o refluxo do sangue do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo.

Insuficiência cardíaca: um problema comum em cães geriátricos

O sangue circula dentro do coração no sentido átrio-ventrículo como se de uma bomba se tratasse. Esta tarefa é em muito facilitada pelas válvulas, que funcionam como cancelas impossibilitando que o sangue circule no sentido contrário (ventrículo-átrio). Quando o animal envelhece, as válvulas começam a ter um comportamento deficiente, principalmente a do lado esquerdo, dando origem a insuficiência cardíaca. O coração começa então a ter que fazer um maior esforço para manter o sentido natural do fluxo sanguíneo e a insuficiência cardíaca surge.

A insuficiência cardíaca relacionada com a válvula mitral é mais frequente nos cães de raça pequena. Os sintomas mais frequentes são:

  1. hipertensão arterial;
  2. tosse devido a edema pulmonar (acumulação de líquido nos pulmões);
  3. intolerância ao exercício;
  4. morte nos casos mais graves e descompensados.

Uma vez surgida, a insuficiência cardíaca não tem cura. O seu tratamento consiste em retardar o processo evolutivo da sobrecarga cardíaca, diminuindo ou mesmo eliminando os sintomas exibidos pelo cão e, consequentemente, melhorar a sua qualidade de vida. A medicação consiste em fármacos que melhoram o funcionamento do músculo cardíaco e diuréticos, quando a acumulação de líquido no corpo do animal é considerável. O dono deverá limitar o exercício físico intenso, pois a excitação poderá desencadear o aparecimento de sintomas, nomeadamente tosse. O uso de dietas pobres em sal é também aconselhável.Se o animal tiver excesso de peso deverá iniciar imediatamente um regime hipocalório de emagrecimento.

Na insuficiência cardíaca, o diagnóstico precoce é essencial para prevenir uma evolução demasiado rápida da doença. Uma vez detectada a insuficiência cardíaca, o animal deverá ser medicado conforme a gravidade da doença. Aconselhe-se com o seu médico veterinário e não se esqueça do check-up semestral do seu cão geriátrico.
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4 de janeiro de 2010

Síndrome do braquicéfalo

Os cães e gatos braquicéfalos caracterizam-se por terem o focinho "metido para dentro". Os ossos da face e do nariz são mais curtos, fazendo com que a anatomia dos tecidos subjacentes se altere. As narinas são muitas vezes mais estreitas e o palato é, normalmente, mais longo. Todas estas alterações estruturais fazem com que o animal tenha maior dificuldade a respirar e, consequentemente, faça um maior esforço respiratório. Este esforço sucessivo pode deixar sequelas com o passar do tempo, nomeadamente a nível cardíaco, com insuficiência cardíaca direita.

Algumas raças braquicéfalas incluem Bulldog, Boxer, Pug e Shitzu nos cães e Persa e Himalaia nos gatos.

Bulldog Inglês - raça tipicamente braquicéfala

Os sintomas mais frequentes neste síndrome são:

  • respiração pesada e sonora;
  • intolerância ao exercício;
  • ronco;
  • engasgo e tosse;
  • cianose (tons azulados nas mucosas);
  • colapso nos casos mais graves.

Além destes sintomas, estes animais são também mais susceptíveis a:

  • golpes de calor;
  • posições ortopneicas: por forma a respirar melhor, o animal estica o pescoço e abre os membros anteriores;
  • doença periodontal;
  • problemas oculares;
  • dermatite das pregas de pele do focinho.

Quando as alterações anatómicas destes animais são muito acentuadas e detectadas precocemente (em cachorros ou gatinhos) podemos optar por atenuá-las cirurgicamente.

Devido à sua configuração, as raças braquicéfalas são mais sensíveis à anestesia e devem ser monitorizadas com especial atenção. Se tem um animal braquicéfalo em casa, aconselhe-se com o seu veterinarário acerca dos cuidados que deve ter.
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23 de dezembro de 2009

Boas Festas em segurança

Durante a época festiva tenha especial atenção com as decorações festivas e com a localização da comida. Por vezes, estamos tão atarefados com a preparação da época festiva, que nos esquecemos que os nossos animais poderão ter acesso a objectos e comida perigosos para eles. Assim sendo, deixo aqui várias dicas que poderão evitar desastres maiores em sua casa:

  • coloque sempre a comida num local de difícil acesso ao seu animal, tendo especial atenção com os chocolates, bem como, com os ossos e espinhas dos restos de comida que sobra;
  • deve ter especial cuidado com os ornamentos natalícios que podem ser "brinquedos" especialmente atraentes para os seus animais - bolas, fitas, presépios e velas acesas podem ser potencialmente perigosos;
  • plantas muito coloridas podem ser tóxicas para o seu animal - coloque-as sempre num local de difícil acesso ao seu animal;
  • evite decorar a árvore de natal com doces, pois os seus animais poderão facilmente roubá-los;
  • evite colocar os presentes debaixo da árvore de natal - o seu animal pode considerá-los atraentes e roe-los ou mesmo comê-los.


    Urinar para a árvore de Natal - um problema frequente nesta época

    Passe uma boa quadra festiva, em segurança, na companhia dos seus animais de companhia. Boas Festas!
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    16 de dezembro de 2009

    Megaesófago

    O megaesófago é uma doença que se caracteriza por uma diminuição ou mesmo ausência de motilidade (movimento que conduz os alimentos da boca para o estômago) a nível do esófago. Com a diminuição da motilidade, os alimentos têm dificuldade em chegar ao estômago e o animal vai regurgitá-los. À medida que essa diminuição da motilidade se torna persistente, o esófago terá tendência a dilatar, não recuperando o seu diâmetro normal, originando o chamado megaesófago.



    Comparação entre o diâmetro do esófago normal e do megaesófago
    O megaesófago pode ser congénito ou adquirido, manifestando-se em qualquer idade da vida do animal. O megaesófago adquirido pode ser primário ou secundário a outras patologias que devem ser descartadas para um melhor tratamento da doença. Pode ocorrer tanto em cães como em gatos, sendo mais frequente em cães.

    Os animais com megaesófago têm dificuldade em manter um aporte nutricional apropriado devido à dificuldade de conduzirem os alimentos ao estômago.

    Os sintomas mais frequentes desta patologia são:

    • regurgitação;
    • febre;
    • tosse;
    • corrimento nasal;
    • dificuldade em deglutir;
    • mau hálito muito acentuado;
    • perda de peso;
    • pneumonia por aspiração nos casos mais graves.

    O tratamento do megaesófago consiste na identificação da causa subjacente à doença, na diminuição da frequência da regurgitação, fornecer o aporte nutricional adequado e evitar possíveis complicações como por exemplo a pneumonia por aspiração.

    A alimentação é de extrema importância no melhoramento do estado de saúde do animal. Eis algumas indicações para melhorar a sua alimentação:

    • deve alimentá-lo num patamar mais elevado e dançar com ele no final de cada refeição, para que os alimentos cheguem mais facilmente ao estômago por efeito da gravidade;
    • a dieta deve ser hipercalórica e administrada várias vezes ao dia em pequenas porções;
    • a consistência do alimento varia conforme o paciente - alguns toleram melhor uma dieta líquida, outros toleram melhor uma dieta mais consistente.

    Podemos também utilizar fármacos que aceleram a motilidade gastro-intestinal, contudo, estes fármacos funcionam melhor quando a distensão do esófago não é acentuada.

    O megaesófago é uma doença que exige grande dedicação e atenção por parte do dono. Só assim, o animal poderá melhorar a sua condição. Informe-se com o seu veterinário sobre esta patologia.
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    8 de dezembro de 2009

    Síndrome de dilatação-torção gástrica em cães

    O síndrome de dilatação-torção gástrica é uma urgência veterinária, extremamente grave, que põe em risco a vida do animal e que deve ser imediatamente assistida por um médico veterinário, assim que for detectada pelo dono. O animal pode morrer ao fim de poucas horas devido à dilatação-torsão gástrica; cerca de 25-30% dos pacientes acabam por morrer, mesmo com tratamento adequado.

    Este síndrome caracteriza-se por uma primeira parte de dilatação e uma segunda parte de torção do estômago. Na dilatação, o estômago enche-se de ar e começa a fazer pressão noutros orgãos da cavidade abdominal e no diafragma, fazendo com que o animal vá tendo, progressivamente, maior dificuldade a respirar. Estando dilatado, o estômago pode facilmente girar em torno do seu próprio eixo (torção), conduzindo, progressivamente, a uma diminuição no seu aporte sanguíneo. O tecido gástrico começa a morrer (necrose) e os outros orgãos vitais começam a falhar - nesta fase o estado do animal deteora-se muito rapidamente.






    O estômago dilata e acaba por torcer

    Nem todos o cães que sofrem dilatação gástrica desenvolvem torção. Contudo, todos o que fazem torção gástrica tiveram anteriormente dilatação.

    Existe, nitidamente, uma predisposição genética neste síndrome - as raças grandes e gigantes são as mais afectadas por esta doença. Dentro destas raças, os animais de peito mais profundo e estreito são mais predispostos. Pode ocorrer em qualquer idade, contudo é mais frequente em animais acima dos 7 anos de idade. Os cães que comem uma única vez ao dia têm o dobro da probabilidade de desenvolver dilatação-torção gástrica do que os cães que fazem várias refeições diárias.

    Os sintomas mais frequentes são:

    • dilatação e dor abdominal;
    • tentativa de vómito;
    • dificuldade respiratória;
    • estado de choque, nos casos mais graves.

    O tratamento da dilatação-torção gástrica passa pela estabilização do estado clínico do animal e posterior cirurgia. A cirurgia consiste na verificação do estado do estômago e dos outros orgãos abdominais, nomeadamente o baço, que também pode estar torcido nestas situações, na reposição do estômago à sua posição normal e na sutura do estômago à parede abdominal (gastropéxia) para evitar futuras recidivas. O pós-operatório exige uma monitorização constante do paciente para detectar possíveis complicações, nomeadamente, arritmias, ulcerações gástricas e lesões a nível de outros orgãos vitais.

    A prevenção da dilatação-torção gástrica passa por:

    • alimentar o animal várias vezes ao dia;
    • controlar a ingestão de água após a refeição se o animal for muito sôfrego a beber;
    • evitar o exercício físico intenso ou situações de stress antes e após a refeição;
    • estar atento aos sinais clínicos do animal após as refeições, principalmente se o animal for de uma raça predisposta.

    O síndrome de dilatação-torção gástrica é uma condição muito grave, que deve ser detectada precocemente pelo dono do cão. Aconselhe-se com o seu veterinário acerca desta patologia.
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    1 de dezembro de 2009

    Será que os gatos caem sempre de pé?

    Frequentemente dizemos que todos os gatos caem de pé. Contudo, isso nem sempre acontece. Quando os gatos caem de uma altura relativamente baixa, frequentemente conseguem girar no ar e aterrar de pé. No entanto, quando a altura é superior a cerca de dois andares, os gatos podem sofrer lesões muitos graves, que podem mesmo ser fatais.

    A facilidade com que o gato gira no ar e cai de pé deve-se às características anatómicas do seu esqueleto. Os gatos apresentam clavículas muito rudimentares que não se unem a nenhum dos outros ossos do seu esqueleto, sendo apenas suportadas pela massa muscular dos seus ombros. Isto faz com que, facilmente, as suas patas dianteiras tenham uma rotação fora do vulgar e o seu corpo possa facilmente adaptar-se a novas posições. Assim, durante uma queda, as patas são a primeira estrutura a tocar no solo, absorvendo o impacto da colisão.





    Os gatos nem sempre caem de pé
    Se o gato cair de uma altura superior a dois andares, pode conseguir girar no ar para adquirir um bom posicionamento para a queda, no entanto as patas não conseguirão absorver todo o impacto da colisão. Nestas situações, é frequente surgirem traumatismos a nível torácico e/ou abdominal, bem como fracturas ósseas a nível dos membros e/ou crânio.

    Independentemente da altura em que o gato vive, mantenha sempre a janelas fechadas, por forma a impedir a sua saída. Mesmo quedas de alturas mais baixas podem provocar lesões muito graves ou mesmo fatais - por vezes encontram obtáculos pelo caminho, que os impedem de girar no ar e cair de pé, nomeadamente estendais da roupa.  Nunca esqueça que o gato não vai aprender com a queda - se vir a janela aberta uma segunda vez pode voltar a atirar-se. Mais vale prevenir...
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