6 de novembro de 2011

Cauda - uma forma de expressão

A cauda é uma importante parte dos nossos animais que revela muito da sua atitude perante o que os rodeia. Compreender os sinais que ela nos transmite, pode ser uma ferramenta muito eficaz para compreendermos o nosso próprio animal de estimação.

Os antepassados dos nossos animais movimentavam-se frequentemente em grandes grupos e era necessário que comunicassem entre si de uma forma eficaz. Para isso serviam-se de vocalizações intensas e de posições corporais variadas, nas quais a cauda desempenha um papel preponderante. No entanto, cães e gatos são muito diferentes na sua forma de se expressar e há que os distinguir para melhor os compreender.

Quantas vezes não vemos os nossos cães abanar a cauda como sinal de contentamento? No entanto, um gato a abanar a cauda de uma forma muito efusiva já não tem o mesmo significado. Em qualquer dos casos, além da cauda devemos ter atenção a todo o animal - olhos, orelhas, posição da cabeça e patas são elementos que devemos ter em conta quando tentamos compreender o que os nossos animais nos querem transmitir.

Um cão amigável abana toda a cauda de uma forma muito rápida, festiva e por vezes muito barulhenta, estando ela toda levantada. Já um cão dominante ou agressivo terá a cauda levantada mas, normalmente, não a abana. Nalguns casos, os cães dominantes ou agressivos podem abaná-la mas apenas na sua extremidade. Um cão medroso e/ou submisso apresenta a cauda mais baixa ou mesmo entre os membros posteriores, podendo abaná-la de uma forma muito súbtil.

Nos gatos, sempre que a cauda abana com força ou está eriçada, significa que estão realmente zangados e podem mesmo atacar. Por sua vez, quando a cauda está curva com a ponta a abanar suavemente, o gato está tranquilo e totalmente relaxado. Quando a cauda está erecta, o gato mostra interesse no que se passa à sua volta.

A cauda é um dos meios de comunicação mais importante dos nossos animais. Saber interpretar os seus sinais nem sempre é fácil mas permite-nos conhece-los ainda melhor.

A cauda pode-nos transmitir muita informação acerca do temperamento do animal
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30 de outubro de 2011

Halitose - nem sempre o problema está nos dentes!

O termo halitose designa o mau odor proveniente da boca do animal e é uma queixa frequente entre os donos dos nossos animais. Frequentemente é causada por problemas dentários.

Halitose

Os restos de comida, juntamente com a saliva e as bactérias presentes na boca formam o tártaro que causa este mau hálito. Se a quantidade de tártaro for elevada, o animal poderá desenvolver gengivite ou doença periodontal grave com um aumento acentuado da halitose. Para prevenir este tipo de halitose é fundamental efectuar uma limpeza regular da boca do seu animal. Hoje em dia, além das pastas de dentes com as habituais dedeiras para escovagem, temos também snacks ou mesmo pós que se adicionam à ração do animal e permitem manter a sua boca limpa ou com menor carga bacteriana. Pode consultar mais dicas de higiene oral no artigo já publicado no nosso blog.

Contudo, nem sempre a origem da halitose é o tártaro. Existem problemas sistémicos ou não que podem também causar um mau odor. Entre eles temos:

  • doenças renais;
  • diabetes mellitus;
  • dermatites das pregas labiais;
  • ingestão de fezes (coprofagia) ou de comida estragada;
  • doenças gastro-intestinais de causas variadas;
  • doenças respiratórias;
  • outros problemas na cavidade bucal (tumores, corpos estranhos, entre outros).

Se o seu animal apresenta halitose é fundamental que seja observado pelo seu médico veterinário para determinar a sua causa. Não podemos esquecer que outros problemas graves podem dar origem a este sintoma e nem sempre o problema está nos dentes!
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26 de outubro de 2011

Incontinência urinária

A incontinência urinária consiste na perda involuntária de urina quando o animal se encontra em repouso ou a dormir. É frequente os animais lamberem constantemente a região genital aquando deste facto. 
O animal urina de forma involuntária
De uma forma muito simples, podemos dizer que a urina é retida na bexiga de um animal saudável através de um conjunto de músculos situados na base da bexiga, que funcionam como uma válvula e que o animal controla conscientemente. Certas hormonas sexuais afectam a eficácia desses músculos (estrogénios nas fêmeas e testosterona nos machos). Consequentemente, qualquer alteração a nível dessas hormonas pode afectar a capacidade do animal controlar a sua retenção de urina. À medida que o animal envelhece, naturalmente, os níveis dessas hormonas diminuem. O mesmo acontece se o animal estiver esterilizado (procedimento em que retiramos os orgãos responsáveis pela produção dessas hormonas). Outras causas de incontinência podem ser problemas prostáticos ou traumatismos que afectem os nervos que enervam a bexiga. A incontinência de origem hormonal é mais frequente nas fêmeas.

Frequentemente, os animais que sofrem de incontinência urinária têm mais tendência para infecções urinárias, uma vez que o esfíncter vesical está mais relaxado e as bactérias entram mais facilmente. Outra das complicações possíveis é a dermatite de contacto causada pela presença de urina no corpo do animal. É fundamental manter uma higiene constante da pele do animal, pois facilmente ficará sujo com urina e, consequentemente, a pele ficará inflamada. O uso de resguardos é uma boa solução nos animais incontinentes.

Quanto ao tratamento, podemos usar vários fármacos hormonais ou não-hormonais. Habitualmente estes fármacos devem ser utilizados durante toda a vida do animal. Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre a melhor solução para a incontinência do seu animal de estimação. A incontinência pode ser tratada!
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16 de outubro de 2011

Hérnias discais

A coluna dos animais é formada por vértebras que se unem entre si através de discos flexíveis cartilagíneos. Estes discos intervertebrais fornecem a flexibilidade indispensável à coluna vertebral dos animais. Acima destes discos situa-se a medula, constituída por fibras nervosas que transportam informação do cérebro ao resto do corpo e vice-versa. 

À medida que o animal envelhece, os discos intervertebrais vão ficando, progressivamente, mais fracos, podendo mesmo roturar ou herniar, fazendo pressão a nível do canal medular, impedindo a normal transmissão nervosa ao longa da medula.  Este tipo de hérnias crónicas ocorrem progressivamente e estão associadas ao factor envelhecimento. Existem também raças mais predispostas a terem este tipo de problemas - teckel, basset hound, caniche, beagle, cocker spaniel, pequinês, entre outras. No entanto, podemos também ter processos de herniação aguda. São exemplo disso os traumas medulares aquando de traumatismos graves (quedas, atropelamentos, etc). 


Em qualquer um dos casos, agudo ou crónico, os sintomas podem ser diversos:

  • dor intensa;
  • fraqueza muscular;
  • perda de sensibilidade nos membros;
  • incapacidade para urinar e/ou defecar;
  • paralisia parcial ou total.
A gravidade de todos estes sintomas está também relacionada com a localização da lesão. 

Para diagnosticar este tipo de lesões recorremos ao exame neurológico do nosso paciente, bem como a meios complementares de diagnóstico. Existem lesões que facilmente se vêem numa radiografia simples. Outras, contudo, só são possíveis de diagnosticar com recurso a mielografia (radiografia com contraste), TAC (tomografia) ou RM (ressonância magnética).

Sejam lesões mais ou menos graves, a rapidez no diagnóstico e tratamento é fundamental para uma melhor recuperação do paciente. Nos casos menos graves, o tratamento consiste na administração de analgésicos e anti-inflamatórios mais ou menos potentes, dependendo da gravidade dos sintomas. O repouso absoluto é fundamental na sua recuperação - não devemos deixar o animal pular, correr ou fazer movimentos mais bruscos durante um período mais ou menos longo a estipular pelo seu médico veterinário. Muitas vezes temos que os confinar a um espaço muito mais reduzido da casa para que esse repouso seja possível. Nos casos mais graves, a cirurgia é uma das opções. Mais uma vez, quanto mais rápida for efectuada melhor o prognóstico do animal. Também nestes casos o repouso pós-operatório durante largas semanas ou mesmo meses é fundamental. A todos estes tratamentos, podemos também adicionar sessões de fisioterapia e/ou acupuntura. 

O prognóstico das hérnias discais é tanto melhor quanto maior a sensibilidade do animal. Nos casos em que o animal está paralisado e não consegue sentir dor profunda, o prognóstico é bem mais reservado.
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15 de outubro de 2011

Seguro de saúde para o seu animal de companhia

Já pensou em ter um seguro de saúde para o seu animal de estimação? Um seguro que cubra parcial ou totalmente as despesas de saúde do seu animal de estimação?

Os nossos animais merecem os melhores cuidados de saúde
Quando adquirimos um novo animal ponderamos que despesas iremos ter com ele em termos de alimentação, idas ao veterinário para consultas de rotina, vacinações e desparasitações. Além disso, todos sabemos que os custos com o veterinário podem ser um entrave para termos um ou mais animais.

E como, por vezes, os imprevistos acontecem e o nosso animal pode adoecer e passar a ter um peso maior no nosso orçamento familiar. Para que consiga proporcionar ao seu animal melhores cuidados de saúde e de uma forma mais tranquila, pense em fazer-lhe um seguro de saúde que cubra pelo menos parte de todos estes custos.

Hoje em dia, existem inúmeras possibilidades para seguros de saúde animal, adaptadas às possibilidades de cada dono. Consulte seguradoras ou empresas especializadas nesse assunto e pense no melhor para o seu melhor amigo. A saúde dele é da nossa responsabilidade como donos e devemos sempre proporcionar-lhe os melhores cuidados sem que isso represente um desequilíbrio drástico no nosso orçamento.
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17 de abril de 2011

Parasitas intestinais - desparasitação interna

Todos os animais de estimação devem ser desparasitados ao longo de toda a sua vida. Os parasitas intestinais facilmente vivem dentro do organismo do nosso cão ou do nosso gato, podendo provocar problemas mais ou menos graves, dependendo do tipo de parasita e do grau de infestação. O tipo de desparasitante deve ser aconselhado pelo seu médico veterinário assistente, em função do peso do animal e do seu estado de saúde.

Parasitas Intestinais

Habitualmente começamos por desparasitá-los por volta das 3 semanas de idade, tanto cachorros como gatinhos. Os animais mais jovens facilmente vêm parasitados e, por este motivo, é fundamental desparasitá-los segundo o esquema de desparasitação fornecido pelo seu veterinário assistente. Normalmente desparasitamos de 15 em 15 dias durante os dois primeiros meses de vida, seguindo-se uma desparasitação mensal até aos 6 meses de idade.

A partir dos 6 meses de idade a desparasitação deve ser efectuada uma, duas ou três vezes por ano, dependendo do ambiente onde o animal se encontra.

As fêmeas gestantes devem ser desparasitadas a partir do 1º mês de gestação. Após o parto, as fêmeas devem ser desparasitadas na mesma altura que as crias.

Todos os animais adquiridos recentemente devem ser de imediato desparasitados, sejam adoptados ou comprados, bebés, adultos ou geriátricos. Se houver mais animais na casa, estes também devem ser desparasitados para evitar contágios.

As desparasitações internas são tão importantes como as externas (prevenção de pulgas ou carraças) e devem ser realizadas periodicamente durante toda a vida do animal.
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29 de novembro de 2010

Como dar banho ao seu gato?

Os gatos habitualmente fazem a sua higiene pessoal, lavando-se diariamente (grooming). No entanto, nem todos os gatos têm este hábito, alguns por serem muito gordos, outros porque simplesmente nunca tiveram este tipo de comportamento. 

Dar banho a um gato, nem sempre é uma tarefa fácil. Muitos gatos detestam ser molhados ou mesmo ser manipulados, por forma a ser possível dar-lhes banho.  Em primeiro lugar, deve perceber se o seu gato gosta do contacto com a água ou não. Para isso, experimente deixá-lo entrar no seu wc enquanto toma banho. Tente aperceber-se se ele mostra algum tipo de iniciativa para brincar com a água do seu duche ou se, pelo contrário, foge de imediato. Se o seu comportamento for de fuga, provavelmente dar-lhe banho não será das melhores ideias. Se ele mostrar algum interesse na água, então podemos ter alguma esperança de que o banho corra bem. 

Antes do banho deve escová-lo, principalmente se o seu pêlo for longo ou semi-longo. Se ele tiver o pêlo embaraçado ou com nós, será muito mais difícil escová-lo depois do banho, pois os nós, depois de molhados, aderem mais à pele do animal. Opte também por lhe cortar as unhas antes do banho - se esta tarefa não correr bem, é preferível deixar o banho para outro dia e deixá-lo acalmar. 

Feito isto, podemos preparar o banho para o nosso gato. Devemos colocá-lo numa banheira com água morna e evitar usar o chuveiro. A cabeça deve ser sempre a última parte do corpo a lavar. Tenha sempre pronta uma toalha para o secar de imediato - não esqueça que quanto mais rápido for o banho, menos stress causamos ao gato. Depois de bem seco com a toalha, escove-o de novo para desembaraçar o pêlo e, se o gato tolerar, pode tentar secá-lo com um secador de cabelo não muito quente. É fundamental usar um champô adequado para o seu gato - não use nunca champô de cão ou de humano!

Se a experiência do banho for traumatizante para si e para o seu gato, é preferível usar um champô seco ou uma toalha humedecida para remover a maior sujidade. Não esqueça que o gato é um animal que, na maioria dos casos, não gosta de ser muito agarrado, muito menos se tiver de ser molhado - o banho terá de ser simples e rápido. Boa sorte!

Como dar banho ao seu gato?

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22 de novembro de 2010

Síndrome de Cushing ou hiperadrenocorticismo

O síndrome de Cushing ou hiperadrenocorticismo resulta de um excesso de produção de glucocorticóides (nomeadamente cortisol), hormonas necessárias para o normal funcionamento do organismo do animal. Numa situação normal, a hipófise (glândula localizada no cérebro) produz a hormona ACTH que vai actuar nas glândulas adrenais que, por sua vez produzem, os glucocorticóides. Se existir alguma anomalia na hipófise ou nas glândulas adrenais, produz-se um excesso de glucocorticóides, dando origem ao síndrome de Cushing.

Este síndrome pode ocorrer tanto em cães como em gatos, no entanto é muito mais frequente em cães. Atinge normalmente cães a partir dos seis anos de idade.

Os sintomas do Cushing são muito variados e, na maior parte dos casos, o animal apresenta apenas alguns dos sintomas. Entre eles temos:

  • polidipsia/poliúria: o animal aumenta o seu consumo de água e, consequentemente, urina mais frequentemente. Esse aumento no consumo de água significa beber cerca de 100ml/kg/dia, ou seja num animal com cerca de 25kg, beber 2,5l de água por dia é sinal de polidipsia. É muito importante que o dono consiga quantificar a quantidade de água ingerida ao longo das 24h, para o veterinário poder avaliar se se trata realmente de um consumo exagerado;
  • abdómen pendular: os animais ficam "barrigudos". A gordura transfere-se para a zona abdominal e há uma fraqueza muscular nítida da parede abdominal, que confere a forma pendular aos animais com síndrome de Cushing;
  • alopécia simétrica: o animal começa a perder pêlo, habitualmente de uma forma simétrica. Nos estados mais avançados, os animais podem mesmo só ter pêlo na cabeça, ficando totalmente "carecas" no resto do corpo;
  • polifagia: aumento do apetite.
  • diminuição da espessura da pele: os animais com Cushing apresentam a pele mais fina que o habitual, estando assim mais sujeitos a traumas cutâneos.

Polidipsia é um dos sintomas no síndrome de Cushing


No síndrome de Cushing os sintomas podem ser tão ténues no início, que só se diagnostica quando a doença já está num estado mais ou menos avançado. Em termos de análises de sangue, os animais podem apresentam aumento dos parâmetros hepáticas (ALT e ALKP), aumento do hematócrito, e aumento do colesterol. Este último ocorre na grande maioria dos pacientes cushingóides. Perante estas alterações, o médico veterinário realizará então exames mais específicos que permitam diagnosticar a doença. Existem vários testes que permitem diagnosticar o Cushing. Entre eles destaco a estimulação com a hormona ACTH. Este teste permite avaliar se os níveis de glucocorticóides estão anormalmente elevados após um estímulo artificial com a hormona que habitualmente actua nas glândulas hormonais e, assim, diagnosticar o Cushing. No entanto, não permite avaliar se o problema se encontra na hipófise ou nas glândulas adrenais. Isto só é possível realizando outros testes ao animal.

Seja qual for a origem do Cushing, o objectivo do tratamento consiste em diminuir os níveis de glucocorticóides presentes em circulação. O tratamento mais usado consiste no uso de fármacos orais que o animal deve tomar regularmente sob orientação do seu médico veterinário. Existem vários fármacos que permitem tratar o Cushing, entre eles destaco o mitotano, o cetoconazol e o trilostano. Este último é o mais recente e, apesar de mais dispendioso, parece ser o que apresenta menos efeitos secundários para os animais. Nalguns casos, a cirurgia pode ser uma opção, principalmente se o problema se localizar a nível das glândulas adrenais.

Um animal com Cushing tem de ser monitorizado regularmente, principalmente, no início do tratamento até estabelecermos a dose de fármaco eficaz para o seu caso. A administração dos fármacos tem de ser feita de forma rigorosa para não esquecer nenhuma toma. A sua medicação é  normalmente para o resto da vida do animal, podendo haver reajustes na dose administrada. É uma doença complexa que exige muita monitorização por parte dos donos e do médico veterinário assistente. Não hesite em consultar o seu médico veterinário se o seu animal de estimação apresentar algum dos sintomas atrás mencionados.
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16 de novembro de 2010

Como cuidar de um orfão recém-nascido

Os animais recém-nascidos exigem cuidados especiais que, numa situação normal, a sua mãe se encarregaria de providenciar. Contudo, quando a mãe não está presente ou não é capaz de tomar conta dos seus filhos recém-nascidos, somos nós donos que temos de garantir que estes orfãos recebem os cuidados necessários. 

Tratar de um orfão recém-nascido não se resume única e exclusivamente a alimentá-lo. Temos que nos preocupar também com a sua higiene, com a temperatura do ambiente em que está inserido, bem como com a sua sociabilização e a sua desparasitação interna e externa. Não é, de modo algum, um trabalho fácil e torna-se mais difícil quanto mais novo é o animal e ainda mais difícil se ele estiver doente.

O orfão exige cuidados especiais


A nutrição adequada do recém-nascido é fundamental para o seu desenvolvimento. Idealmente, o recém-nascido deverá ingerir o colostro materno nas primeiras 24h de vida, para que possa adquirir alguns dos anticorpos necessários ao seu sistema imunitário ainda muito débil. Contudo, não sendo isso possível nos orfãos, devemos ter ainda mais cuidado com o seu estado nutricional. Hoje em dia, existem no mercado inúmeras marcas de leite de substituição para cachorros e gatinhos, que têm todos os nutrientes adequados ao seu desenvolvimento. Não devemos substituir esse leite por leite de vaca ou de cabra, pois não são equilibrados em termos nutricionais para os nossos animais. Devemos administrá-lo através de um biberão e certificarmo-nos de que o animal tem o reflexo de sucção para evitar as pneumonias por aspiração. Não devemos forçar a alimentação de biberão - se o animal não quiser comer consulte o seu médico veterinário assistente para que ele o possa ajudar na sua alimentação, evitando assim as aspirações indevidas. Se for difícil encontrar no mercado o leite de substituição poderá optar por uma receita caseira que consiste em:
  • 1 copo de leite inteiro (de vaca ou cabra);
  • 1 pitada de sal;
  • 1 colher de sopa de óleo de milho;
  • 3 gemas de ovos (não coloque a clara);
  • 1/4 colher de sopa de complexo vitamínico líquido.
Apesar desta receita ser uma boa alternativa para os bebés, deverá sempre tentar encontrar o leite de substituição de mercado, pois a sua qualidade é francamente superior.
Nos primeiros 2-3 dias o animal deverá ser alimentado de 2 em 2 horas de dia e de noite. Na restante 1ª semana de vida devemos alimentá-lo a cada 3 horas durante o dia e a cada 4 horas durante a noite. Na 2ª semana de vida devemos alimentá-lo a cada 4 horas durante o dia e a cada 6 horas durante a noite. A partir da 3ª semana de vida já começamos a misturar ração triturada de cachorro ou gatinho no próprio biberão e já podemos ter recipientes com a mesma ração amolecida em água morna para o animal ir comendo ao longo do dia. A alimentação da noite pode mesmo ser eliminada. O biberão vai começando a ser retirado à medida que o animal começa a comer por ele a ração - normalmente a partir da 5ª ou da 6ª semana o animal já não precisará de biberão. 
Durante todo o processo de alimentação assistida, devemos estar atentos ao aparecimento de cólicas no animal - se a qualidade do leite for fraca o animal poderá ter mais cólicas ou mesmo dificuldade em defecar. 

Outro aspecto importante é o peso do animal - é fundamental pesá-lo periodicamente. No início devemos pesá-lo de 3 em 3 dias e a partir da 2ª semana já podemos começar a pesá-lo uma vez por semana. O nosso bebé deverá aumentar de peso progressivamente e nunca perder, excepto nas primeiras 48h de vida que perde sempre algumas gramas. Se notarmos que ele não cresce, devemos aumentar o número de refeições administradas e a quantidade de leite administrado. Normalmente, as próprias embalagens do leite de substituição trazem as quantidades de leite a administrar conforme a idade e o peso do animal. Se mesmo depois de aumentar a quantidade de leite administrado o animal não ganhar peso, devemos então consultar o médico veterinário assistente, pois algo de errado se passará com ele.

Quanto à sua higiene, devemos ter sempre o cuidado de estimulá-lo antes e depois de cada refeição para urinar ou defecar. Isso faz-se de forma muito simples massajando com uma toalha toda a zona do ânus e do pénis ou vagina do animal. Numa situação normal, a própria mãe lava-os estimulando assim a micção e defecação. Isto deve ser feito no máximo até à 3ª semana de idade, altura em que o animal já conseguirá urinar e defecar sozinho. Nunca devemos saltar este procedimento em nenhuma das refeições.

Em relação à temperatura ambiente, é fundamental manter o recém-nascido num compartimento aquecido. Não nos podemos esquecer que, sendo animais tão pequenos, facilmente entram em hipotermia. Na maior parte das vezes, nos primeiros dias de vida, necessitamos mesmo de usar um saco ou botija de água quente por baixo da cama do animal, para que este mantenha uma temperatura corporal adequada.

Quanto à desparasitação interna (vermes intestinais), devemos começar por fazê-la a partir da 3ª semana de idade e repeti-la passados 15 dias. A partir daí deveremos fazê-la uma vez por mês até aos 6 meses de idade, a menos que o animal esteja muito parasitado internamente. Nesse caso deveremos aumentar a frequência das desparasitações. Assim que ele tiver cerca de 6 a 8 semanas leve-o à consulta para que seja examinado, desparasitado novamente contra vermes intestinais e vacinado e desparasitado externamente pela primeira vez. Se por acaso o animal tiver muito parasitado externamente (pulgas e carraças) consulte o seu veterinário e aconselhe-se com o produto a usar nestas idades. É fundamental, que nesta primeira fase da sua vida, siga correctamente todas as datas e prazos que o seu médico veterinário estabelecer para desparasitações e vacinações.

À medida que o animal cresce, devemos habituá-lo a todo o tipo de pessoas, objectos e ambiente. Deve ser manipulado por forma a habituar-se a ser manuseado - limpar orelhas, cortar unhas, abrir a boca são algumas das tarefas que devemos fazer desde muito cedo, para que o animal não estranhe mais tarde nenhuma destas manipulações. O contacto com outros animais também é importante, no entanto não poderá levá-lo à rua pública antes de completar todo o esquema vacinal da primovacinação. Se tiver outro animal em casa, este pode perfeitamente conviver com o novo elemento da família desde que esteja vacinado e desparasitado.

Por último, mas não menos importante, devemos respeitar ao máximo as horas de sono do nosso novo animal. Não nos podemos esquecer que é um bebé e necessitará de muitas horas de sono como qualquer outro bebé. Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre o seu orfão e vai ver que será uma excelente "mãe" ou "pai". Boa sorte!
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15 de novembro de 2010

IBD - doença inflamatória intestinal

A IBD (Intestinal Bowel Disease) ou doença inflamatória intestinal caracteriza-se por uma infiltração crónica de células inflamatórias na parede do intestino e do estômago. Essa infiltração, a médio-longo prazo, causa uma alteração no tecido normal da parede desses orgãos, substituindo-o por tecido fibroso ou cicatricial. Pode ocorrer tanto em cães como em gatos.

A IBD pode atingir cães e gatos


As causas da IBD podem ser variadas. Acredita-se que haja uma predisposição genética de cada animal individualmente. Contudo, outros factores como a nutrição, determinados agentes infecciosos e alterações no próprio sistema imunitário do animal podem favorecer o aparecimento da IBD. 

Os sintomas mais frequentes de IBD são:

  • vómitos: mais frequentes quando o estômago e a parte inicial do intestino delgado estão mais afectados;
  • diarreia que pode ter sangue e/ou muco: mais frequente quando existe um envolvimento do cólon (intestino grosso)
  • perda de peso;
  • aumento da frequência de defecação;
  • febre, perda de apetite e prostração nos casos mais graves.
Quanto ao diagnóstico, a única forma de obtermos um diagnóstico definitivo de IBD é através da biópsia, obtida através de técnicas não-invasivas como a endoscopia e a colonoscopia ou através de cirurgia com laparotomia exploratória. Em qualquer uma das técnicas, o objectivo é recolher um pedaço dos orgãos envolvidos para análise histopatológica e confirmação da IBD. Se não conseguirmos fazer uma biópsia, devemos então fazer um diagnóstico por exclusão, eliminando todas as outras causas de vómitos e diarreias crónicas nos nossos animais.

O tratamento da IBD começa por uma alteração na dieta alimentar do animal. Existem dietas específicas para este tipo de problemas - as dietas hipoalergénicas e as dietas gastro-intestinais são as mais utilizadas. Seja qual for a dieta que use, é fundamental que o seu animal não ingira mais nada além da dieta. Dar-lhe um biscoito que não seja parte da sua dieta pode significar uma regressão significativa no tratamento do animal. Na maior parte dos casos, usamos também medicamentos imunossupressores que diminuem o número de células inflamatórias que se encontram na parede gastro-intestinal. Quando o animal está numa fase activa da IBD podemos associar antibióticos para diminuir o sobrecrescimento bacteriano que habitualmente acontece num intestino doente. Ácidos gordos, probióticos, vitamina B são algumas das suplementações que estes animais podem também ter.

A IBD é uma condição que não tem cura; podemos tratá-la e reduzir os sintomas mas não a conseguimos fazer desaparecer. O animal deve ser acompanhado regularmente pelo seu médico veterinário assistente e, acima de tudo, devemos ter o máximo cuidado com o que ele ingere - o que nos pode parecer insignificante em termos de extras pode significar um agravamento acentuado dos sintomas.
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