23 de dezembro de 2009

Boas Festas em segurança

Durante a época festiva tenha especial atenção com as decorações festivas e com a localização da comida. Por vezes, estamos tão atarefados com a preparação da época festiva, que nos esquecemos que os nossos animais poderão ter acesso a objectos e comida perigosos para eles. Assim sendo, deixo aqui várias dicas que poderão evitar desastres maiores em sua casa:

  • coloque sempre a comida num local de difícil acesso ao seu animal, tendo especial atenção com os chocolates, bem como, com os ossos e espinhas dos restos de comida que sobra;
  • deve ter especial cuidado com os ornamentos natalícios que podem ser "brinquedos" especialmente atraentes para os seus animais - bolas, fitas, presépios e velas acesas podem ser potencialmente perigosos;
  • plantas muito coloridas podem ser tóxicas para o seu animal - coloque-as sempre num local de difícil acesso ao seu animal;
  • evite decorar a árvore de natal com doces, pois os seus animais poderão facilmente roubá-los;
  • evite colocar os presentes debaixo da árvore de natal - o seu animal pode considerá-los atraentes e roe-los ou mesmo comê-los.


    Urinar para a árvore de Natal - um problema frequente nesta época

    Passe uma boa quadra festiva, em segurança, na companhia dos seus animais de companhia. Boas Festas!
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    16 de dezembro de 2009

    Megaesófago

    O megaesófago é uma doença que se caracteriza por uma diminuição ou mesmo ausência de motilidade (movimento que conduz os alimentos da boca para o estômago) a nível do esófago. Com a diminuição da motilidade, os alimentos têm dificuldade em chegar ao estômago e o animal vai regurgitá-los. À medida que essa diminuição da motilidade se torna persistente, o esófago terá tendência a dilatar, não recuperando o seu diâmetro normal, originando o chamado megaesófago.



    Comparação entre o diâmetro do esófago normal e do megaesófago
    O megaesófago pode ser congénito ou adquirido, manifestando-se em qualquer idade da vida do animal. O megaesófago adquirido pode ser primário ou secundário a outras patologias que devem ser descartadas para um melhor tratamento da doença. Pode ocorrer tanto em cães como em gatos, sendo mais frequente em cães.

    Os animais com megaesófago têm dificuldade em manter um aporte nutricional apropriado devido à dificuldade de conduzirem os alimentos ao estômago.

    Os sintomas mais frequentes desta patologia são:

    • regurgitação;
    • febre;
    • tosse;
    • corrimento nasal;
    • dificuldade em deglutir;
    • mau hálito muito acentuado;
    • perda de peso;
    • pneumonia por aspiração nos casos mais graves.

    O tratamento do megaesófago consiste na identificação da causa subjacente à doença, na diminuição da frequência da regurgitação, fornecer o aporte nutricional adequado e evitar possíveis complicações como por exemplo a pneumonia por aspiração.

    A alimentação é de extrema importância no melhoramento do estado de saúde do animal. Eis algumas indicações para melhorar a sua alimentação:

    • deve alimentá-lo num patamar mais elevado e dançar com ele no final de cada refeição, para que os alimentos cheguem mais facilmente ao estômago por efeito da gravidade;
    • a dieta deve ser hipercalórica e administrada várias vezes ao dia em pequenas porções;
    • a consistência do alimento varia conforme o paciente - alguns toleram melhor uma dieta líquida, outros toleram melhor uma dieta mais consistente.

    Podemos também utilizar fármacos que aceleram a motilidade gastro-intestinal, contudo, estes fármacos funcionam melhor quando a distensão do esófago não é acentuada.

    O megaesófago é uma doença que exige grande dedicação e atenção por parte do dono. Só assim, o animal poderá melhorar a sua condição. Informe-se com o seu veterinário sobre esta patologia.
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    8 de dezembro de 2009

    Síndrome de dilatação-torção gástrica em cães

    O síndrome de dilatação-torção gástrica é uma urgência veterinária, extremamente grave, que põe em risco a vida do animal e que deve ser imediatamente assistida por um médico veterinário, assim que for detectada pelo dono. O animal pode morrer ao fim de poucas horas devido à dilatação-torsão gástrica; cerca de 25-30% dos pacientes acabam por morrer, mesmo com tratamento adequado.

    Este síndrome caracteriza-se por uma primeira parte de dilatação e uma segunda parte de torção do estômago. Na dilatação, o estômago enche-se de ar e começa a fazer pressão noutros orgãos da cavidade abdominal e no diafragma, fazendo com que o animal vá tendo, progressivamente, maior dificuldade a respirar. Estando dilatado, o estômago pode facilmente girar em torno do seu próprio eixo (torção), conduzindo, progressivamente, a uma diminuição no seu aporte sanguíneo. O tecido gástrico começa a morrer (necrose) e os outros orgãos vitais começam a falhar - nesta fase o estado do animal deteora-se muito rapidamente.






    O estômago dilata e acaba por torcer

    Nem todos o cães que sofrem dilatação gástrica desenvolvem torção. Contudo, todos o que fazem torção gástrica tiveram anteriormente dilatação.

    Existe, nitidamente, uma predisposição genética neste síndrome - as raças grandes e gigantes são as mais afectadas por esta doença. Dentro destas raças, os animais de peito mais profundo e estreito são mais predispostos. Pode ocorrer em qualquer idade, contudo é mais frequente em animais acima dos 7 anos de idade. Os cães que comem uma única vez ao dia têm o dobro da probabilidade de desenvolver dilatação-torção gástrica do que os cães que fazem várias refeições diárias.

    Os sintomas mais frequentes são:

    • dilatação e dor abdominal;
    • tentativa de vómito;
    • dificuldade respiratória;
    • estado de choque, nos casos mais graves.

    O tratamento da dilatação-torção gástrica passa pela estabilização do estado clínico do animal e posterior cirurgia. A cirurgia consiste na verificação do estado do estômago e dos outros orgãos abdominais, nomeadamente o baço, que também pode estar torcido nestas situações, na reposição do estômago à sua posição normal e na sutura do estômago à parede abdominal (gastropéxia) para evitar futuras recidivas. O pós-operatório exige uma monitorização constante do paciente para detectar possíveis complicações, nomeadamente, arritmias, ulcerações gástricas e lesões a nível de outros orgãos vitais.

    A prevenção da dilatação-torção gástrica passa por:

    • alimentar o animal várias vezes ao dia;
    • controlar a ingestão de água após a refeição se o animal for muito sôfrego a beber;
    • evitar o exercício físico intenso ou situações de stress antes e após a refeição;
    • estar atento aos sinais clínicos do animal após as refeições, principalmente se o animal for de uma raça predisposta.

    O síndrome de dilatação-torção gástrica é uma condição muito grave, que deve ser detectada precocemente pelo dono do cão. Aconselhe-se com o seu veterinário acerca desta patologia.
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    1 de dezembro de 2009

    Será que os gatos caem sempre de pé?

    Frequentemente dizemos que todos os gatos caem de pé. Contudo, isso nem sempre acontece. Quando os gatos caem de uma altura relativamente baixa, frequentemente conseguem girar no ar e aterrar de pé. No entanto, quando a altura é superior a cerca de dois andares, os gatos podem sofrer lesões muitos graves, que podem mesmo ser fatais.

    A facilidade com que o gato gira no ar e cai de pé deve-se às características anatómicas do seu esqueleto. Os gatos apresentam clavículas muito rudimentares que não se unem a nenhum dos outros ossos do seu esqueleto, sendo apenas suportadas pela massa muscular dos seus ombros. Isto faz com que, facilmente, as suas patas dianteiras tenham uma rotação fora do vulgar e o seu corpo possa facilmente adaptar-se a novas posições. Assim, durante uma queda, as patas são a primeira estrutura a tocar no solo, absorvendo o impacto da colisão.





    Os gatos nem sempre caem de pé
    Se o gato cair de uma altura superior a dois andares, pode conseguir girar no ar para adquirir um bom posicionamento para a queda, no entanto as patas não conseguirão absorver todo o impacto da colisão. Nestas situações, é frequente surgirem traumatismos a nível torácico e/ou abdominal, bem como fracturas ósseas a nível dos membros e/ou crânio.

    Independentemente da altura em que o gato vive, mantenha sempre a janelas fechadas, por forma a impedir a sua saída. Mesmo quedas de alturas mais baixas podem provocar lesões muito graves ou mesmo fatais - por vezes encontram obtáculos pelo caminho, que os impedem de girar no ar e cair de pé, nomeadamente estendais da roupa.  Nunca esqueça que o gato não vai aprender com a queda - se vir a janela aberta uma segunda vez pode voltar a atirar-se. Mais vale prevenir...
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    24 de novembro de 2009

    Peritonite infecciosa felina (PIF)

    A peritonite infecciosa felina, vulgarmente denominada por PIF, é uma doença viral, habitualmente, progressiva e fatal em gatos. O vírus envolvido no PIF é um coronavírus modificado, ou seja, a grande maioria dos gatos tem a forma benigna do coronavírus mas só nalguns gatos esse vírus sofre mutações e transforma-se num vírus altamente patogénico, originando o PIF.

    Os gatos jovens ou com doenças que deprimam o seu sistema imunitário, como por exemplo, FIV (vírus da imunodeficiência felina) ou FeLV (vírus da leucose felina), são mais sensíveis a contrairem o PIF.




    Os gatos jovens são mais sensíveis ao PIF

    Este vírus pode resistir durante várias semanas no meio ambiente, mas é facilmente eliminado por uma lavagem com detergentes e desinfectantes. Daí a importância de uma boa limpeza e desinfecção do local onde possam ter estado portadores de PIF.

    O PIF pode manifestar-se de duas formas: a forma seca ou não-exsudativo e a forma exsudativa, sendo esta última mais frequente. O PIF exsudativo caracteriza-se pela acumulação de líquido no abdómen e/ou no tórax do animal . Nestes casos, o principal sintoma é a dificuldade respiratória. No PIF seco, a acumulação de líquido nas cavidades é pouco frequente e os sintomas são muito pouco específicos, podendo confundir-se facilmente com outras doenças.

    Apesar desta divisão, em termos de nomenclatura, dos dois tipos de PIF, os sintomas mais frequentes que podem aparecer são:

    • febre;
    • letargia;
    • perda de apetite com consequente perda de peso;
    • vómito e/ou diarreia;
    • icterícia (tom amarelado das mucosas);
    • abdómen distendido e dificuldade respiratória no caso do PIF exsudativo;
    • sintomas neurológicos.

    O diagnóstico do PIF faz-se com base nos sintomas do animal. Não existem testes específicos para o PIF - mesmo a titulação de anticorpos contra o cornavírus não é específica pois não diferencia entre o coronavírus patogénico e o não-patogénico.

    Quanto ao tratamento, não existe nada específico para o PIF. O tratamento é feito com base nos sintomas que o animal apresenta e na gravidade da situação. O prognóstico de PIF é sempre reservado. Se o seu gato apresentar algum dos sintomas mencionados acima não hesite em levá-lo de imediato ao seu veterinário.
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    17 de novembro de 2009

    Síndrome da cauda equina em cães (estenose lombossagrada)

    O síndrome da cauda equina, também designado por estenose lombossagrada, é o termo usado para descrever um processo de artrite na junção entre a última vértebra lombar e o sacro. Este processo de artrite causa um estreitamento no canal medular, fazendo pressão nos nervos que saem da medula, originando lesões a nível neurólogico. Grande parte das vezes, o próprio disco intervertebral tem também uma conformação anormal, predispondo ao tal estreitamento do canal medular.

    Os sintomas mais frequentes são:

    • dor: a maior parte dos animais apresenta dor no terço posterior do corpo - zona lombar, patas e cauda;
    • rigidez muscular: normalmente melhora com o início do andamento;
    • perda de massa muscular: devido ao desconforto, o animal protege-se usando menos os membros posteriores;
    • dificuldade a urinar ou defecar ou mesmo incontinência urinária devido a lesões neurológicas;
    • arrastamento dos dedos dos membros posteriores.

    Por vezes, estes sintomas podem confundir-se com os de displasia de anca (tema que será bordado brevemente neste blog) e é fundamental distinguir as duas patologias.

    O síndrome da cauda equina ocorre, geralmente, em animais de raça grande. Pode ser congénito ou adquirido e os primeiros sintomas surgem entre os 3 e os 7 anos de idade. O Pastor Alemão parece ser a raça mais propícia para esta doença.





    Pastor Alemão - raça mais predisposta a este síndrome

    O diagnóstico faz-se através de mielografias que são radiografias que usam um líquido de contraste para evidenciar o estreitamento intervertebral. O animal terá que estar, obviamente, anestesiado para que seja possível injectar o tal líquido de contraste.

    O tratamento deste síndrome depende da sua gravidade. Nos casos menos graves, recomenda-se repouso absoluto durante várias semanas e  animal estará sob o efeito de anti-inflamatórios para lhe retirar a dor. O repouso, por muito difícil que seja de fazer, é fundamental para que a medicação comece a surtir efeito. Periodicamente, o animal voltará a ter crises desta patologia. Nos casos mais graves, opta-se pela cirurgia. Também nesta situação o animal estará sob o efeito de anti-inflamatórios e terá que estar confinado durante várias semanas.

    O prognóstico do síndrome da cauda equina varia conforme a gravidade dos sintomas. Quando o animal já não consegue urinar normalmente, significa que já há uma compressão neurológica acentuada e, nesses casos, o prognóstico torna-se bem mais reservado.

    A rapidez no diagnóstico e no tratamento pode fazer toda a diferença.
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    10 de novembro de 2009

    Flatulência: um problema a controlar

    Apesar da produção de gás fazer parte do normal processo de digestão, alguns animais produzem muito mais que outros, o que pode trazer sérios inconvenientes a quem está à sua volta.




    Flatulência - um problema frequente!

    A flatulência pode ser atenuada através da alteração de algumas rotinas diárias:

    • obrigue-o a comer devagar: na maioria dos casos, a flatulência é causada pelo excesso de ar que é engolido pelo animal aquando da ingestão do alimento. Tente colocar um brinquedo dele dentro da própria tigela da comida; isto fará com que ele não consiga ser tão sôfrego a comer, pois tentará contornar o próprio brinquedo. Se tiver mais que um animal em casa, separe-os na hora das refeições para que não haja competição entre eles a ver quem come mais rápido;
    • coloque a tigela da comida mais elevada: compre um suporte de tigela da comida para que o animal não tenha que se baixar tanto para a comer - quanto mais baixa a comida estiver, mais ar o animal irá engolir;
    • passeie depois da refeição: pequenos passeios depois da refeição ajudam o processo de digestão, facilitanto a eliminação do gás. Nunca deverá fazer exercício muito intenso após a refeição, apenas uma actividade muito ligeira;
    • mudança de ração: se nota que o seu animal continua com muita flatulência, experimente mudar de alimentação para uma dieta de fácil digestibilidade. Faça sempre uma mudança gradual na alimentação, misturando a ração nova com a ração a que o animal está habituado. As dietas de elevada digestibilidade diminuem, consideravelmente, a produção de gás na digestão;
    • aumente o número de refeições: se dividir a dose diária de comida por 2 ou 3 refeições, o animal vai ingerir uma quantidade menor de comida de cada vez e consumirá menor quantidade de ar;
    • controle os extras: evite dar comida para além da ração e esteja atento para ver se ele não come nada durante os passeios na rua.

    Aconselhe-se com o seu veterinário assistente para tentar perceber a causa da flatulência no seu animal; só assim será mais fácil controlá-la.
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    3 de novembro de 2009

    Como dar comprimidos a gatos

    Dar comprimidos a gatos pode não ser uma tarefa muito fácil. Aliás pode ser uma tarefa bem árdua que cria um stress acrescido tanto no dono como no gato.

    Dar comprimidos a gatos nem sempre é fáci

    Se o seu gato não estiver a seguir uma dieta específica, poderá dar a medicação ao seu gato através de um pouco de comida húmida que ele goste muito. Primeiro coloque um pouco da comida sem o comprimido para que o gato não fique desconfiado e só depois coloque o "isco" com o comprimido. Nunca misture a medicação na refeição completa do gato, pois este pode não a ingerir na totalidade.

    Se o seu gato não pode ingerir extras ou se não "mordeu o isco", então a única opção será colocar o comprimido bem no fundo da boca do animal. Eis algumas dicas que pode utilizar para conseguir dar a medicação ao seu animal:

    • retire o comprimido da sua embalagem e coloque-o num local de fácil e rápido acesso;
    • chame o gato com um tom de voz tranquilo para o local onde deseja dar-lhe o comprimido;
    • se o gato for mais activo, coloque-o embrulhado num cobertor ou toalha grande, deixando só a cabeça de fora; será conveniente cortar-lhe previamente as unhas, para evitar arranhões;
    • encoste-o a um local onde ele não tenha hipótese de fuga ou coloque-o num local mais elevado, como por exemplo uma bancada ou uma mesa;
    • pegue no comprimido, colocando entre o seu polegar e indicador, na ponta dos dedos;
    • com a outra mão segure o maxilar superior obrigando-o a abrir a boca e inclinando ligeiramente a sua cabeça para trás;
    • coloque rapidamente o comprimido no fundo da boca do gato, fechando-a de imediato;
    • espere que o gato coloque a lingua de fora, como se se lambesse, pois só aí estará a deglutir o comprimido; muitos gatos conservam o comprimido "escondido" na boca, enganando, facilmente, o dono. Se o gato demorar a deglutir o comprimido poderá soprar-lhe levemente para o nariz ou massajar-lhe o pescoço, mas nunca o deixando abrir a boca;
    • recompense-o sempre no final com um pequeno mimo.

    Lembre-se que o sucesso desta tarefa está na rapidez usada na administração. Deve evitar diluir os comprimidos em água, pois grande parte deles são amargos e fazem com que o animal salive em demasia e mostre relutância perante qualquer tipo de medicação.
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    26 de outubro de 2009

    Hipertiroidismo em gatos

    O hipertiroidismo é a patologia hormonal mais frequente em gatos. Ao contrário do hipotiroidismo dos cães, o hipertiroidismo consiste no excesso de hormona da tiróide em circulação no organismo do gato.

    A maior parte dos casos de hipertiroidismo são benignos e resultam do aumento do número de células na própria tiróide. Apenas 1-2% dos casos de hipertiroidismo são causados por condições malignas. Ocorre, frequentemente, em gatos geriátricos.

    Os sintomas mais frequentes de hipertiroidismo são:
    • perda de peso;
    • taquicárdia: aumento da frequência cardíaca;
    • polifagia: aumento do apetite;
    • vómito;
    • polidipsia e poliúria: aumento da ingestão de água e da micção;

    A suspeita de hipertiroidismo surge com base nos sintomas do animal ou na palpação da própria tiróide que, nestes gatos, está muitas vezes aumentada.

    Localização da glândula da tiróide

    O diagnóstico definitivo passa pela medição da hormona da tiróide. Estes animais apresentam, frequentemente, complicações sistémicas, nomeadamente alterações a nível renal e hepática, sendo por isso importante fazer um check-up geral ao animal antes de iniciar o tratamento.

    O tratamento do hipertiroidismo passa, habitualmente, pelo uso de fármacos que bloqueiam a síntese da hormona da tiróide, nomeadamente o metimazole. Este fármaco não cura o hipertiroidismo, apenas controla os níveis da hormona em circulação, exigindo assim uma toma regular e constante, bem como um controlo assíduo dos níveis hormonais e do estado geral do gato. Outras opções de tratamento, muito menos frequente no dia-a-dia da clínica, passam pela cirurgia ou pelo uso de iodo radioactivo.

    Um gato com hipertiroidismo pode ter uma vida completamente normal, sem quaisquer limitações, mas exige um controlo regular do seu estado de saúde. Aconselhe-se com o seu veterinário assistente sobre a melhor forma de lidar com esta patologia.
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    20 de outubro de 2009

    Dirofilariose ou verme do coração

    A dirofilariose ou verme do coração é uma doença que atinge cães e, menos frequentemente, gatos, causada por um parasita  denominado Dirofilaria immitis. A severidade desta doença está directamente relacionada com o número de parasitas presentes no organismo, a duração da infecção e a resposta do animal infectado.

    Esta doença transmite-se através de um mosquito que inocula a forma larvar do parasita no organismo do animal. Cerca de 3 meses após a inoculação, a larva desenvolve-se no lado direito do coração, podendo atingir cerca de 30 cm aquando da forma adulta. Cerca de 7 meses após a infecção, já podemos encontrar formas imaturas do parasita (microfilárias) na circulação sanguínea. A picada do mosquito é a única forma de transmissão da dirofilariose.




    Coração infectado por dirofilárias

    Os sintomas da dirofilariose dependem da severidade da doença. Assim sendo, temos três estádios da doença:

    • estádio 1: o animal é assintomático, não exibindo qualquer sintoma da doença;estádio 3
    • estádio 2: o animal exibe tosse e intolerância ao exercício físico;
    • estádio 3: a condição mais grave da doença; nesta fase o animal tem tosse, intolerância ao exercício, sinais de anemia e de insuficiência cardíaca direita, com morte do animal.

    O diagnóstico da dirofilariose faz-se através de testes serológicos para detecção das microfilárias em circulação. Se o animal for positivo, deveremos posteriormente avaliar a sua condição geral, especialmente a cardíaca com electrocardiogramas ou ecocardiogramas e radiografias torácicas, para podermos iniciar o tratamento.

    Durante o tratamento, o animal deverá reduzir a sua actividade física e fazer o máximo repouso possível. Nos casos mais graves poderá haver necessidade de internamento.

    A melhor forma de lidar com a dirofilariose é fazendo a prevenção mensal da doença através de um profiláctico adequado. Aconselhe-se com o seu veterinário assistente sobre a melhor forma de prevenção.
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    12 de outubro de 2009

    FeLV - Vírus da Leucose Felina

    O vírus da Leucose felina (FeLV) é o responsável pela leucemia e outros tipos de cancros e imunodeficiências em gatos. Tal como o FIV, o FeLV é também um retrovírus, ou seja, é específico da espécie. Assim sendo, o FeLV só atinge os gatos.

    O FeLV encontra-se em concentrações muito elevadas na saliva do animal afectado. Assim, a forma mais frequente de transmissão do FeLV é através do grooming mútuo (lavagem constante do pêlo com a língua). Outras formas de transmissão são por contacto focinho-a-focinho, dentadas, partilha de recipientes da água e comida e de mãe para filho através da placenta e do leite. A transmissão exige habitualmente um contacto prolongado entre os animais.






    Manter o gato dentro de casa evita que seja infectado

    Quando o gato é exposto ao vírus da Leucose, vários fenómenos podem acontecer:

    • alguns gatos não ficam infectados, devido a uma exposição inadequada ou a uma resposta imunitária muito forte;
    • outros gatos desenvolvem uma infecção latente, ou seja, são portadores do vírus mas não o transmitem nem exibem sintomas da doença;
    • por último, podemos ter os gatos com infecção progressiva, que desenvolvem sintomas e outras doenças associadas ao FeLVe transmitem o vírus em grandes quantidades na saliva.

    Um gato infectado com FeLV exibe sinais de virémia (presença do vírus na corrente sanguínea do animal) 2 a 4 semanas após essa infecção. Nem sempre o animal exibe sintomas da doença durante esta fase aguda. No entanto, se exibir, os mais frequentes são:

    • febre;
    • letargia;
    • doenças gastro-intestinais;
    • gengivite;
    • doenças neurológicas;
    • linfadenopatia (gânglios linfáticos aumentados);
    • perda de peso;
    • problemas respiratórios e oculares;
    • problemas reprodutivos;
    • anemia, entre outros.

    O FeLV pode ser rapidamente detectado através de um teste rápido de sangue. Assim que o portador do vírus é reconhecido deve ser mantido dentro de casa para não contaminar outros gatos de rua. Se existirem outros gatos a partilharem o mesmo habitat do afectado, deverão ser testados e, se negativos, deverão ser vacinados. Ao contrário do FIV, para o FeLV existe vacina. Todos os gatos que têm acesso à rua devem ser vacinados para o FeLV. Aos gatos de interior evita-se administrar a vacina do FeLV, pois existem estudos que associam o aparecimento de um tipo de tumor (fibrossarcomas) ao local de inoculação da vacina. Assim sendo, optamos por administrá-la apenas a gatos que corram o risco de ser infectados.

    Um gato portador de FeLV pode viver muitos anos, manifestando ou não sinais da doença. Os tratamentos são sempre paleativos, de forma a incidir no sintoma que o animal apresenta. Os gatos mais jovens são mais susceptíveis à doença.

    O FeLV é uma das grandes causas de morte nos gatos domésticos - aconselhe-se com o seu veterinário sobre a melhor forma de preveni-lo.
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    4 de outubro de 2009

    Check-up regular

    Todos nós sabemos que a melhor forma de lidar com os problemas de saúde do seu animal  é prevenindo-os ou detectando-os numa fase muito precoce. Para que isso seja possível, deve levar o seu companheiro regularmente ao seu médico veterinário para efectuar um exame clínico completo. Essa regularidade varia conforme a idade e a condição do animal - os jovens devem fazer um check-up anualmente, os geriátricos devem fazer um check-up semestral e os animais com doenças crónicas devem ser acompanhados mais regularmente, dependendo da sua doença e do seu estado de saúde.




    Idas regulares ao veterinário são fundamentais

    O check-up regular passa, normalmente, pelas seguintes etapas:

    • exame clínico completo
    • vacinação;
    • desparasitação interna e externa;
    • análises sanguíneas se se justificar.

    O exame clínico completo passa por examinar o animal de uma ponta à outra:

    • auscultação cardíaca e pulmonar: por vezes detectam-se sopros cardíacos numa fase muito precoce com uma simples auscultação;
    • palpação abdominal: permite verificar e detectar certas anomalias nos orgãos internos como por exemplo assimetria renal;
    • estado da pele e do pêlo;
    • membros: os problemas articulares são muito frequentes nos nossos animais;
    • olhos e ouvidos: otites e conjuntivites fazem parte do dia-a-dia de um veterinário;
    • boca e dentes: os donos nem sempre se apercebem do mau estado dentário do seu animal;
    • condição corporal: o excesso de peso tornou-se um problema grave nos nossos animais.

    A vacinação regular é essencial para prevenir determinadas doenças infecto-contagiosas nos cães e gatos. Nos cachorros e gatinhos as datas das vacinas devem ser respeitadas rigorosamente.

    A desparasitação interna contra vermes intestinais deve ser efectuada pelo menos uma vez por ano em todos os animais adultos. Nos cachorros e gatinhos essa desparasitação deve ser feita mensalmente. A desparasitação externa deve ser feita para evitar pulgas, carraças e mosquitos.

    Nos pacientes geriátricos e com doenças crónicas, as análises sanguíneas são fundamentais para detectar e controlar alterações sistémicas.

    Um check-up regular pode fazer toda a diferença na saúde do seu animal. Não hesite em levá-lo regularmente ao veterinário, ele agradece!
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    27 de setembro de 2009

    Medo de ruídos

    O medo de ruídos é um problema muito comum nos cães mas menos frequente nos gatos. Esse medo pode rapidamente dar origem a uma fobia, com comportamentos excessivos e persistentes por parte do animal. Os ruídos que provocam frequentemente medo nos animais são a trovoada e o fogo-de-artifício.

    O medo de ruídos pode atingir qualquer animal. Contudo, os mais ansiosos são normalmente os mais afectados.




    Medos e Fobias

    O comportamento do dono pode afectar a severidade do medo. Por um lado, se o dono estiver nervoso durante as trovoadas, o animal vai ter ainda mais medo. Por outro lado, se o dono tiver uma reacção de protecção exagerada, o animal entenderá isso como se houvesse uma razão real para ter medo.

    Os sinais de fobia a ruídos são muito variáveis de animal para animal. No entanto, os mais frequentes são:

    • esconder (o sinal mais frequente nos gatos);
    • urinar;
    • defecar;
    • salivar excessivamente e mastigar;
    • aumento da frequência cardíaca e respiratória;
    • tremer;
    • tentativa de fuga ou procura exagerada do dono;
    • vocalização (ladrar, uivar ou miar excessivamente).

    O tratamento dos medos e fobias  passa mudança do comportamento do dono, mudança de ambiente e/ou medicação.

    O dono não deve em ocasião alguma punir ou mimar em demasia o seu animal. Deve adoptar uma postura calma e tranquila, de forma a que o seu animal se sinta o menos ansioso possível.

    A mudança de ambiente pode reduzir o nível de stress do animal. Pode optar por ligar a TV ou colocar música para atenuar o ruído negativo e levar o seu animal para um local de menor dimensão. Deve também fechar todas as janelas e portas para atenuar qualquer ruído exterior.

    Quanto à medicação, pode ser administrada antes do ruído, durante o ruído ou por um período de tempo relativamente longo da vida do animal, como preparação para o ruído. Existem inúmeros fármacos que podem ser administrados ao animal para atenuar a fobia do animal. Consulte o seu médico veterinário sobre o melhor fármaco a usar no seu animal e nunca, em situação alguma, medique o seu animal com calmantes ou relaxantes que possa estar a tomar.

    A diminuição dos medos exige tempo, dedicação e muita calma por parte dos donos. São processos morosos mas que podem dar frutos a médio ou longo-prazo.
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    20 de setembro de 2009

    Luxação da rótula

    O joelho é uma estrutura complexa constituída por músculos, tendões, ligamentos, cartilagens e ossos. Todos este componentes devem alinhar correctamente e interagir harmoniosamente, por forma a permitir um bom funcionamento do joelho. São três os ossos que estão incluidos no joelho: o fémur, a tíbia e a rótula.

    A rótula aloja-se numa concavidade no final do fémur, protegendo toda a articulação do joelho. Nalguns animais, essa concavidade pode não ser suficientemente profunda para manter a rótula numa posição estável. Nesses casos a rótula fica luxada, ou seja, sai da concavidade e desloca-se, lateral ou medialmente, ao longo do joelho do animal, acabando este por deixar de apoiar correctamente a pata no chão.





    Luxação da rótula: deslocamento lateral e medial da rótula

    A luxação da rótula pode ter como causa uma malformação congénita - a concavidade não é suficientemente pronunciada para manter a rótula fixa - ou um trauma no joelho. As raças pequenas e miniaturas estão mais predispostas para esta patologia. Também ocorre ocasionalmente em gatos.

    Os sintomas podem variar conforme a gravidade da luxação. Nos casos mais graves, o animal, frequentemente, exibe claudicação acentuada e interminente com dor à manipulação. Nos menos graves, o animal pode nem exibir qualquer sintoma.

    Se a luxação da rótula não for tratada, a articulação do joelho vai ficando progressivamente inflamada e com menor mobilidade, gerando-se um processo de artrose precoce.

    O tratamento de eleição é a cirurgia, que tem uma taxa de sucesso bastante elevada. Por vezes os donos não se mostram muitos receptivos perante esta opção e, nestes casos, administramos anti-inflamatórios ao animal para o manter o mais confortável possível.

    A luxação da rótula exige uma avaliação precoce por parte do médico veterinário assistente, por forma a evitar o aparecimento de processos de artrite e artrose num futuro próximo.
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    13 de setembro de 2009

    Parvovirose canina

    A parvovirose canina é uma doença altamente contagiosa que se caracteriza por uma diarreia profusa e, habitualmente, sanguinolenta. Atinge, essencialmente, animais jovens (mais frequente nos cachorros até aos 6 meses de idade)  não-vacinados que contactam com o vírus.

    A parvovirose atinge habitualmente animais jovens


    O parvovírus está presente nas fezes dos animais infectados e pode sobreviver no meio ambiente durante largos meses se tiver as condições ideais de crescimento. Isto significa que, perante um animal infectado, devemos ter cuidados redobrados no que respeita à desinfecção do local.

    O período de incubação da parvovirose varia entre 1 a 2 semanas. Durante esse período, o animal pode disseminar o vírus no meio ambiente, sem exibir qualquer sinal clínico.

    Os sintomas mais frequentes na parvovirose são:

    • diarreia;
    • vómito;
    • febre;
    • prostração e desidratação intensas;
    • septicémia e morte, nos casos mais graves.

    A parvovirose é uma doença com uma progressão muito rápida a partir do momento em que o animal exibe os primeiros sintomas e, a morte do animal, pode mesmo ocorrer poucos dias depois. A partir do momento em que suspeitamos de parvovirose, o animal deve ser rapidamente isolado para iniciarmos uma terapêutica agressiva de suporte.

    A terapêutica consiste na administração de fluidos para repôr todas as perdas electrolíticas que o animal está a ter com o vómito e a diarreia. O animal deve ser colocado a soro com anti-vomitivos, anti-ácidos e antibióticos. Por vezes torna-se mesmo necessário nutrição parenteral. Contudo, mesmo com um tratamento agressivo, a taxa de mortalidade desta doença nos cachorros é extremamente elevada.

    A melhor forma de prevenir a parvovirose canina é respeitando o esquema vacinal que o médico veterinário estabelece para o seu cachorro  e nunca o levar à rua sem antes completar esse esquema vacinal.

    A parvovirose é uma doença infecto-contagiosa muito grave que atinge cães com imunidade reduzida. Não atinge gatos nem humanos.
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    6 de setembro de 2009

    Úlceras da córnea

    As úlceras da córnea consistem em feridas na primeira camada da córnea (constituída por quatro camadas), ficando as restantes camadas expostas a agressões externas, nomeadamente, à invasão de bactérias, causando infecção do olho.

    As úlceras podem tornar-se mais profundas e invadir as camadas seguintes da córnea. Nestes casos, a infecção pode atingir várias partes do olho e as lesões podem ser ou não reversíveis.

    As úlceras da córnea são normalmente de causa traumática:

    • autotraumatismo: animais q se coçam e ferem a córnea com as unhas;
    • corpos estranhos: pedaços de arvoredos e ervas;
    • entropion ou cílios ectópicos: presença de cílios na posição errada;
    • lutas entre animais.

    Os sintomas mais frequentes são:

    • inflamação;
    • fotossensibilidade: o animal semi-cerra os olhos aquando da presença de luz intensa;
    • dor intensa;
    • corrimento purulento: pode estar ou não presente.

    O diagnóstico das úlceras da córnea é feito através do exame minucioso do olho do animal para detectar possíveis corpos estranhos ou cílios ectópicos. Usa-se, normalmente, um corante chamado fluoresceína para detectar a úlcera, que cora de verde.




    Úlcera identificada pelo teste da fluoresceína
    As úlceras não complicadas devem começar a cicatrizar em 4-5 dias após o início do tratamento. As que não cicatrizam neste tempo, já devem ser consideradas úlceras complicadas. Em ambos os casos, o tratamento passa pelo uso de colírios e pomadas oftálmicas. Nas mais complicadas, pode mesmo ser necessário uma intervenção cirúrgica.

    As úlceras da córnea têm um prognóstico favorável se forem tratadas de imediato. Se aprofundarem e/ou infectarem podem mesmo causar perfuração da córnea e o seu prognóstico será bem mais reservado. Se notar que o seu animal exibe sinais de infecção ocular, leve-o de imediato ao seu veterinário assistente.
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    31 de agosto de 2009

    Vómito - um sintoma frequente

    O vómito é uma das causas mais frequente para idas ao veterinário. Consiste na expulsão forçada do conteúdo gástrico através da boca. Não consideramos o vómito uma patologia propriamente dita, mas sim um sintoma de uma série de patologias mais ou menos graves.



    Vómito - um sintoma frequente em cães e gatos
    Se o animal vomitar uma única vez, estiver alerta e bem disposto, provavelmente não justificará levá-lo ao veterinário. Isto acontece por exemplo quando comem ervas. No entanto, se o animal vomitar várias vezes e estiver apático e prostado, deverá levá-lo de imediato ao seu veterinário.

    As causas de vómito são muito variadas e nem sempre estão relacionadas com o aparelho digestivo. Assim sendo, temos causas:

    • gastro-intestinais;
    • infecciosas: virais e bacterianas;
    • hepáticas;
    • renais;
    • endócrinas;
    • neurológicas, entre outras.

    Perante esta variedade de causas, percebe-se a importância de fazer um exame clínico completo, com eventual recurso a exames complemetares de diagnóstico (análises de sangue, radiografia, endoscopia, ecografia, entre outros), para deteminar a causa exacta do vómito e, assim efectuar a terapeutica adequada. Quando a causa é gastro-intestinal, o tratamento passa pela administração de anti-ácidos e anti-vomitivos e introdução de uma dieta gastro-intestinal. Se os vómitos persistirem, o animal deve ser internado e colocado a soro para correcção de eventuais desidratações.

    Por fim, o prognóstico varia muito conforme a causa do vómito.
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    24 de agosto de 2009

    Reacções alérgicas: urticária e angioedema

    A urticária e o angioedema (inchaço da face) fazem parte de reacções alérgicas que, tanto cães como gatos, podem ter perante os mais diversos alergenos. Os alergenos mais comuns são plantas, picadas de insectos, detergentes, fármacos e mesmo vacinas.

    A urticária caracteriza-se por pequenos altos por todo o corpo do animal, ficando o pêlo levantado nessas zonas. O animal pode ter ou não prurido.

    O angioedema caracteriza-se por um inchaço da cabeça do animal, especialmente no focinho e ao redor dos olhos. Quando é muito acentuado, o animal fica com "aparência de Shar Pei" com os olhos semi-cerrados. No angioedema existe normalmente prurido.

    Angioedema

    Estas reacções alérgicas aparecem, habitualmente, vinte minutos após o contacto com o alergeno. Na maior parte dos casos, são auto-limitantes e não põem em risco a vida do animal. Contudo, existem situações raras em que o angioedema pode dar origem a um inchaço das vias respiratórias do animal, causando-lhe dificuldade respiratória acentuado. Nesses casos, o animal deve ser de imediato levado para o veterinário.

    O tratamento das reacções alérgicas consiste na administração de corticosteróides de acção rápida. Por vezes, nos casos menos graves, a administração de anti-histamínicos pode ser suficiente.

    As reacções alérgicas são muito difíceis de prever, a menos que saibamos qual o alergeno em causa. Se notar que o seu animal está com uma reacção alérgica, consulte o seu médico veterinário assistente de imediato para que ele possa avaliar a gravidade da situação.
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    15 de agosto de 2009

    FIV - Vírus da Imunodeficiência Felina

    O vírus da imunodeficiência felina, vulgarmente denominado por FIV, é o responsável pelo enfraquecimento do sistema imunitário do gato, tornando-o mais susceptível a contrair outras doenças que, habitualmente, um gato saudável teria mais dificuldade em contrair.

    O FIV faz parte da família dos retrovírus, que engloba, entre outros, o vírus da leucose felina (FeLV) e o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Estes vírus são específicos para cada espécie, ou seja, um retrovírus felino só atinge gatos e um retrovírus humano só afecta humanos.

    O FIV transmite-se através da dentada com gatos infectados ou de mães para filhos durante a gestação ou a amamentação. Ao contrário do FeLV, o FIV não se transmite por contacto prolongado com gatos infectados, pois aloja-se, essencialmente, a nível da saliva. Assim sendo, os gatos machos inteiros que vão à rua são o grupo de maior risco, pois mais facilmente se envolvem em brigas com outros gatos de rua.

    A dentada é uma forma de transmissão do FIV


    Os gatos FIV-positivos podem exibir os mais variados sintomas:

    • infecções a nível da boca;
    • doenças respiratórias;
    • doenças oculares;
    • doenças gastro-intestinais;
    • problemas de pele;
    • doenças neurológicas;
    • neoplasias;
    • linfadenopatia (aumento generalizado dos gânglios linfáticos).

    Os sintomas são muito variáveis conforme o estado da seropositividade. Determinados animais FIV-positivos podem nao exibir quaisquer sintomas durante anos.

    A detecção do FIV é feita através de testes rápidos que detectam anticorpos. Todos os animais com uma origem desconhecida devem ser testados para FIV. Se forem positivos, não deverão ter novamente acesso à rua, pois poderão contaminar outros gatos. Se for um macho inteiro, opte por castrá-lo para que o instinto de dominância e de vadiagem se dissipe e não se envolva em brigas com outros gatos.

    Não existe tratamento específico para o FIV, mas sim para todas as doenças concomitantes. Um animal FIV-positivo pode fazer uma vida perfeitamente normal mas o dono deve ter sempre presente que este não deverá ter acesso à rua. Se existem outros gatos no agregado familiar, deve ter noção que o risco de contágio existe, principalmente se forem gatos pouco amigáveis e que briguem.

    Não existe, actualmente, nenhuma vacina eficaz para o FIV. Aconselhe-se com o seu médico veterinário se ainda persistirem dúvidas acerca desta doença.
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    9 de agosto de 2009

    Hipotiroidismo canino

    O hipotiroidismo é uma doença relativamente frequente nos cães mas que, raramente, ocorre nos gatos. Quando não existe hormona da tiróide suficiente em circulação no organismo do cão, dizemos que ele sofre de hipotiroidismo. A grande maioria dos casos de hipotiroidismo canino resultam da destruição ou atrofia da própria tiróide.





    Localização da tiróide

    Aparece habitualmente em cães de meia-idade, sendo mais frequente nos cães de raças médias e grandes. Certas raças como o Golden Retriever, o Retriever Labrador, o Doberman e o Cocker Spaniel parecem ser mais predispostas para desenvolver hipotiroidismo.

    Os sintomas mais frequentes são:

    • apatia;
    • perda de pêlo;
    • excesso de peso;
    • hiperpigmentação da pele;
    • bradicárdia;
    • aumento dos níveis de colesterol sanguíneo.

    A conjugação destes sintomas levam o veterinário a suspeitar da presença desta patologia e a efectuar o doseamento dos níveis de hormonas da tiróide.

    Após a confirmação de hipotiroidismo, há que iniciar o tratamento que consiste na suplementação com hormona da tiróide sintéctica, denominada levotiroxina. Periodicamente, o animal deve efectuar análises para reavaliação da medicação, que será adminstrada durante toda a sua vida. Assim que os níveis da hormona da tiróide estão estabilizados, os sintomas começam a desaparecer.
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    2 de agosto de 2009

    Otohematomas

    Os otohematomas ou hematomas auriculares são pequenas acumulações de sangue e líquido sanguinulento entre a pele e a cartilagem da orelha do animal, formando autênticas bolhas no pavilhão auricular. São um problema bastante frequente nos nossos cães e gatos.

    Otohematoma

    Normalmente, os donos notam um inchaço repentino na orelha do animal, cheio de liquído e extremamente doloroso ao toque. A dor vai desaparecendo com o passar dos dias, mas se o otohematoma não for tratado continuará a acumular-se líquido e pode mesmo começar a aparecer tecido fibroso na orelha do animal, podendo este desfigurar a sua estrutura normal.

    Tanto os cães como os gatos podem desenvolver otohematomas, contudo é mais frequente nos cães. Os animais mais predispostos para otohematomas são todos aqueles que têm problemas crónicos de ouvidos - otites infecciosas, otites a ácaros ou otites de causa alérgica. Estas patologias provocam comichão no ouvido do animal e fazem com que ele se coce e abane a cabeça violentamente, conduzindo facilmente à formação de um hematoma.

    Para tratar o otohematoma, o líquido deve ser removido através de uma punção com agulha e seringa. A quantidade de líquido sanguinolento que retiramos é, por vezes, impressionante. Após a remoção do líquido instilamos na zona do otohematoma, um corticosteróide de acção prolongada para evitar a formação de novo hematoma. Podemos também fazer um penso compressivo ligeiro que auxilia no desaparecimento total do hematoma. Se o animal tiver muita comichão é fundamental que use um colar isabelino durante alguns dias, para evitar o auto-traumatismo. Nos casos recidivantes optamos pela cirurgia. Esta consiste em pequenas incisões suturadas ao longo do pavilhão auricular.

    A melhor forma de prevenir os otohematomas é evitando o auto-traumatismo do próprio animal. Se notar que ele abana muito a cabeça ou que se coça muito nos ouvidos, não hesite em levá-lo ao seu médico veterinário para que a otite seja logo tratada numa fase inicial e não haja o risco de se formar os hematomas auriculares.
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    26 de julho de 2009

    Espirro invertido ("reverse sneezing")

    O espirro invertido ou "reverse sneezing" é uma condição que se caracteriza por um som respiratório acentuado, como se o cão estivesse a inalar ar de forma violenta. No espirro normal, o percurso do ar faz-se no sentido oposto - o ar sai violentamente pelo nariz do cão.



    Espirro invertido

    Durante o espirro invertido, o cão faz inspirações pronunciadas e rápidas, estica o pescoço e abre as patas dianteiras como se tentasse respirar melhor. O forte som emitido com este espirro faz com que os donos pensem que o cão tem algum objecto estranho no nariz. Apesar do seu som estrondoso, o espirro invertido é muito momentâneo - pode ir de alguns segundos a um minuto - e, normalmente, inofensivo. O cão rapidamente recupera a sua condição normal, não exigindo nenhum tipo de tratamento.

    Acredita-se que o espirro invertido tem como causa uma irritação a nível do palato mole, que conduz a um espasmo que diminui temporariamente a capacidade respiratória do cão. Normalmente, está associado a períodos de excitação como a chegada do dono a casa ou o passeio diário. Nestes casos é conveniente acalmá-lo para que o episódio acabe o mais rapidamente possível.

    As raças braquicéfalas, como é o caso dos Boxers e dos Bulldogs, podem exibir sons respiratórios que se assemelham ao espirro invertido, devido ao prolongamento do seu palato mole. Contudo, será importante excluir outros problemas que estas raças habitualmente possuem, pois estes sons podem camuflar problemas respiratórios graves ou potencialmente graves.
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    19 de julho de 2009

    Como levar o seu cão a passear de trela

    Após a aquisição de um cão, vem a árdua tarefa de ensiná-lo a passear na rua de trela e nada melhor do que começar em cachorro. Os passeios na rua devem ser um momento de tranquilidade, tanto para o cão como para o dono. No entanto, muitos de nós sabem que a tranquilidade rapidamente se transforma em caos e frustração. 




    Quem passeia quem?

    Para levar o seu cão a passear à rua é necessário antes de mais, demonstrar-lhe quem manda e a seguir definir as regras.

    As regras começam em casa. Quando pegamos na trela, o cão associa a passear, a ir à rua e isto cria uma certa excitação, que por vezes se torna descontrolada, como ladrar, saltar para o dono, etc.

    A primeira coisa a fazer é acalmar o cão através de várias formas:

    • ficar imóvel e esperar que o cão acalme, ignorando-o;
    • caso ele salte, virar-lhe as costas;
    • ir até uma determinada zona da casa, fingindo que estamos a realizar alguma tarefa;
    • por último, caso o cão não acalme, pousar a trela numa bancada ou pendurá-la.

    Após verificar que o cão está calmo, voltar a pegar na trela. Isto poderá demorar algum tempo, por isso é preciso que o dono tenha tempo disponível, porque um cão calmo é um cão controlado.

    Uma vez o cão calmo, colocar a trela e andar calmamente. Atenção que o dono é o primeiro a sair e a entrar em qualquer local, quer seja de casa, do prédio, do carro, etc.

    Assim que saímos a porta de acesso à rua, a primeira coisa que o cão vai fazer é puxar a trela e tentar ir à frente do dono. Normalmente, os donos puxam a trela para trás, o que está absolutamente errado. O facto dos donos puxarem a trela para trás assim que o cão dá um puxão, significa que estão a entrar em conflito com o cão e não é isso que se pretende.

    Temos que demonstrar ao cão que não tem que dar puxões, nem ir à nossa frente, porque quem manda é o dono.

    Assim que o cão dá um puxão temos que nos manter no sitio onde estamos, na posição em que estamos e aguardar que o cão tenha uma reacção ou olhe para trás ou se sente. Após ter efectuado qualquer uma destas acções podemos avançar, mas um passo de cada vez - já sabemos que vai puxar outra vez, por isso, é necessário darmos passos pequenos e seguros.

    Este treino requer tempo por parte do dono e calma, muita calma, porque é um treino lento e gradual.

    Costuma-se dizer que o cão é o espelho do dono por isso, um dono calmo e tranquilo tem um cão controlado.
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    12 de julho de 2009

    Bolas de pêlo (Hairballs)

    Os gatos são animais que passam grande parte do seu tempo a lamberem-se e a lavarem-se (grooming), engolindo grandes quantidades de pêlo. Normalmente esse pêlo ingerido é eliminado nas fezes. Quando isso não acontece, o pêlo acumulado forma densos aglomerados a nível do estômago e intestino delgado do gato, que lá permanecem até o gato os vomitar. A esse aglomerados chamamos bolas de pêlo.

    Grooming - responsável pela ingestão de pêlo


    Um gato com bolas de pêlo apresenta sintomas relacionados com o sistema digestivo, nunca com o sistema respiratório. Vómitos, perda de apetite e obstipação são os sintomas mais frequentes nestes animais.

    Se o número de bolas de pêlo for elevado podem bloquear o tracto intestinal e o gato não as conseguirá eliminar pelas fezes nem sequer vomitá-las. Este bloqueio, denominado por impactação, é um problema de extrema gravidade que põe em risco a vida do animal se não for detectado a tempo. Nalguns casos só a cirurgia para remoção das bolas de pêlo permite a resolução do problema.

    No mercado existem inúmeros produtos que ajudam a eliminar as bolas de pêlo do gato. A maior parte deles tem como ingrediente base um óleo não digerível que lubrifica o tracto gastro-intestinal, permitindo uma eliminação mais eficaz do pêlo ingerido, evitando que se formem os aglomerados. No entanto, estes produtos devem ser usados rotineiramente para que sejam eficazes - aconselha-se que o gato o ingira uma vez por semana durante todo o ano. As dietas com elevado teor de fibra também auxiliam na eliminação das bolas de pêlo. Uma outra forma de evitar uma ingestão tão acentuada de pêlo é escovando o seu gato regularmente para remoção do excesso de pêlo morto.

    Tenha sempre em conta que nas alturas do ano em que o seu gato está na mudança de pêlo, este problema torna-se bem mais frequente. Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre o produto mais eficaz para o seu gato e lembre-se que a prevenção é a melhor solução.
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    5 de julho de 2009

    Dermatofitoses - "Tinha"

    Designa-se por dermatofitose todas as infecções de pele provocadas por fungos. Os fungos mais frequentes são Microsporum canis, Microsporum gypseum e Trichophyton mentagrophytes. Nos nossos animais de companhia, o género mais frequente é o Microsporum e, vulgarmente, designamos esta dermatofitose por "tinha".

    Todos os mamíferos podem contrair dermatofitoses, incluindo os humanos. No entanto, a maior parte dos mamíferos torna-se imune às dermatofitoses e não exibe sinais da doença, excepto se estiverem imunossuprimidos ou se forem muito jovens ou muito idosos. Daí ser mais frequente encontrar dermatofitoses em cachorros e gatinhos.

    As lesões de "tinha" são normalmente áreas circulares, descamativas, sem pêlo ou com pêlo muito quebradiço, com alguma vermelhidão, podendo ou não existir prurido. Localizam-se normalmente a nível do focinho, orelhas, patas e cauda. Nos cachorros a "tinha" restringe-se, habitualmente, a uma lesão isolada. Nos gatos temos, habitualmente, uma "tinha" mais generalizada.



    Lesão de "tinha" localizada

    O diagnóstico da dermatofitose pode ser feito usando um aparelho especial denominado Lâmpada de Wood de luz ultravioleta que, quando percorre o corpo do animal, torna as lesões verde fluorescente. Também podemos fazer uma colheita de pêlos e colocá-los num meio especial para crescimento de fungos ou observá-los ao microscópio para encontrar eventuais esporos dos fungos.

    As dermatofitoses são patologias que exigem um tratamento contínuo e demorado (pelo menos 1 a 2 meses). Por isso, a persistência do dono é fundamental para o sucesso do tratamento.

    Os animais afectados estão constantemente a disseminar esporos dos fungos pelo meio ambiente e estes esporos resistem durante meses nesse mesmo meio, daí ser essencial uma limpeza profunda do local onde o animal se encontra, nomeadamente camas, tapetes, canis ou gatis. Sejam lesões localizadas ou generalizadas é essencialmente lavá-las periodicamente com champôs à base de clorhexidina, que é um desinfectante para a pele extremamente eficaz para a manter saudável. Nas lesões localizadas optamos por loções ou pomadas de aplicação tópica em cada lesão. Nas lesões generalizadas, além das loções e pomadas, devemos administrar fármacos anti-fúngicos por via oral. Em qualquer uma das situações é de extrema importância que o dono siga à risca todas as indicações do tratamento e que nunca o páre até o médico veterinário achar que o deve fazer, mesmo que todas as lesões já tenham desaparecido da pele do animal.
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    28 de junho de 2009

    Patologia dos sáculos anais

    Os sáculos anais, também chamados de glândulas anais, localizam-se ao redor do anûs e permitem ao animal marcar o território e "comunicar" com outros animais, uma vez que cada sáculo anal tem um odor único e muito intenso que o identifica (há quem o assemelhe a odor a peixe). Quando o animal defeca, os sáculos anais são esvaziados e uma pequena porção da sua secreção fica por cima das fezes. Isto permite ao animal que as cheirar identificar quem ali esteve.



    Localização das glândulas anais

    A patologia dos sáculos anais surge quando o cão ou o gato não esvazia totalmente a glândula durante a defecção. O ducto da glândula entope e a glândula enche, dando origem a infecções (saculites anais) e abcessos. O animal sente as glândulas cheias e começa a lamber constantemente o anûs e a arrastá-lo no chão (posição de trenó). Esta patologia é mais frequente nos cães, especialmente nos de raça pequena, contudo também se observa em gatos.

    Quando os sáculos anais começam a ficar cheios, o dono ou o veterinário deverá esvaziá-los pressionando a área em redor do anûs. Existem animais que nunca conseguem esvaziar correctamente os sáculos quando defecam, por isso devemos estar atentos ao seu comportamento para os esvaziarmos assim que tiverem cheios. Normalmente, para estes animais é necessário um esvaziamento semanal ou quinzenal, por forma a prevenir uma eventual saculite anal.

    Se a saculite anal já está presente o animal terá de fazer antibiótico durante pelo menos 8 dias. Podem-se aplicar pomadas locais que ajudam a diminuir a inflamação da zona anal. As saculites anais dão um desconforto acentuado no animal principalmente se estiver na fase do abcesso, por isso alguns podem retrair-se na hora de defecar - os analgésicos são fundamentais nestes casos.

    Uma alimentação rica em fibra é fundamental nos animais que fazem saculites anais com muita frequência. A fibra produz um volume fecal maior fazendo com que haja maior pressão nos sáculos aquando da saída das fezes, facilitando o seu esvaziamento. Se mesmo com este tipo de alimentação o animal continuar a ter saculites, podemos optar pela remoção cirúrgica das glândulas, no entanto existe o risco, apesar de baixo, do animal se tornar incontinente fecal.
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    21 de junho de 2009

    Esgana canina

    A esgana canina é uma doença viral altamente contagiosa que afecta o aparelho respiratório, digestivo e o sistema nervoso central do cão. Pode atingir animais de qualquer idade contudo, afecta sobretudo cachorros não vacinados entre os 3 e os 6 meses de idade, sendo grande parte das vezes fatal. Os animais adultos afectados por esta doença têm uma maior resistência à doença. Devido ao desenvolvimento dos planos vacinais nos cachorros, a incidência de esgana sofreu uma redução muito significativa nos últimos anos.

    O vírus da esgana (CDV) transmite-se pelo ar, daí a sua elevada contagiosidade. Assim que é inalado, dissemina-se rapidamente pelo organismo do animal e os sintomas começam a surgir. A febre é o primeiro sinal da doença- aparece normalmente 3 a 6 dias após a contaminação. Após a febre, os sintomas podem variar bastante, dependendo da estirpe viral e do sistema imunitário do cachorro. Assim podemos ter:

    • corrimento ocular e nasal;
    • diarreia e vómitos;
    • anorexia e prostração;
    • pneumonia;
    • sinais neurológicos nos casos de esgana nervosa - paralisia, "tiques" nervosos e convulsões nos casos mais graves.

    O diagnóstico de esgana é baseado no historial clínico do animal (normalmente são cachorros não vacinados que já vão à rua), nos sintomas e em análises sanguíneas.

    O tratamento consiste em manter o animal hidratado devido às perdas no vómito e diarreia, forçar a alimentação, fornecer anti-vomitivos e antibióticos e controlar as convulsões. Grande parte dos cachorros, apesar do tratamento de suporte agressivo, acaba por morrer. Os que sobrevivem podem ficar com sequelas nervosas ("tiques"), hipoplasia do esmalte (os dentes ficam com um aspecto amarelado e gasto) e sensibilidade gastro-intestinal.

    A esgana é uma doença com um prognóstico muito reservado que pode conduzir à morte do cachorro. Nunca esqueça que se ele não estiver vacinado com a primo-vacinação não pode ir à rua pois arrisca-se a ser contaminado.

    Vacinação - melhor forma de prevenção da esgana canina

    Se notar que o seu cachorro não quer comer e está prostrado leve-o de imediato ao veterinário, não espere pelo dia seguinte.
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